Em 2015, um grupo de super-humanos escapa de uma base do governo para salvar o mundo, e acaba descobrindo uma série de segredos sombrios. Essas são suas histórias.
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Times: Milionário Senador.

Ele é brilhante, bonito e milionário, ascendeu como um dos maiores empresários atuais e está entre os maiores inventores da nossa história, com o chip de identificação virtual e o motor solar 3200. Além disso criou uma fundação para promover a ciência e a educação. Mas quem é esse homem, será ele mais um dos tubarões empresariais? Um playboy afetado? Quem é Richard Harris Teabing e o que o motiva a concorrer pelo Senado de Nova York?


Por Tessa Harkness.


Times: Senhor Teabing, muitos o consideram um tubarão empresarial, além disso, foi acusado de espionagem industrial no caso dos acidentes de Nova York, contudo também é um dos maiores filantropos da mesma cidade. O que pode nos contar sobre isso?


Richard: (risos) Você vai direto ao ponto não é? Bom, antes de mais nada eu gostaria de pedir que você não me chamasse de senhor, isso me faz sentir como se tivesse idade pra ser seu pai ou algo do tipo e, convenhamos, ficaria estranho qualquer relação desse tipo. Quanto a ser um tubarão empresarial, eu acho o termo meio afetado, como aquelas fantasias yuppies em relação ao tamanho do falo, entretanto em se tratando do mercado norte-americano, antes ser um tubarão empresarial do que um peixinho, contudo me culpar pela falha dos meus oponentes soa um tanto estranho. Veja só, Nova York é uma cidade imensa e movimentada, por si só já é um caldeirão de probabilidades, agora acrescente a isso a onda de supercrimes que começaram a acontecer antes do atentado, qualquer amador pode observar os gráficos e ver que eles estavam aumentando, o que eu fiz foi me prevenir pra uma catástrofe iminente, solidifiquei minhas finanças e tive muita sorte de fazer isso um dia antes, pois se tivesse demorado mais, muitos funcionários da Warden poderiam estar na rua hoje e eu não gostaria que isso acontecesse, não me considero um filantropo, mas eu acho que se existe uma forma de melhorar nosso mundo é por meio do trabalho e da educação e é por essa razão que é vital a continuidade do trabalho na warden.


Times: E é por essa razão que você decidiu se candidatar ao senado?


Richard: Sim e não. Eu decidi me candidatar pois acho que posso fazer a diferença, que posso dar o melhor de mim para as pessoas e no senado eu posso fazer mais do que somente como empresário. Afinal, existem mais setores do que a educação e o trabalho, setores além da ação filantrópica.


Times: E você vem enfrentando dificuldades pelo fato de ser Galês? Como você lida com isso, você se considera um estrangeiro?


Richard: Não vejo dificuldades e nem motivo para esconder minha nacionalidade. Eu nasci em Gales, estudei em Oxford, mas já conheci metade do mundo e escolhi os Estados Unidos como casa e ele me acolheu de braços abertos. Muitos esquecem que esse país foi forjado pelo sangue e suor dos imigrantes. Os ingleses, os africanos, irlandeses, italianos, japoneses, coreanos, chineses, poloneses, alemães, árabes, turcos, judeus, e mais outros. Os únicos que estavam aqui em origem eram os nativo-americanos. Portanto as únicas etnias que podem criticar a imigração são eles.

Times: Muitos o consideram um solteirão convicto, outros o chamam de libertino. Qual é a sua versão da sua vida pessoal? Você tem namorada?

Richard: Eu devo confessar que tive uma vida boêmia, sempre gostei de me divertir e sempre gostei de uma boa música, por sinal, as duas coisas são encontradas com mais freqüência no horário noturno. Mas eu deixei de ser sozinho faz um bom tempo (risos). Sim eu tenho uma namorada, deveras linda, contudo nossas profissões nos afastam um pouco, embora eu goste muito dela. E não, eu não sou um libertino (risos).

Times: Voltando pras eleições, qual é o carro chefe da sua campanha pelo senado? Quais suas principais propostas?

Richard: Eu não diria que é um carro chefe, nem propostas, veja bem, eu elaborei um planejamento econômico do estado pros próximos vinte anos, contando com melhorias na infra estrutura do transporte, com a reformulação do ensino público devido ao acréscimo de novas bolsas de estudo, com um maior incentivo as fundações e com uma nova política super-humana. Acho então que o carro chefe da minha campanha é planejamento e não simplesmente uma proposta ou uma promessa vaga.

Times: E qual a sua opinião sobre os Super-humanos?

Richard: Minha opinião é muito boa (risos). Bom, eu penso que os meta-humanos são uma realidade. Não adianta fechar os olhos e ignorar a existência deles, nós já tivemos várias experiências com eles e é inegável seu poder de alteração do mundo. Entretanto a política atual em relação aos meta-humanos é estranha, a França como sempre repeliu tudo que é diferente, a Inglaterra abraçou os meta-humanos como heróis... e nós? Estamos indecisos? Alguns de nós, eu tenho certeza, querem iniciar uma caça as bruxas, entretanto não é esta a política que um país deve tomar, afinal nós estamos na terra da liberdade, não somos fascistas, somos? Ao meu ver, estamos todos esquecendo uma coisa: Por mais que estes meta-humanos tenham poderes exacerbados, eles ainda são humanos, muitos deles cidadãos americanos, que vivem e pagam seus impostos. Alguns só querem levar uma vida normal, outros usam seus dons pra proteger os outros e como sempre existe os mal orientados que usam seus dons em proveito próprio ou para praticar crimes. Estes devem ser julgados por uma lei específica e confinados em prisões que sejam capazes de prendê-los. É tolice hoje, querer julgar num julgamento aberto e com a tecnologia comum seres extremamente poderosos. Há de se fazer uma reavaliação dessa situação sem esquecer a humanidade no caminho. @







