Em 2015, um grupo de super-humanos escapa de uma base do governo para salvar o mundo, e acaba descobrindo uma série de segredos sombrios. Essas são suas histórias.
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Making Of: Richard Harris Teabing

Este é um tópico em off sobre as idéias e absurdos que me levaram a criar a personagem hoje conhecida como Richard Harris Teabing.

Bom, o Richard, aka Crusade, nasceu após o fracasso da primeira personagem construída em 5 minutos (Brainstorm) pra que eu pudesse jogar com o pessoal, é eu entrei no barco quando este já estava navegando. Brainstorm era vazio e sem background nenhum, logo ou criava um background pra ele ou elaborava um novo personagem, aqui está o embrião de Crusade.
Na época tive uma conversa com o Cal sobre o que ele estava precisando para a equipe e ele me disse que queria um líder. Na equipe já haviam dois elemental controlers, Alisia e Nicholas, e um Brick, Gunther. Chegamos a conclusão de que o melhor seria um Backbone, um personagem suporte.

Na época eu comecei a reler as minhas HQs antigas e numa delas encontrei uma personagem que na época me inspirou bastante, o Lorde Fobia, um cavaleiro armadureiro. Um super cientista que construiu uma armadura tecnológica com detalhes e estilo medievais. À parte o fato dele ser um vilão, a idéia me pareceu muito boa. Outra personagem muito forte foi o Dr. Destino, um armadureiro super carismático. Ele também é vilão, mas é uma ótima personagem. Falando em vilões eu tirei o nome de um outro vilão, Richard Fisk, o filho do Rei.

Eu queria um líder carismático, armadureiro medieval, logo eu precisava ser gênio também, temos a ultima inspiração Tony Stark, o Iron Man. Mas o verdadeiro problema surgiu nas montagens das fichas. A primeira build contava até com poderes psiônicos, overpower total. A segunda, mais centrada estabelecia um Richard next stepper, cujo poder era supergenialidade e supercarisma que construiu uma armadura de combate para si. Ainda faltava o background, aí entram as leituras novas da época com Iron man Ultimates. Richard tem muito do Tony de Ultimates, ele é um canalha, esse é o melhor termo pra descrevê-lo. Um super gênio super carismático que sempre teve tudo fácil. Richard não é dotado de muita moral, aliás no sentido heróico ele se encaixa muito no arquétipo do pícaro. Só que isso gera uma crise no grupo de jogo e no sentido do mundo de jogo onde o mestre (Cal) anseia por heróis paladinos. Portanto eu tinha que dar um motivo pra esse pícaro se tornar um herói. Nada melhor que a velhja fórmula do parente morto, no caso do Cruzade o irmão. O visual cavaleiro medieval vem daí, até pensei em chamar a personagem de cavaleiro verde, que era o objeto de adoração e estudo do irmão de Richard.

Com a morte do irmão a personagem ganha um motivo para salvar vidas, o que depois de pensar mais elaboradamente vejo como uma busca cega por redenção. Richard sente-se culpado pela morte do irmão e ele teve a sua parcela de culpa mesmo. Ele então tentaria fazer o certo porque é "o que Merrick faria". Isso dá uma profundidade interessante para uma personagem que tem momentos de imoralidade geral e de heroismo absurdos.

Cruzade começou como um disfarce elaborado, um cavaleiro fantasma que servia ao graal, mas isso só agradava a mim e ao cal, os outros jogadores não curtiram a idéia, logo parei de fazer as frases elaboradas e acabou-se o disfarce. Com o tempo, eu me cansei de ser um cavaleiro medieval só por ser e resolvi mudar o visual, a nova armadura contava não com uma espada metálica, mas sim com uma espécie de lightsaber e tinha o aspecto similar ao da armadura do Iron man ultimates.


To brigando por um Iron man 6... to be continued.

Uma canção galesa.

É uma bela manhã de outubro, 17,4 graus celcius, vento forte à noroeste. A brisa marítima chega na encosta da montanha e toca as flores nos jazigos. É uma bela manhã, como todas as outras em que estive com você... sabe, não importa o que acontecesse, o que houvesse, saber que você estaria lá por mim era sempre um alívio, era reconfortante. Afinal, você sempre foi o mais forte de nós dois Merrick, sempre foi o mais puro. Não sei a primeira vez que notei sua presença ou você a minha, mas com certeza o fizemos juntos. Daquele quarto na parte sul da casa, que fica a 18 passos do quarto de nosso pai, aquele quarto de paredes brancas como a neve do ártico onde fomos colocados juntos e onde vivemos juntos até sermos considerados dignos de receber uma cama própria ao invés de berços.