Um dia cheio de surpresas

São exatamente meio dia do dia 21 de Outubro e estou com dor de cabeça. Minha manhã foi um tanto atribulada, fui acordado por Nicholas às 7 horas da manhã, devo dizer que fui retirado, seqüestrado por ele da minha cama e do meu sonho fabuloso com a minha exótica amante oriental. Ora, não foi sonho, o perfume dela ainda está impregnado no meu corpo, mais um motivo para odiar ter levantado tão cedo. A manhã foi deveras complicada, a começar pelo motivo do despertar, uma reunião com Denorus, um ser muito intrigante, e muito poderoso. Parece um elfo saído das histórias de Tolkien, com aparelhos tecnológicos tão sofisticados que parece magia. Perto dele minha armadura é um moinho de vento. O que me motiva a vê-lo, mas me faz odiar o 19º lugar no ranking. Segundo Nicholas, Denorus teria poderes para curar Christine e com essa esperança partimos para o meio do oceano índico, entre a Índia e a Austrália. Lá encontramos o elfo em seu disco voador no meio do nada.
Após uma mistura de 20.000 léguas submarinas com Star Trek, dentro da fortaleza de Denorus, Nicholas me volta do fundo do mar me dizendo que precisamos encontrar ajuda para romper uma barreira ancestral no fundo da água. A primeira candidata a ajudante é Waterfall, ex-Supremos, salvamos o rabo dela da ultima vez quando ela estava dominada pelo Knight, mas mesmo assim ela ainda é carne de pescoço e nos obriga a fazer outro favor para ela. Não que eu não fizesse se ela soubesse como pedir, afinal aqueles olhos azuis e aqueles cabelos negros já são um ótimo pagamento. Seguindo as ordens da Israelense, partimos de Israel para os Estados Unidos, em busca do noivo dela. Lá descobrimos que o rapaz estava com grandes problemas, trabalhando com tecnologia avançada em computação biológica para um pequeno país da Europa que não consta na maioria das enciclopédias. Heintzenberg é uma ilha exportadora de petróleo e com um ministro muito mal humorado, além de mentiroso. Ele nos recebe junto com o que parece ser todo o exército nacional, e depois de uma conversa amigável com Alísia, que usa toda a sua diplomacia e charme, ele nos leva para o seu gabinete, onde mente descaradamente e após algumas palavras grossas de ambos os lados somos expulsos do país. Interessante a tecnologia que eles possuem, avançada demais para o nível do lugar.
Fomos expulsos, mas como estávamos curiosos não desistimos. Sunshine viajou camuflada até o limite da ilha e usando sua supervisão achou o ministro. Ela o seguiu até o castelo real, onde ele foi se encontrar com ninguém menos que Nightmare. Aquele holandês traiçoeiro estava trabalhando com o paiseco, penso se a pesquisa do rapaz não teria a ver com a armadura do holandês. Fato é que Herman sentiu a presença de Alísia e nós tivemos que fugir do país sendo perseguidos por caças altamente tecnológicos, mas claro que não tão tecnológicos quanto é Claymore. Pelo menos existem vigésimos e trigésimos lugares na grande lista. Partimos e contamos a Waterfall o que descobrimos. A cortesã já sabia de tudo e nos mandou na busca apenas para se divertir. Dou a ela minha palavra e 20.000 dólares e ela concorda em nos ajudar.
A segunda e a terceira ajudante são mais fáceis. Nêmeses dos Peacekeepers se oferece espontaneamente para ajudar-nos e Trauma, uma menina da família Werner também. Grupo reunido, voltamos para a fortaleza de Denorus. Ele, Liquid, Trauma, Nêmeses e Waterfall partem para quebrar a barreira. Sunshine, Impacto e eu ficamos na fortaleza a espera. O tempo passa e logo o mundo começa a cair, o oceano treme e a fortaleza começa a baixar, faço as contas e me pergunto se minha armadura resistiria à pressão da água e chego a duvidar que vá sair vivo desta empreitada.
Súbito, para o bem ou para o mal, o mar explode e uma imensa cascata d’água se forma, jogando a fortaleza em que estamos para uma altura absurda. Eu consigo ver o satélite Armada 3 até. E então a fortaleza começa a cair, atravessando a enorme corrente de água vertical. Acho que estamos a 300 mph aproximadamente, faço força para erguer a sala onde estamos, mas é inútil, penso em sair pela abertura, mas a corrente causaria grandes estragos no hardware. Os segundos passam e então Impacto age. Ele nos agarra e nos transporta para fora do perigo, imaculados. Não sabia que ele tinha esses poderes, ele transmutou nossas moléculas e as dele para o estado de fase 4 e como fantasmas atravessamos a água e chegamos salvos na nave, respiro aliviado.
Enquanto estávamos presos, Liquid, Waterfall e as duas meninas impediam que a queda da corrente provocasse um Tsunami de destruição. No final, todos vivos, embora cansados, podemos seguir para casa. Deixamos cada uma das meninas em sua respectiva casa. Waterfall deixa bem claro que espera que eu cumpra minha palavra, eu a asseguro que cumprirei. Não que o namorado dela seja a minha motivação, mas qualquer um que trabalhe com Herman não é boa coisa.
E quando eu acho que finalmente poderei voltar para minha cama e descansar eis que me aparece mais um problema. Estamos a 190 metros e eu posso ver a fumaça em Camelot, 170 metros e posso ver a torre Sul desabando. Penso em 6 possibilidades para o atacante e logo descubro que é a terceira. 100 metros e eu vejo a forma verde brilhante disparando rajadas radiativas na direção de quem eu reconheço como sendo Ionns, um dos soldados de Jack Larsen. Pelo visto ele estava se virando bem contra Miracle, afinal ele veio para cá para ajudar no caso dela. Ionns parece controlar energia, todas as rajadas de Miracle se dissipam ao chegar nele. Estamos a 50 metros quando vemos a cena, Nicholas já estava acordado fazia 1 minuto, ele viu tudo. Miracle tentou partir para uma abordagem mais física contra Ionns, mas ao chegar perto dele, voltou a forma humana e ele a segurou pelos braços. Aproveitando a situação Christine deu um beijo em Ionns de fazer inveja. Adoro as mulheres, elas conseguem tudo o que querem, não importa os modos empregados.
A raiva de Nicholas é palpável quando ele ordena a Claymore que abra a porta lateral e logo em seguida sai voando. Incrível como ele consegue ser tão idiota de cair nessa provocação barata, fazer o que... Todos os apaixonados são idiotas.
Pouso a nave a tempo de ver a discussão entre ele e Miracle, ela tem um problema de dupla personalidade, uma é a Christine amável e fútil, a outra é um ser cruel e desprezível. Ela está com a personalidade esquerda hoje. “Por que você está destruindo Camelot?” Pergunto com mais vontade de derrubar a vadia do que de ser razoável, mas Nicholas está do meu lado, então sou polido com Miracle. “Eu estava cansada daquela prisão.” Me responde a cretina com a cara mais safada do mundo. “E precisava destruir tudo?” Grito quase perdendo o controle. “Se eu fosse vocês, me preocuparia mais com sua amiguinha japonesa, antes que o fogo atômico que espalhei nos andares abaixo a consuma.”, a vadia sorri enquanto me diz isso, tenho vontade de atacar, entretanto parto para salvar Miharu junto com Ghünter deixando Sunshine para ajudar Liquid.
Dentro de Camelot eu vejo o inferno, fogo atômico destruindo tudo, fundindo portas e destruindo meu sistema de 6 bilhões de dólares. O calor é tão intenso que destruiu o programa anti-incêndio de Camelot. Desisto de procurar Miharu e parto para o laboratório onde espero criar um aparelho capaz de apagar as chamas, Ghünter tem 85 % de chance de salvá-la. Preocupo-me com as soluções possíveis para o dilema das chamas, em um segundo chego a uma conclusão, em um minuto tenho um nulificador de partículas subatômicas pronto. Com ele resolvo o problema das chamas e retorno para onde estão os outros.
Chego a tempo de ver Ghünter chegando com Claymore, ele traz Miharu curada e a responsável pelo feito, Hisa. Entre todos os dotes de minha amante, um deles é seu poder geneativo, ela é capaz de curar ferimentos. Ao me ver ela corre em minha direção, é linda a preocupação em seus olhos, sinto-me lisonjeado.
Miracle fugiu, Liquid insiste em ir atrás dela, mas ele não está em condições. Eu olhos nos seus olhos e sei que ele irá, não importa o que seja preciso. Ele me pede para que Hisa o cure, eu falo com ela em Japonês e ela me responde com sinais. Ela me diz que pode deixar Nicholas inconsciente, o que eu peço que faça. “Richard, se você estiver planejando algo, não é a hora.” Ameaça Liquid pouco antes de apagar. Eu seguro Hisa que também desmaia devido ao esforço que faz. Após deixarmos os dois na enfermaria, partimos com Ionns para localizar Miracle, o soldado consegue rastrear energia.
Fazendo seu trabalho maravilhosamente, Ionns nos leva até onde o rastro de energia termina. O soldado é extremamente competente no que faz. Para nossa surpresa nos descobrimos no rastro de Singularity, uma mulher demente que possui poder suficiente para atrapalhar Van Rayner. Da última vez que a encontramos, além de levarmos uma surra, ela deixou Miracle no seu estado atual radioativo. Só não entendo o que ela estava fazendo numa cidade onde assistia o louco Lann.
Estávamos investigando o local quando recebemos uma mensagem de Nicholas. Ele estava indo para a França encontrar Miracle. Eu não entendi como ele acordou tão cedo, ou mesmo como ele sabia onde estava Miracle. Só sei que logo terminamos nossa investigação partimos para lá. Eu estava preocupado com Nicholas enfrentar sozinho Christine, por isso coloquei os motores da nave em toda a potência. Aliás, coloquei os motores em potência superior. Fazendo a Nave se desgastar no processo. Mas Nicholas é meu amigo, a nave não é nada.
Quando chegamos, temos mais surpresas. Encontramos Nicholas enfrentando Singularity e Miracle, mas o corpo de Christine está separado, distante do corpo atômico. Organizo o ataque, deixando Ionns para cuidar da parte atômica enquanto Sunshine, Liquid, Impacto e eu atacamos Singularity. Ela resiste aos nossos golpes individuais, portanto decidimos um ataque conjunto. Enquanto isso Ionns neutraliza a contraparte atômica de Miracle.
Voando em Mach 1 eu me posiciono atrás de Singularity enquanto Sunshine provoca uma abertura na guarda de dela. Nicholas carrega todo o seu poder se concentrando e então disparamos juntos. Nem mesmo a barreira de Singularity consegue segurar todo o nosso poder e ela perde a consciência por alguns instantes.
Neste pequeno espaço de tempo, aproximadamente 3,5 segundos, chega a cavalaria. Primeiro os antigos Supremos: Ignus, Earthquake, Metallie e a deliciosa Whisper. Depois os antigos Peacekeepers: Stunner, Cybelle e Fastep. Junto com Pierce chegam Lightnning, Sonique e sua irmã Symphony. Eles chegam, pois eu havia informado Pierce sobre a descoberta do paradeiro de Syngularity quando a descobrimos em Irwin. Chegam para desencorajar qualquer vilão que queira se meter nos assuntos da Extreme e de nossos aliados. Chegam para mostrarmos para a ISC que ela não está sozinha como senhora do mundo. Chegam e em segundos, Singularity está deitada ao chão e permanecera neste estado por muito tempo.
Quando os Supremos desceram de sua nave, Ignus e eu combinamos um ataque apenas com o olhar. Nós dividimos as equipes. Crusader, Sunshine, Ignus, Nicholas, Whisper e Cybelle atacaram por cima juntando toda sua energia num feixe único. Enquanto isso em terra, providos por bastões de pedras criados por EarthQuake, todos os pesos pesados atacaram fisicamente o alvo que foi levantado ao ar por um ciclone provocado por Lightnning, Sonique e Fastep. Symphony atacou sozinha mentalmente o alvo.
O resultado final foi a queda de Syngularity e a aplainagem de 30 metros quadrados de chão. Nosso recado foi dado, uma bela lição.
Quando acabamos aproveitamos uns dos poucos momentos em que podemos ficar todos juntos para conversarmos. Nós só nos reunimos assim para lutar. Nicholas convida a todos para jantarem em sua casa. Pierce me pergunta se um ataque deste nível fora necessário. Eu afirmo que sim. A lição era necessária. Agora todos sabem que estamos aqui para ficar. E eles vão temer isso. Partimos em carona com Ignus, Claymore segue em piloto automático aos trancos. Nada que uma tarde na oficina do hangar de Camelot não resolva.
Chegamos e eu recebo mais uma surpresa. Ao nos despedirmos de Ignus, Nicholas agradece a todos. Ignus parte. Quando Nicholas se prepara para ir embora ele me diga “Richard, eu estou te devendo” Eu ia dizer algo, mas quando olhei nos olhos de Nicholas não tive tempo de me defender a tempo de salvar meu nariz. Ele se virou e saiu, me lembrando de ir jantar na casa dele esta noite.
Adoro o humor austríaco.
Todos se vão, eu fico. Preciso terminar o exoesqueleto que estávamos criando para Phase. Trabalho nisto por duas horas, estou exausto quanto sinto uma mão no meu ombro. Antes de me virar sinto o perfume de cereja. “Você descansou bem?” pergunto em japonês enquanto me viro. Hisa acena que sim com a cabeça. Ela se assusta com meu nariz quebrado. “Não foi nada.” eu respondo. Com um simples toque, ela restaura a cartilagem do nariz e cura as feridas do meu corpo, me sinto bem, disposto novamente. Eu a pego nos braços. Palavras são desnecessárias, a base estava vazia exceto por nós, o doce aroma de cereja e suor.
3 horas e 35 minutos depois voamos para casa. Ela me abraça quando chegamos e me beija como se quisesse roubar meu sopro vital. Ela está apaixonada, perdidamente. Sinto-me lisonjeado.
Quando entro no quarto ela me segue e tranca a porta. Palavras são desnecessárias. Após um banho quente nos vestimos. Eu escolho um terno cinza escuro com uma camisa escarlate. Hisa coloca um vestido de seda chinesa vermelho, com um dragão estampado na frente.
Desta vez escolho minha Lotus preferida. Modelo atual, curvas arrojadas e o motor, meu é claro. No caminho para o prédio de Nicholas encomendo comida do Masa para Hisa. Ela é um tanto enjoada em relação à comida. Sinto falta da alegria de Tessa. Com esse pensamento ligo para uma pizzaria e encomendo uma das famosas Pizzas gigantes. Peço também para entregar sorvete. Nina, a irmã mais nova de Nicholas adora sorvete. Para meu próprio gosto estou levando uma garrafa de Scotch irlandês.
Chegamos, Nicholas está feliz. Isso é bom, assim tenho certeza de que não levarei mais um soco. Cumprimentamos-nos, sigo para a cozinha e pego dois copos para servir a ele uma dose. Alísia já está na casa conversando com Christine, aparentemente curada, sobre as futilidades comuns das mulheres. Ghünter não vem, preferiu ficar com Miharu, provavelmente patrulhando.
Sento-me com Nicholas e começamos a conversar sobre as futilidades comuns aos homens. Hisa não está feliz, está com ciúmes de mim, provavelmente acha que eu não estou dando atenção a ela, ou que não a assumo em frente dos meus amigos. Ela começa a me irritar. A festa foi organizada no topo do prédio, Nicholas mora na cobertura de um antigo bairro respeitável de NY.
Logo chegam Kelvin e Cecile, sua esposa. Junto a eles chegam Claude e seu filho Klaus. Reunimos-nos e aproveitamos uns aos outros. Kelvin, eu e Claude conversamos sobre tecnologia de segurança. Hisa parece beber mais do que devia e em pouco tempo está claramente embriagada. Em dado momento, Nicholas me chama a um canto da casa. “E então o que você acha?” Ele me diz mostrando um anel de noivado. “Nicholas, eu sempre soube que você me amava” respondo brincando. “Ela vai adorar meu amigo, desejo tudo de bom para você” Respondo sério desta vez. “Richard, eu queria saber se você não gostaria de ser meu padrinho de casamento.” Eu fico lisonjeado com o pedido e respondo que será a maior honra que alguém me ofereceu em toda a minha vida.
Sabendo do pedido faço uma rápida reunião com Claude que em segundos busca uma aliada nossa, senhorita Amanda, vulgo Whisper. Uma cantora de sucesso, lindíssima. Nós aproveitamos a festa. Eu não tiro os olhos de Amanda. Hisa está ocupada demais conversando com o sakê para perceber meu interesse na espanhola. Nicholas se prepara para fazer o pedido. Eu olho para Claude, ele acena em acordo. Quando Nicholas se levanta e faz o pedido, todos nós recebemos instrumentos musicais. Eu começo a tocar o violino acompanhado pelo teclado tocado por Cecile e do sax tocado por Claude. A linda voz de Amanda se sobressai. Dos céus surge um anjo de gelo iluminado por uma radiante luz, ele traz o anel para Christine que maravilhada chora de emoção.
Quando todos levantamos nossas taças para um brinde, Hisa me agarra, beija e desmaia embriagada. Eu a levo para o sofá de Nicholas e a deixo lá. Quando volto para a festa, começo a conversar com Amanda, ela é um tanto distante, avoada, mas linda. Quando Ignus ia se despedir algo estanho acontece. Um homem em uma armadura vermelha passa em um vôo rasante ao lado de nosso prédio. 2,4 segundos depois um homem num uniforme que lembra ao antigo personagem japonês Kamen Rider salta sobre nossa mesa. “Desculpem pessoal, mas o apressado Cricket está em uma perseguição” É o que ele grita logo após sumir em um salto gigantesco e cair sobre o armadureiro.
Ficamos alguns instantes sem fala. Ignus me olha questionador, eu apenas encolho os ombros e sorvo um gole de Scotch voltando minhas atenções para Amanda. Ela tem os maiores seios que eu já vi, e lindos. Pergunto-me se não cairiam sem o sutiã. Após algum tempo todos começam a ir embora. Eu peço para Amanda ficar, dizendo que eu a levarei embora. Ela aceita. Nicholas me pergunta sobre Hisa. “Não se preocupe” eu respondo “Jarvis, virá buscá-la.” Jarvis sempre as busca para mim.
Despeço-me de Nicholas e chamo Claymore, ela está nova em folha. Entramos eu e Amanda. Conversamos um pouco mais. Ela é distante, mas gosta do que ouve. Eu toco em sua mão, subo para os seus braços e depois para seus cabelos. Ela me olha, nos beijamos. Ela pede para que eu abra o teto da nave. As estrelas são lindas. Nós nos beijamos, nos acariciamos. As estrelas se tornam ofuscantes. No final, nos abraçamos. Realizo uma fantasia compartilhada por grande parte dos homens do mundo, descubro que existem forças maiores que a própria gravidade. Foi divertido, mas não foi metade do que poderia ter sido. Amanda é linda, mas péssima amante. Sinto falta de Tessa, nenhuma delas é tão habilidosa quanto Hisa. Hisa é majestosa neste aspecto, mas Tessa é divertida, Tessa tem paixão. Amanda é distante. É como comer um petit gateu quando tudo que se quer é uma banana split.
Mas sempre se pode provar o petit gateu mais de uma vez. Passo a noite na Espanha com Amanda. Despedimos-nos de manhã. Eu traço o curso para a Inglaterra. Tomo um banho, troco de roupa. 8 horas da manhã entro no apartamento de Tessa. Ela ainda dorme. Enfio-me debaixo de suas cobertas e a abraço. Ela se vira e me beija. Palavras nunca foram tão inúteis.