Você esteve lá quando eu caí daquele maldito berço, eu me lembro que tínhamos três anos, me lembro fortemente do seu choro, acho que o fato de você estar chorando me traumatizou mais que a própria queda, e você sabe que eu odeio cair, como você mesmo disse anos depois com seu forte sorriso... "Levante Rick, cair não combina com você". É, não combina, embora venha ocorrendo cada vez com mais frequência irmão. Eu ando perdido, e como sempre na minha vida, venho atrás de você em busca de mim mesmo. Talvez seja isso Merrick, talvez seja esse o meu problema, talvez eu sempre soubesse que não éramos irmãos de verdade, que nosso pai não era meu pai... sabe a verdade? Isso me deixa confuso sim, o maior problema é me deixar confuso, e sim, me frustra também, porque no fundo, eu me orgulhava de ter seu sangue nas minhas veias, de saber que a coragem que você tinha, também era minha. E agora eu sei que não é.

Então quem sou eu? Quem é Richard Harris Teabing? Sabe a única coisa que me vem a cabeça quando essas dúvidas surgem? O único fato que nunca mudará independente de qualquer coisa? Você Merrick, você é meu irmão. Logo Richard Harris Teabing, ou seja, eu, eu sou seu irmão. E nada, nada no mundo pode dizer o contrário sobre isso. Que a genética babe sua saliva de genomas, que a química se perca na tabela periódica, que a matemática definhe em seus dilemas mentais, que a física se autoprojete pra fora da própria realidade. Nenhuma das ciências do mundo pode me dizer que eu não sou seu irmão, e olha que eu conheço todas.

Afinal, como poderia eu não ser seu irmão? Não foi com você que eu tive minha primeira briga? Meu primeiro soco, um direto de esquerda no meu maxilar. Doeu muito, nunca mais nos agredimos depois daquilo. Você por remorso, eu por bom-senso. Não foi pra você que eu sempre contei tudo? E o inverso não era verdade? Você sempre soube de todas as minhas falhas, de todos os meus "desvios de comportamento"? Só você soube que fui eu quem destruiu o carro do senhor Gibbins, a moto de Marlowe Jr e a saia da Senhorita Gwendolyne. Cada um por um motivo diferente... Mas só você sabe, até hoje, disto. Assim como só eu sei que você amou perdidamente Meredith, a empregada casada com quem você teve sua primeira vez. Eu soube disso no segundo em que vi seus olhos quando falei dela, por isso não te contei que ela havia se deitado comigo no outro dia.

E é por isso que cada dia 8 de outubro eu venho aqui pra te pedir perdão. Não por eu ter me deitado com ela, não foi culpa minha, eu não fazia idéia que você tinha se apaixonado pela maior defloradora da região, mas foi minha culpa não ter te contado. Assim como foi minha culpa o modo como você morreu. Se nosso pai não tivesse me adotado, me criado, você ainda estaria vivo Merrick. Vivo e feliz. E tudo por minha culpa, se eu não tivesse me engraçado com todas as mulheres de Oxford, se eu não tivesse me envolvido com Eliza ou nunca humilhado aquele doente mental do Gostrauken na sala de aula...Se, é a conjunção condicional mais maléfica do mundo. É o feto da auto-piedade.

Desculpe irmão, sei que você odeia me ver chorar, sempre odiou, principalmente por ser algo muito raro de acontecer, mas não consigo evitar, não estando aqui na costa de Callaghan, não estando aqui, na área reservada aos Teabing, tendo na minha mão um punhado de crisântemos roxos, os preferidos de nossa, sua mãe biológica, segundo nosso pai, os seus preferidos desde que você soube o que era um cheiro bom, e o que era um cheiro bom campestre. Desculpe Merrick, eu não consigo, não hoje... talvez um dia.

Entretanto eu faço juz a fama dos galeses. Eu não sou confiável, ao contrário de você irmão, você que sempre foi o mais honrado de nós. É, o padre disse tudo no seu funeral Merrick, Deus leva os justos e bons para perto de si, acho que vou arder no inferno... não que eu não mereça, mas eu gostaria de poder te encontrar de novo irmão. Gostaria de te dar aquele abraço forte, de ver seu sorriso brilhante outra vez e é duro saber que nunca mais isso vai acontecer.
É como aquela velha canção que nosso velho pai o Coronel Maddock nos cantava quando éramos crianças:

As aves de arribação chegaram
Nesta primavera bela
Enquanto a nossa estrela
e a lua se deitaram

Enquanto o sol aguarda nascer
Nós esperaremos por vocês
Aves de arribação tão doces
O morrer é apenas um adormecer

No qual do inverno se esconde
Num sonho de alegrias
De Callaghan nas pradarias
Voltar a caminhar por onde...

Adeus Merrick, até ano que vem. Obrigado por sempre me guiar pra junto de mim, afinal, você sempre foi o mais forte, e eu o mais errado. Obrigado por tudo meu irmão.