O doce sabor da cereja.

Já está tarde, há seis horas estou trabalhando neste bracelete transdimensional que meus companheiros me trouxeram. A tecnologia dele é absurda, inimaginavelmente maior do que tudo o que eu já fiz. E tudo isso contido num bracelete. É claro que isto tinha de ser obra de Van Rayner, um dos famigerados first steppers. Quando penso nele, no nível das suas produções intelectuais, a disputa entre Ignus e eu se torna infantil. Pra que disputar o segundo lugar? E segundo lugar mesmo? Ou eu não contei os outros first steppers, como Hideo, Tcheckov, aquela chinesa com problemas que nem as teses doentes freudianas explicam? E eu ainda não citei a organização de cientistas que querem dominar o mundo, a Daydream, ou o ancestral Denorus. Neste mundo há tantos seres de poder e conhecimentos maior que os meus que as vezes me sinto como uma criança ouvindo o professor discursar sobre coisas além do meu pequeno universo imaginário. Quando penso no mundo em que vivo, percebo o quão quixotesca é a minha vida como Crusader.
"Os parâmetros da leitura do disco rígido foram estabelecidos, a descompactação do arquivo será iniciada em 4.6 segundos. Tempo previsto para o término da sessão: 35 horas." Avisa Ávalon.
Com essa previsão é melhor arranjar algo para fazer. Essa pesquisa me deixou cansado, meus reflexos estão mais lentos, preciso de uma xícara de café. Impressionante! Eu cruzo o corredor e encontro Nicholas me trazendo uma bem quente e reconfortante, ele me diz algo como ser sua receita secreta, mas eu nem presto atenção, estou completamente tomado pelo aroma do café. Eu bebo um pequeno gole e metade dos meus problemas desaparecem. A química sempre me intrigou nestes aspectos, a mistura de substâncias diferentes, elevadas a uma temperatura x e pronto, temos uma substância completamente nova. A reestruturação e a fusão das moléculas acontecem em momentos banais do dia a dia e quase nínguem repara nisso. Alguns cientistas ignoram as pequenas alterações, como se elas não fossem importantes perto de seus grandes projetos, mas eu não, eu sempre gostei dos detalhes, das pequenas coisas. É claro que nunca me aprofundei em química, sempre gostei mais de mecânica, de construir, de movimento, energia. Mas todos os pequenos detalhes, as pequenas parcelas da construção possuem suas fórmulas químicas.
O café é deveras reconfortante, por um curto espaço de tempo me disperso apenas saboreando o doce e forte líquido. Mas logo volto a conversar com Nicholas, estou preocupado com ele, parece que fazem dias que ele não dorme ou descansa, trancado neste laboratório procurando uma cura para Christine. "Você está precisando descansar meu amigo, sair um pouco, tomar um ar. Seu estado está lastimável. Se ficar assim sua produção cairá assim como sua saúde." Nicholas não responde, não com palavras. Eu me calo. Deve ser muito difícil para o coitado ver Miracle naquele estado, presa em um traje para conter seus poderes radioativos, ele tem razão de não estar com pacência para a minha alegria. Agradeço o café meio sem jeito. Ele sabe que eu me importo com ele e com Christine, que o considero um dos meus melhores amigos, se não o melhor. Porém eu não sou ele, preciso de sono, alegria, conforto. Além do que, não há muito o que eu possa fazer além do que estou fazendo. Tudo isso sobre geneativos é ainda muito novo para mim.
Me despeço de Nicholas e saio da repartição dos laboratórios. Ando até a sala de recreação e encontro Hisa lendo um dos seus romances, daqueles bem dramáticos e tristes. Ela é uma mulher muito bonita e atraente. Quando eu entro ela me olha nos olhos, como se quisesse sugar minha alma para dentro daqueles globos amendoados. A maioria dos homens ficaria envergonhada quando uma mulher o olhasse assim. Eu sou muito diferente da maioria dos homens. Retribuo o olhar, ela abaixa a cabeça e volta a ler. Sorrio e me aproximo do sofá. Sou interrompido pelo barulho regular de saltos altos.
Escuto a voz de Alísia atrás de mim comentando algo sobre as Nações Unidas, algo a ver com seu país de origem, o Canadá. Ela muda o assunto e me pergunta onde se encontra Ghünter, nosso aliado alemão. "Na Justa como sempre" eu respondo sem me virar. Não que Alísia não chame atenção, é uma mulher linda, loira , um corpo escultural. Além disso é inteligente e sabe cativar qualquer pessoa com um sorriso. Por isso mesmo eu me mantenho a distância dela, Alísia é muito parecida comigo em algumas questões e eu odeio isso em uma mulher. Quanto a Ghünter, às vezes eu me pergunto se ele tem realmente uma vida, ou se ele é só um autômato inventado por algum cientista doente. Já me perguntei se ele era gay, mas cheguei a conclusão que não, ele parece ser alheio ao fulgor de viver mesmo, tendo como único motivo impulsionador para continuar vivendo a luta, acho que se um dia tirarem isso dele, ou mesmo se não existir mais a violência do mundo, ele travaria, como um computador que não consegue ler uma nova linha de programa.
Para a sorte de Ghünter e de Miharu, uma versão feminina do alemão, mas sem o discurso religioso ou heróico, exite a Justa. A minha versão da "Sala do Perigo". Uma sala de alta tecnologia virtual, especialmente elaborada para a simulação do combate, ajudando assim no treinamento e na performance geral da Extreme.
Alisia parte em procura do alemão, me deixando a sós com Hisa. Ela se vira para mim e me encara inquisitiva. "Sabe Hisa, já faz um tempo que estou nesta base trabalhando sem parar e estava pensando se você não gostaria de sair pra jantar comigo esta noite." Falo com a voz suave em japonês, olhando nos olhos dela, ela fica envergonhada. Eu noto. "Eu sei que você também deve estar entediada aqui, nós poderíamos sair, aproveitar a noite, nos divertir. O que você acha?" Ela sorri e me responde em ISL que sim. Hisa é muda, vítima de alguma maldade da máfia japonesa que ela não merecia sofrer. A vida é por deveras cruel, mas nós podemos torná-la bem melhor se quisermos. Nós saímos da base em direção a minha casa. A viagem é rápida, em pouco tempo eu estou no meu quarto, penúltimo andar do prédio e Hisa no dela, dois andares abaixo do meu.
É gratificante ter um prédio todo ao meu dispor, eu nunca tenho problemas para alocar amigos. Hisa e Miharu estão morando aqui já faz 5 meses. Ghünter preferiu continuar no seu pequeno apartamento no Harlem, eu respeito isso, ele prefere se sentir independente e se isolar ao mesmo tempo. Eu prefiro o conforto e a qualidade de vida que eu levo. Entro no meu quarto, coloco Schubertz para tocar e entro na ducha. 23 minutos depois estou de roupão. Eu precisava dessa ducha, muito. Caminho lentamente até o mini bar e pego a garrafa de Scotch. Derramo o líquido vagarosamente no copo com 2 pedras de gelo. Paro quando chego na metade do copo, então pego uma soda gelada e completo o drink. Sempre fui bom fazendo drinks. Com o copo na mão caminho até o closet e escolho minha indumentária: Blazer e calças negros e minha camisa azul escura Hugo Boss de seda chinesa, digo minha pois pois fui eu quem criei o estilo junto com Giovanni Bucci no inverno passado em Milão. Ótima idéia comprar boa parte das ações da empresa. Coloco o roléx daytona que ganhei de Merrick no nosso aniversário de 12 anos e estou vestido.
Ainda tenho 5 minutos, me sento e sorvo demoradamente meu club soda enquanto ouço as partes finais da melodia de Schubertz. Quando termino o drink estou completamente relaxado; saio e logo estou na porta de Hisa. Como esperava ela está pronta, e maravilhosamente linda. Maquiagem leve no rosto, um batom com cor, cheiro e provavelmente gosto de cereja; o cabelo extremamente liso está preso em um coque oriental; o corpo esguio veste o vestido negro que comprei, enquanto à mostra o belo e exótico dragão em suas costas aparece pelo decote longo. Mas o que primeiro chega a mim não é a visão exuberante, mas o olor de cereja que se espalha ao seu redor. Eu quase fico boquiaberto, quase.
"Você está perfeita!" eu assevero em voz contente. Ela sorri timidamente em resposta. Nós seguimos até o elevador em passos calmos, no percurso eu aproveito para elogiar os detalhes de sua beleza, as mulheres adoram isso. Durante a descida o perfume dela inebria minha mente, mas eu não comento sobre isso até chegarmos na garagem de carros clássicos onde escolho a chave do Cadillac 1959 azul.
O carro, é claro que não está como o original. Eu refiz todo o motor, começando pelo combustível utilizado para movê-lo. Ao invés do enorme tanque de gasolina há uma câmara ultra tecnológica que funciona a base de células de energia, sim, eu usei os carros como protótipos experimentais para a energia base da armadura de Crusader. A câmara do carro, contudo é enorme se comparado ao bastonete da armadura. Quanto ao motor, digamos que os 4,3 de potência do carro original foram superados pelos meu reajustes e a célula de energia faz o carro andar sem eu me preocupar com o gasto de combustível fóssil ou a destruição do planeta.
Abro a porta para Hisa entrar, ela adora. O motor não ronca como o original, achei muito exagerado, mas faz barulho suficiente para que não percebam a diferença do original. Hisa parece adorar o carro, foi por isso que escolhi exatamente esse dentre tantos.
Chegamos ao restaurante que escolhi, Masa, localizado em Midwest town ele fica um pouco longe do bairro onde moramos (Upper East Side), o que nos faz aproveitar ainda mais o passeio no Cadillac e aumenta o apetite, fora que o Masa é um restaurante 5 estrelas há mais de 10 anos. Embora não tenha feito reservas, uma breve conversa com o gerente nos garante a melhor mesa da casa.
Pedimos sashimi, Hisa se delicia com o Atum azul. Apesar de apreciar o gosto nipônico, ainda prefiro o salmão. Entre o sashimi e o sushi conversamos; Hisa é uma mulher intrigante e muito tradicional. Ela é muito diferente de Tessa, o que é muito interessante. Hisa tem um passado misterioso, mas depreendo algo como uma dívida dos seus pais para com a Yakuza. Por causa dessa dívida tornaram ela muda, acho que fizeram algo com as cordas vocais dela, mas também pode ser psicológica a mudez. Ela tem uma boca bonita, pequena e meiga. Ainda penso se o batom tem mesmo gosto de cereja.
Bebo um pouco do sakê, me tranquilizo com o líquido forte. O Masa é um lugar muito bom, vim com Tessa aqui umas duas vezes. Tessa, tão longe, em Londres, trabalhando, sozinha. Será que ela pensa em mim? Será que está mesmo sozinha? Nunca se sabe, por isso eu não me preocupo, pelo menos estou muito bem acompanhado. Ela pede para que eu fale um pouco de mim, eu pergunto o que ela quer saber. "Tudo", me diz com o movimento das mãos.
Eu falo. Sobre meu pai, que hoje penso ser meu pai adotivo, o Coronel Maddock. Sobre meu irmão e a morte que resultou no meu senso de heroísmo. Falo sobre o responsável por isso, Herman Von Gostrauken, o famigerado e detestável Nightmare. Falo sobre minha Fundação, os projetos que tenho em mente. Mas não falo nada sobre Tessa, ela não precisa saber.
Comemos muito bem, a conta de 1000 dólares me diz isso. Estou um pouco alto, mas em condições de dirigir.
Agradeço o chefe em japonês, a comida estava estupenda. Nos levantamos e quando saímos, todos na casa nos notam, mas eu estou acostumado com isso. Ao chegar perto do carro, um homem nos aborda. 32 anos, 1,86 de altura, 93 kilos, caucasiano, provavelmente do Brooklyn. Ele tem uma Smith & Welson nova nas mãos, arma bonita para um ladrão barato, é claro que é roubada de alguém que resistiu a um assalto. Ele me aponta a arma na cabeça e diz que vai me matar se eu não entregar o dinheiro. Ele acha que me assusta, não faz idéia do que eu já enfrentei. De quantas vezes estive perto da morte. " Passa toda a grana riquinho de merda! Antes que eu te encha de pipoco!!!" O mais nojento é que uma saliva dele voa para meu Blazer.
Infelizmente para o assaltante eu não tenho tempo nem de responder. Hisa pula por trás de mim e atinge o infeliz com o bico do seu salto na testa. Deve doer muito. O que eu mais aprecio nestes sapatos caros femininos, é que elas podem chutar, pular, fazer graça. E eles não quebram. Ela olha para mim, parada ao lado do corpo estirado no chão, linda. Caminho até o assaltante e tiro a arma de suas mãos, é uma arma bonita e bem balanceada. Deixo um cartão no bolso dele sobre a fundação Warden, as cadeias estão lotadas e talvez eu possa lhe dar trabalho.
Abro a porta para ela, coloco a arma no porta luvas e então seguimos para casa. Depois de estacionar o carro, paramos um pouco no salão de recepção do primeiro andar. Coloco uma música lenta e trago Hisa para perto de mim. Ela não esperava por isso, mas se entrega ao movimento. Sorrio intimamente. "Vamos dançar um pouco, a noite está tão linda que eu não quero que termine.¨, sussurro no ouvido dela e ela encosta a cabeça no meu ombro.
Dançamos, os corpos colados um no outro, o aroma do perfume dela tão próximo. Tudo corre naturalmente, eu abaixo meu rosto, ela levanta o dela e me encara. Linda, tão linda e tão pequena, frágil nos meus braços, ela me olha. Não digo nada, não é preciso, ela já é minha.
Nossos lábios se tocam e eu descubro que os dela tinham mesmo o gosto de cereja, delicioso. O beijo demora, minhas mãos acariciam suas costas e a apertam para mais junto de mim, as dela me abraçam. Nos olhamos e nos beijamos de novo, o beijo de Hisa é diferente do de Tessa, Tessa tem mais paixão, mais romance, mas Hisa sabe usar muito bem a boca. A pego no colo e a levo para o elevador, não paramos de nos beijar no caminho. Hisa me surpreende dominando a situação, ela sabe muito bem o que faz e faz muito bem o que sabe. Ao mesmo tempo frágil e selvagem, exótica, linda.
Quando acordo no dia seguinte com o telefonema de Nicholas, não me pergunto se o que fiz foi certo ou errado, ou frases do tipo "o que foi que eu fiz". Eu sei o que eu fiz, afinal eu planejei. E foi muito bom, foi muito bom provar o doce sabor da cereja.
Me levanto e tomo um banho. Quando estou pronto para sair ela ainda está dormindo. Dou-lhe um beijo e saio. No caminho para a base ligo para Tessa. "Bom dia querida, como você está?", "Bem meu amor, estou com saudades" ela responde. "Eu também paixão, arrumando um tempinho livre eu vou para ae está bem?", "Que bom Rick, sinto sua falta, Londres não é nada sem você!" ela me diz com voz tristonha. "Eu também Tess, eu nunca esqueço de você."

Luzes de Mercúrio

Enquanto as finas pontas dos saltos altos golpeavam alternada e calmamente a calçada, minúsculas partículas do pavimento eram espalhadas pelo impacto, misturando-se à poeira e sujeira das ruas do Soho. Dentro das lojas, interruptores eram ligados e desligados, gerando microscópicas faíscas multiformes. Acima das nuvens, uma enorme tela negra dispunha sobre si dúzias de desenhos pontiformes de luminosidades variadas, cujo brilho já era tão obscurecido pela poluição que mal podia ser visto. Acima das casas, dúzias de arranha-céus construíam com suas janelas acesas uma disléxica e multidimensional paisagem noturna. Acima das cabeças, postes luminosos jorravam fótons esparsos e multidirecionais em todas as direções. Alisia podia ver tudo aquilo, simultaneamente, dentro de cada casa, em cada lado dos prédios, cada uma das constelações. Podia ver os elétrons correndo pela fiação metálica dentro dos conduítes encapados. Podia ver a lâmpada se aquecendo e os filamentos de mercúrio começando a brilhar. Para quem podia ver de perto, nada era mais bonito que aquilo. Nem o pôr-do-Sol no Norte, nem cristal líquido. A sensação de cor de Alisia era muito diferente. Ela não via as coisas como as pessoas comuns. Era como um novo sentido, muito diferente da visão, muito mais amplo, muito mais profundo. Era muito mais próximo da audição e do tato do que da visão em si. A luz, em todas as suas extensões de onda, refletia e se misturava e Alisia podia captar tudo aquilo simultaneamente o tempo todo, como uma sinfonia luminosa constante.

355, Walt Baker St. Quinto andar. Parou de caminhar e virou a cabeça na direção da loja de conveniências do outro lado da rua. Quinto andar, ele estava no apartamento 52, sentado na privada. Atravessou a rua e adentrou a loja. Queria comprar cigarros, decidiu que não interromperia o homem em uma hora daquelas. Comprou um maço de Dunhill, uma pastilha de cereja e uma revista sobre Super-Heróis na América, que notou ao lado do caixa. Na capa, o Crusade cravava sua espada no chão para impedir que um metrô colidisse em Nova York. Era a única na Extreme que se preocupava em saber sobre a opinião pública. No geral era muito boa. Enquanto pagava a compra, leu as páginas internas. Um cara dava entrevista contando como o Crusade salvou o dia e inspirou ele próprio a salvar uma senhora em perigo dentro do metrô. Acendeu um cigarro saindo da loja, e colocou uma pastilha na boca. Sentiu-se estranha. Não sabia o que dizer da reportagem. Richard era um playboy excêntrico com síndromes de megalomania, mas havia conseguido alcançar o preceito máximo do herói, ele havia conseguido inspirar o heroísmo do próximo. Alisia não conseguia achar aquilo ruim, pelo contrário, mas sentia algo estranho, como se não acreditasse totalmente que fosse mesmo possível mudar o mundo pelo poder do exemplo.

Guardou a revista na bolsa E terminou o cigarro. No 52, ele também já havia terminado. Subiu as escadas do prédio, passando incólume e despercebida pelo porteiro. Dentro do circuito interno de câmeras, as lentes captavam uma imagem projetada de homens passando pela portaria. Decidiu subir as escadas, não estava disposta a chamar a atenção de ninguém naquela noite. Cinco lances de degraus flutuando a dois palmos do chão, e em um minuto Alisia já caminhava novamente sobre os finos saltos altos. Parou diante da porta. 4h13am. Os vizinhos certamente dormiam, e era melhor que fosse assim. Aproximou o olhar dentro da fechadura e, moldando um pequeno objeto de luz sólida, abriu a porta. Ele estava deitado na cama do quarto, acabara de se cobrir. Alisia fechou a porta e voltou a flutuar centímetros acima do chão. Moveu-se até a cozinha e abriu a geladeira, pegando uma lata de cerveja do congelador. Deixou a bolsa sobre a mesa de jantar e deslocou-se calmamente até a porta do quarto. Repetiu o truque da primeira porta e adentrou o aposento. Deitado na cama, um homem de aproximadamente 30 anos com aspecto de pouca higiene virou-se olhando assustado.Uma fina camada de luz invisível sólida formou-se ao redor de todas as paredes do quarto, criando uma imperceptível barreira acústica. O homem levantou-se rapidamente, pegando um revólver que Alisia notara sob seu travesseiro enquanto comprava os cigarros. Quatro disparos, ele sequer perguntou quem era ou o que fazia ali. Sua mão tremia segurando a arma e, em seguida, deixando-a cair apavorado enquanto assistia às balas amassadas no ar caindo no chão. Alisia acendeu outro cigarro e tirou um papel de dentro do bolso, desdobrando-o.

"Eu realmente não estou com pressa nenhuma, mas se estivesse no seu lugar ia querer que isso acabasse o quanto antes, então me diga: Você é Robert Porter, número de seguridade social 54876387/NY?"

Ele relutou um pouco, e então respondeu afirmativamente. Era a certeza de que precisava. Aquele homem, Robert Porter, 31 anos, duas passagens por suspeita de homicídio, era o responsável por violentar e matar 12 meninas de 11 a 14 anos entre New Jersey, Rhode Island e New York, desaparecidas entre 2 anos e um mês atrás. Era muito bom no que fazia, nunca deixava rastros, nunca ficava muito tempo na cidade, nunca usava cartões de crédito. Alisia demorou um mês inteiro para localizá-lo. Havia sido chamada pelo NYPD para auxiliar no caso e conseguira descobrir o paradeiro do monstro. No último assassinato, o único em que Alisia presenciou a cena do crime, ele deixou para trás uma única digital, na parede do corredor da casa abandonada. Alisia respirou fundo, lembrou-se da visão do corpo da menina de 14 anos morta após ser estuprada. Deu um longo trago no cigarro e tentou esquecer-se de que ela própria já havia passado por aquilo aos 14 anos. Não precisava de mais ódio daquele homem. Já tinha em si mais do que o ssuficiente.

***

4h40am. Os vizinhos continuavam dormindo. Amarrado sem suas roupas, Robert Porter era suspenso pelas mãos por correntes luminosas que pendiam do teto. De seu corpo, inúmeros filetes de sangue vertiam de incontáveis cortes sobre a pele, formando uma enorme mancha vermelha que já começava a coagular no carpete. Com o único olho que ainda lhe restava, Porter continuava olhando, aterrorizado, a mulher loira de aproximadamente 25 anos e formas delicadas que acendia mais um cigarro enquanto apanhava outra pastilha. A expressão no rosto dela não havia mudado em absolutamente nada na última hora e meia em que ela o havia torturado. Sua pele havia sido queimada por fótons, seu olho esquerdo e órgãos genitais esfacelados por lâminas laser. Suas unhas arrancadas dos dedos jaziam ao chão misturadas ao sangue. Nenhum ruído, nenhum som havia deixado aquele cômodo do apartamento, apesar dos urros bestiais que o monstro emitia cada vez que Alisia desferia outro golpe. Mas ela não se alterava. Apenas olhava em sua direção e, entre um suplício e outro, perguntava-lhe sobre uma das doze meninas. Perguntava sobre a sensação de possuí-las, de sentir seus corpos parando de respirar aos poucos. Robert Porter ainda se propôs ao despeito de responder a primeira das perguntas. Não pareceu muito cooperativo a partir da segunda, no entanto. Já estava tarde. Observou novamente o homem pendurado a sua frente. Pensou em Crusade. Ele não faria aquilo, ele teria entregue o criminoso à justiça.

Mas ela não era Crusade. Ela não via sentido naquilo. Ele seria julgado mentalmente insano e mandado para tratamento em uma clínica estadual. Passaria o resto de seus dias sendo sustentado pela população, pelos pais das meninas mortas. Jamais pagaria pela dor que causou, pelo mal que trouxe ao mundo. Não, Alisia não podia fazer aquilo, não podia deixá-lo escapar. Ele não era um homem, não tinha senso algum de moralidade, era um monstro, muito pior do que um animal. Ela apenas fez o que era preciso.

Deixou o apartamento, gravando outra cena de homens agora saindo da portaria na câmera. A polícia não encontraria pista alguma sobre os homens que mataram Robert Porter, e o caso seria arquivado em duas semanas. Ainda na calçada em frente ao prédio, pôde observar dentro do quarto o momento em que o coração de Porter parou de bater. Acendeu outro cigarro e caminhou pelas calçadas. Enquanto a sinfonia luminosa se mantinha nas ruas do Soho, Alisia olhava para a capa da revista em sua bolsa. Nela, o Crusade encravava sua espada no chão para impedir a colisão de um metrô em New York. Um cara dava entrevista contando que o ato o inspirou a salvar uma senhora em perigo dentro do metrô. Na noite seguinte, todos os estupradores de NY iam ler nos jornais o que aconteceu a Robert Porter. Caminhando sozinha pelas calçadas do Soho, Alisia concluiu que, de certa forma, ainda que por meios inumanos – palavra que para ela tinha outra conotação – estava inspirando, através do exemplo, uma sensação inversa à de Crusade. Não a coragem de fazer o bem, mas o medo de praticar o mal. Banhada pelas fabulosas luzes de mercúrio, Alisia sentiu que fizera o certo, e ninguém e nem revista alguma precisava saber daquilo.

Uma luz diferente.

Seis e meia da manhã e eu ainda estou na cama. Vamos Thomas! Seu imprestável, levante logo antes que perca mais um emprego. Meu pai sempre me dizia isso quando era garoto, dizia tanto que pareço ter pego a mania dele. Droga de vida, 26 anos e ainda moro no sótão da minha mãe. Se eu tivesse seguido a carreira profissional no futebol, ah! eu seria um astro não fosse Ted Barnes ter quase arrancado minha perna fora naquele jogo! O joelho ainda dói todo inverno pra me ajudar a não esquecer aquele dia, como se precisasse.
Céus! Já são sete horas, ainda tenho que tomar banho ... não, o banho fica pra depois, a barba também, tenho que vestir o uniforme logo e voar para o trabalho. Voar, seria bom se eu pudesse, mas infelizmente ainda tenho que pegar o metrô, enfrentar fila, e sufocar por oito horas naquela guarita infernal.
Sair de casa já é uma luta, minha mãe reclamando sobre mim, reclamando sobre minha irmã, reclamando sobre o cadáver do meu pai. Reclamando. Bom, passo pelo meu vizinho Ed na surdina, eu ainda devo 20 pratas a ele. Depois disso, é só esquivar de Melissa e pronto, estou fora da rua mais acabada de Bushwick.
Daí é só caminhar pacificamente, evitando ser assaltado até o metrô, não que seja fácil, mas com os anos se ganha prática nestas coisas. Chego no metrô e como sempre, nenhum banco vago. Um acento livre surge na segunda estação. Eu sento. Uma mulher de 40 anos fica me encarando como se eu tivesse a obrigação de ficar em pé enquanto ela relaxa as pernas, sinto muito, não é por eu ter 26 anos que eu possa ficar em pé sentindo meu joelho ralhar a cada tremida do metrô para a senhora poder descansar seus joanetes.
A cena se repete mais uma ou duas vezes conforme eu troco de trens para chegar ao trabalho. E como sempre, chego atrasado. E como sempre, recebo bronca de Jefferson Malus, o encarregado da segurança do bloco B, e depois de mais 5 minutos, entre olhares de reprovação e comentários maliciosos, volto a rotina diária de entediamento.
Atravesso o salão principal, passo pelo corredor A-D e depois de alguns passos lentos me encontro dentro da guarita do Bloco B.Cara, o salário até que não é um lixo, comparado com os outros lugares, mas aquela guarita da ala B da Warden University é um inferno na terra de tão quente. Não sei quem foi o idiota que projetou aquilo. Por que é tão quente que não dá nem pra cochilar nem pra ficar acordado.
O Bloco B é a área destinada aos médicos da Universidade, para pesquisas e outras coisas que a gente nunca sabe, os médicos nunca se apresentam no horário, então não sei por que brigam tanto comigo. Fico mais 10 minutos sem fazer nada, 15, 20. Começo a ficar sonolento, mas logo tudo começa. Chegam os médicos do setor, saem os médicos do setor. E o dia vai passando assim.
Fico pensando sobre esses médicos, eles ganham pelo menos o triplo do meu salário e ainda parecem não estar contentes, a maioria é como sempre, esnobe, mas um chama muito mais a atenção, Dr. VonBühler acho que é alemão, eu sempre tive pavor de alemães. O Dr. tem um olhar sobrehumano, parece que ele vê os seus temores mais intímos com aquele olhar de gelo, ele me dá arrepios!!
Nossa, hoje tenho até pessoa ilustre passando por aqui, o patrão veio visitar o Dr. de olhar apavorante, acaba de chegar no seu ultimo carro novo. eu nunca vejo ele usando o mesmo carro, sempre um diferente, e sempre um modelo caríssimo, daqueles que eu só posso ver mesmo. Ah! esse Richard leva a vida boa, só nadando no dinheiro, ele passa e sorri como se o mundo fosse dele, sacudindo o rolex do braço enquanto acena um olá tentando ser simpático. O que esse cara fez pra merecer tudo que ele tem que eu não fiz? O que me deixa mais fulo da vida é que não consigo não sorrir pro cara, sei lá, ele tem alguma coisa que mexe coma gente. Ele passa e o tédio recomeça. E o tédio se prolonga. E se estende até que meu horário acaba.
Como cheguei atrasado, faço hora extra, normas da empresa. Tenho vontade de fuzilar quem inventou essas regras, mas o tempo da hora extra também passa como os outros, até que uma hora simplesmente acaba. Estou livre. Assim não me demitem pelo menos. Aproveito e vou pro bar onde os alunos frequentam, uma cerveja vai aliviar meu dia e meu humor. Acabo tomando 2 e pegando o telefone de uma uma menina com tara por homens de uniforme.
Me dou por satisfeito e no final da tarde de serviço me dirijo a passos lentos pro metrô. Fila pequena para entrar e milagrosamente pego um lugar vago logo de cara, mas não me faltam os olhares de acusação. Dá vontade de arriar as calças e gritar, olhem pra porra do meu joelho! Só que com a minha sorte teria algum guarda dentro do vagão para descer a lenha nas minhas costas por isso. Fico quieto e aproveito o banco. Que eles olhem como quiserem.
A viagem se estende como sempre. Mas como estou sentado até me sinto bem em estar no metrô. Quando o trem está chegando na estação do centro de Manhatam, até fico feliz. Metade do caminho já foi, mas então algo estranho acontece, um barulho ensurdecedor, depois outro e tudo parece tremer. Da janela direito consigo ver a parede do tunel ser arrebentada por uma criatura negra gigantesca. Parece um homem, mas não dá pra ver direito, muito rápido, o vulto passa e logo atrás vem outro, mas é claramente um homem com uma roupa verde. Ele salta do buraco do tunel e parece atingir a criatura ao mesmo tempo em que um cavaleiro medieval passa voando. Eu fico embasbacado com tudo isso, porém o tremor do trem me traz de volta.
Parece que o baque entre o cara de verde e o bicho de preto deve ter desestabilizado os trilhos do metrô. O trem treme como nunca, e parece aumentar a velocidade. Nunca tive tanto medo na minha vida. A velha que me olhou feio, rola ao chão com uma sacudida do vagão. Não sou muito inteligente mas saquei que a coisa ferrou pro meu lado, o trem provavelmente desgovernou de vez. Que maneira besta de morrer!
Eu olho pra janela e vejo a estação passar num vulto, rápido demais, e nada de parar, tudo treme, eu me seguro como posso. Que merda, a velha deve ter se machucado de verdade, ela não se mexeu mais, nem tentou se levantar. Tento me levantar pra ir ajudar, mas é difícil, faço um esforço, meus tendões quase se arrebentam, mas consigo me segurar, o vagão, não para de tremer. De repente penso, qual a serventia de ajudar a velha? Vamos todos morrer de qualquer jeito, o trem desgovernou, já era... e então paro de pensar e ajo, Cravo os dedos na poltrona pra me apoiar e então chego perto dela, eu toco o pescoço da senhora, ela não está respirando! Droga! Começo a fazer o procedimento de reanimação, 1,2,3... 1,2,3... segundos que parecem uma eternidade. Estou encostando a minha boca na da velha quando um baque no trem me lança quase um metro a frente dela, acho que morri, mas abro os olhos e percebo que ainda estou vivo. O trem diminuiu um pouco a velocidade, os trilhos rangem mais que a porta do banheiro de casa. Mas como?
Olho para o fundo do vagão (estou no último) e vejo a cena mais bizarra e mais emocionante da minha vida! O cavaleiro medieval com os olhos brilhando com uma fumaça azul está segurando o trem, ele está segurando o trem! Eu nunca imaginei que uma coisa dessas fosse possível. Com os dois braços e parado no ar, ele está segurando o trem! O cara gira uma espada enorme que eu nem vi ele tirar das costas, a espada deve ter o meu tamanho (ele mesmo deve ter mais de dois metros) e finca ela no chão como apoio. Eu juro que não acredito que estou vendo isso! Um cavaleiro medieval de quase 2,5 metros de altura, com uma espada enorme, voando com uma luz azul ao redor do corpo, está segurando a porcaria do vagão! O cara está salvando todo mundo! Eu não consigo acreditar ainda, vou acordar e estarei na minha cama, prestes a ir pra droga do meu emprego de novo.
O trem para de vez, o sangue escorrendo da minha testa me traz de volta a realidade, isso aconteceu mesmo. O cavaleiro, tira sua espada do chão, ele parece estar preocupado se alguém do trem precisa de ajuda, ele olha dentro do vagão. Sinto uma mão no meu ombro direito, me viro pra ver quem é, é a velha mal encarada em quem eu estava fazendo respiração boca a boca. Ela me olha bem diferente agora, como minha mãe olhava pra mim quando eu era pequeno.
Nós ficamos apenas um segundo olhando um pro outro, mas quando me viro o cavaleiro já desapareceu, deve ter ido enfrentar aquele bicho, ou aquele cara, nunca se sabe quem é o vilão com esses caras. Só se sabe quando eles nos salvam, como o cavaleiro. Me volto para a senhora e a ajudo a se levantar, ela me diz seu nome, Angeline Pinkerson, eu lhe digo o meu. Ela agradece e eu respondo que não fiz nada, que foi o que qualquer ser humano faria, e depois me lembro que salvei a vida dela, assim como o cavaleiro salvou a de todos nós.
Eu, Thomas Howley, 26 anos, subempregado, sem casa própria, sem namorada, sem cachorro. Eu salvei uma vida. O peso do meu ato me tira muito do peso que eu carregava nas minhas costas, juntamente com o fato de eu ter quase morrido, dá uma sensação diferente, de repente a vida parece ter novas possibilidades...
Eu salvei uma vida, assim como o cavaleiro mágico salvou a de todos nós. Eu nunca tinha visto um desses caras antes, assisti sobre eles na televisão, mas eles sempre pareceram tão longe... hoje é diferente, eu vi, e eu me sinto como ele, no mesmo nível. E essa comparação dá uma luz diferente ao meu dia.



Making Of: Richard Harris Teabing

Este é um tópico em off sobre as idéias e absurdos que me levaram a criar a personagem hoje conhecida como Richard Harris Teabing.

Bom, o Richard, aka Crusade, nasceu após o fracasso da primeira personagem construída em 5 minutos (Brainstorm) pra que eu pudesse jogar com o pessoal, é eu entrei no barco quando este já estava navegando. Brainstorm era vazio e sem background nenhum, logo ou criava um background pra ele ou elaborava um novo personagem, aqui está o embrião de Crusade.
Na época tive uma conversa com o Cal sobre o que ele estava precisando para a equipe e ele me disse que queria um líder. Na equipe já haviam dois elemental controlers, Alisia e Nicholas, e um Brick, Gunther. Chegamos a conclusão de que o melhor seria um Backbone, um personagem suporte.

Na época eu comecei a reler as minhas HQs antigas e numa delas encontrei uma personagem que na época me inspirou bastante, o Lorde Fobia, um cavaleiro armadureiro. Um super cientista que construiu uma armadura tecnológica com detalhes e estilo medievais. À parte o fato dele ser um vilão, a idéia me pareceu muito boa. Outra personagem muito forte foi o Dr. Destino, um armadureiro super carismático. Ele também é vilão, mas é uma ótima personagem. Falando em vilões eu tirei o nome de um outro vilão, Richard Fisk, o filho do Rei.

Eu queria um líder carismático, armadureiro medieval, logo eu precisava ser gênio também, temos a ultima inspiração Tony Stark, o Iron Man. Mas o verdadeiro problema surgiu nas montagens das fichas. A primeira build contava até com poderes psiônicos, overpower total. A segunda, mais centrada estabelecia um Richard next stepper, cujo poder era supergenialidade e supercarisma que construiu uma armadura de combate para si. Ainda faltava o background, aí entram as leituras novas da época com Iron man Ultimates. Richard tem muito do Tony de Ultimates, ele é um canalha, esse é o melhor termo pra descrevê-lo. Um super gênio super carismático que sempre teve tudo fácil. Richard não é dotado de muita moral, aliás no sentido heróico ele se encaixa muito no arquétipo do pícaro. Só que isso gera uma crise no grupo de jogo e no sentido do mundo de jogo onde o mestre (Cal) anseia por heróis paladinos. Portanto eu tinha que dar um motivo pra esse pícaro se tornar um herói. Nada melhor que a velhja fórmula do parente morto, no caso do Cruzade o irmão. O visual cavaleiro medieval vem daí, até pensei em chamar a personagem de cavaleiro verde, que era o objeto de adoração e estudo do irmão de Richard.

Com a morte do irmão a personagem ganha um motivo para salvar vidas, o que depois de pensar mais elaboradamente vejo como uma busca cega por redenção. Richard sente-se culpado pela morte do irmão e ele teve a sua parcela de culpa mesmo. Ele então tentaria fazer o certo porque é "o que Merrick faria". Isso dá uma profundidade interessante para uma personagem que tem momentos de imoralidade geral e de heroismo absurdos.

Cruzade começou como um disfarce elaborado, um cavaleiro fantasma que servia ao graal, mas isso só agradava a mim e ao cal, os outros jogadores não curtiram a idéia, logo parei de fazer as frases elaboradas e acabou-se o disfarce. Com o tempo, eu me cansei de ser um cavaleiro medieval só por ser e resolvi mudar o visual, a nova armadura contava não com uma espada metálica, mas sim com uma espécie de lightsaber e tinha o aspecto similar ao da armadura do Iron man ultimates.


To brigando por um Iron man 6... to be continued.

Uma canção galesa.

É uma bela manhã de outubro, 17,4 graus celcius, vento forte à noroeste. A brisa marítima chega na encosta da montanha e toca as flores nos jazigos. É uma bela manhã, como todas as outras em que estive com você... sabe, não importa o que acontecesse, o que houvesse, saber que você estaria lá por mim era sempre um alívio, era reconfortante. Afinal, você sempre foi o mais forte de nós dois Merrick, sempre foi o mais puro. Não sei a primeira vez que notei sua presença ou você a minha, mas com certeza o fizemos juntos. Daquele quarto na parte sul da casa, que fica a 18 passos do quarto de nosso pai, aquele quarto de paredes brancas como a neve do ártico onde fomos colocados juntos e onde vivemos juntos até sermos considerados dignos de receber uma cama própria ao invés de berços.

Você esteve lá quando eu caí daquele maldito berço, eu me lembro que tínhamos três anos, me lembro fortemente do seu choro, acho que o fato de você estar chorando me traumatizou mais que a própria queda, e você sabe que eu odeio cair, como você mesmo disse anos depois com seu forte sorriso... "Levante Rick, cair não combina com você". É, não combina, embora venha ocorrendo cada vez com mais frequência irmão. Eu ando perdido, e como sempre na minha vida, venho atrás de você em busca de mim mesmo. Talvez seja isso Merrick, talvez seja esse o meu problema, talvez eu sempre soubesse que não éramos irmãos de verdade, que nosso pai não era meu pai... sabe a verdade? Isso me deixa confuso sim, o maior problema é me deixar confuso, e sim, me frustra também, porque no fundo, eu me orgulhava de ter seu sangue nas minhas veias, de saber que a coragem que você tinha, também era minha. E agora eu sei que não é.

Então quem sou eu? Quem é Richard Harris Teabing? Sabe a única coisa que me vem a cabeça quando essas dúvidas surgem? O único fato que nunca mudará independente de qualquer coisa? Você Merrick, você é meu irmão. Logo Richard Harris Teabing, ou seja, eu, eu sou seu irmão. E nada, nada no mundo pode dizer o contrário sobre isso. Que a genética babe sua saliva de genomas, que a química se perca na tabela periódica, que a matemática definhe em seus dilemas mentais, que a física se autoprojete pra fora da própria realidade. Nenhuma das ciências do mundo pode me dizer que eu não sou seu irmão, e olha que eu conheço todas.

Afinal, como poderia eu não ser seu irmão? Não foi com você que eu tive minha primeira briga? Meu primeiro soco, um direto de esquerda no meu maxilar. Doeu muito, nunca mais nos agredimos depois daquilo. Você por remorso, eu por bom-senso. Não foi pra você que eu sempre contei tudo? E o inverso não era verdade? Você sempre soube de todas as minhas falhas, de todos os meus "desvios de comportamento"? Só você soube que fui eu quem destruiu o carro do senhor Gibbins, a moto de Marlowe Jr e a saia da Senhorita Gwendolyne. Cada um por um motivo diferente... Mas só você sabe, até hoje, disto. Assim como só eu sei que você amou perdidamente Meredith, a empregada casada com quem você teve sua primeira vez. Eu soube disso no segundo em que vi seus olhos quando falei dela, por isso não te contei que ela havia se deitado comigo no outro dia.

E é por isso que cada dia 8 de outubro eu venho aqui pra te pedir perdão. Não por eu ter me deitado com ela, não foi culpa minha, eu não fazia idéia que você tinha se apaixonado pela maior defloradora da região, mas foi minha culpa não ter te contado. Assim como foi minha culpa o modo como você morreu. Se nosso pai não tivesse me adotado, me criado, você ainda estaria vivo Merrick. Vivo e feliz. E tudo por minha culpa, se eu não tivesse me engraçado com todas as mulheres de Oxford, se eu não tivesse me envolvido com Eliza ou nunca humilhado aquele doente mental do Gostrauken na sala de aula...Se, é a conjunção condicional mais maléfica do mundo. É o feto da auto-piedade.

Desculpe irmão, sei que você odeia me ver chorar, sempre odiou, principalmente por ser algo muito raro de acontecer, mas não consigo evitar, não estando aqui na costa de Callaghan, não estando aqui, na área reservada aos Teabing, tendo na minha mão um punhado de crisântemos roxos, os preferidos de nossa, sua mãe biológica, segundo nosso pai, os seus preferidos desde que você soube o que era um cheiro bom, e o que era um cheiro bom campestre. Desculpe Merrick, eu não consigo, não hoje... talvez um dia.

Entretanto eu faço juz a fama dos galeses. Eu não sou confiável, ao contrário de você irmão, você que sempre foi o mais honrado de nós. É, o padre disse tudo no seu funeral Merrick, Deus leva os justos e bons para perto de si, acho que vou arder no inferno... não que eu não mereça, mas eu gostaria de poder te encontrar de novo irmão. Gostaria de te dar aquele abraço forte, de ver seu sorriso brilhante outra vez e é duro saber que nunca mais isso vai acontecer.
É como aquela velha canção que nosso velho pai o Coronel Maddock nos cantava quando éramos crianças:

As aves de arribação chegaram
Nesta primavera bela
Enquanto a nossa estrela
e a lua se deitaram

Enquanto o sol aguarda nascer
Nós esperaremos por vocês
Aves de arribação tão doces
O morrer é apenas um adormecer

No qual do inverno se esconde
Num sonho de alegrias
De Callaghan nas pradarias
Voltar a caminhar por onde...

Adeus Merrick, até ano que vem. Obrigado por sempre me guiar pra junto de mim, afinal, você sempre foi o mais forte, e eu o mais errado. Obrigado por tudo meu irmão.

Richard (Fluxo de consciência após a batalha contra o carniçal)

Droga por que diabos fiz aquilo pra que arrancar o braço do infeliz burro burro devo estar ficando louco ou algo assim o que deu em mim eu nunca deveria ter virado herói Marcos seria bem melhor do que eu por que ele teve de morrer culpa minha claro meu pai o rosto de meu pai no funeral droga droga que merda que eu fiz e eu ainda discuti com o impacto nossa estou a cento e cinquenta que droga de noite tenho de parar de comer porcarias Roberta brigou comigo outro dia uma criança na rua muitas delas preciso mudar isso mas como como posso fazer qualquer coisa braço tenho um braço guardado em casa que será que é aquela armadura sem dúvida é um dos projetos roubados maldito ele deve ter roubado então ele deve estar com meu campo de força hahaha a cara do Ignus quando eu entreguei a ele o aparelho valeu o ano desde aquela maldita partida de xadrez eu devia isso a ele braço por que eu tinha de usar uma espada devia ter feito um escudo é muito mais humano deve ser nanotecnologia alguma coisa para absorver impacto talvez também tenham redutores de calor e algo assim nossa que gata preciso de um drinque como será que meu pai está tenho de ir pra Gales logo mas como com esse cara a solta aquele prédio quase caiu aquela gata salvou a gente nunca vi mulher mais bonita mas que poder esses caras com quem estou andando são fortes de onde será que eles são alienígenas mutantes andróides não não andróides é forçar a amizade aquele impacto me deu uma bronca e que murro cara porra pra que fui arrancar aquele braço o que esse carniçal tem que me deixa com tanta raiva essa música tá uma droga pouca coisa presta hoje em dia Maxcorp então essa empresa tá jogando sujo puta que canhões eram aqueles e até agora eu só me ferrei com esse lance de herói por que fui entrar nessa Marcus Marcus morreu por minha causa que deu naquele louco do Gostrauken o que eu fiz pra ele Elisa que será de Elisa hoje por que aquela loira pega tanto no meu pé raio de sol uma ova deveria se chamar insolação mas que mira e que peitos ela tem droga pra que fui arrancar aquele braço ta aí vou fazer um escudo amanhã bem forte e resistente e vou parar de beber porra eu quero dormir só quero minha cama Roberta será que ela gosta de mim será que alguém gosta de mim de verdade meu pai gosta isso é certeza mas e os outros amigos eu tenho amigos alguém pra contar meu segredo putz preciso de um psicólogo não isso é bobagem igual religião puta merda que gata quanto será que custa isso não pagar é bobeira é nada de qualquer maneira não porra Richard larga mão de ser um cientista idiota e vira um humano é isso vou ser mais humano passo tanto tempo fingindo ser um ser atemporal que começo a pensar como um droga de vida por que essas pessoas são pobres será que o Manchester vai ganhar amanhã claro que vai acho que vou pra Inglaterra se eu for com a Claymore chego rapidinho vejo o jogo dou um abraço no meu pai uma rapidinha com a gostosa da Tessa será que eu to gostando dela por que eu contei pra ela que eu era o Cruzade não sei deve ter sido carência droga mas até agora ela não abriu o bico abriu coca cola beba essas propagandas são nojentas ufa já to no meu bairro minha piscina me espera acho que vou ligar para o Nicolas ele é meu amigo eu acho o mais próximo que eu tenho de um será que ele gostaria de sair não sei bom aqui estamos lar doce lar esse porteiro eletrônico que eu criei é muito bom a só quero minha cama hoje amanhã eu salvo mundo.