Em 2015, um grupo de super-humanos escapa de uma base do governo para salvar o mundo, e acaba descobrindo uma série de segredos sombrios. Essas são suas histórias.
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Private Profile.

Nome: Richard Harris Teabing.

Data de Nascimento: 11/06/1993

Signo: Gêmeos

Signo Chinês: Galo

Alcunhas: Crusader, Fixer.

Altura: 1,85

Peso: 80 kg

Cabelos: Loiros

Olhos: Verdes


Formação:

Primaria: · Thornhill Primary School

Secundária: Willows High School

Graduação: Oxford London. - Computação

Pós Graduação: Oxford London - Robótica.


Estado Civil: Solteiro.

Filmes Prediletos: Citizen Kaine, Metropolis.

Livros Prediletos: The Cask of Amontillado, Le Fleur du Mal, O Futuro do Espaço-Tempo, The Green Knight

Livro de cabeceira: Nova Filosofia da Ciência – Van Rayner.

Música Preferida: Goodbye Stranger, The Lady is a Tramp, Sinfonia nº 1 das Sinfonias e Invenções

Comidas Preferidas: Sushi Califórnia, Bacalhau banhado no azeite, iogurte natural com granola e mel.

Bebidas preferidas: Cerveja Stout, Suco de Açaí, Vinhos italianos e chilenos.

Profissão: CEO da WARDEN, Inventor, Político.


Objetivos profissionais:


Como inventor:

Tranformar sua tecnologia de armadura em suporte fixo para paraplégicos à nível mundial, com custo barato e investimento e suporte em propaganda.

Criar uma unidade de super-trajes para a polícia oficial de NY.

Richard está estudando os efeitos e a tecnologia UVB e geneativa.


Como CEO:

Abrir filiais da Warden no Brasil, Uruguai, Suíça, Letônia e Egito.

Atualmente a Warden é maximizada nos EUA, Gales, Cambridge, México e Espanha.


Como Político:

Ganhatr a disputa ao senado americano, instaurar políticas em prol de uma legislação geneativa.


Como Herói:

Solucionar os problemas do mundo, um de cada vez.

Os principais problemas a serem resolvidos para ele são:
Libertar Hisa

Criar uma base satélite para conter geneativos perigosos.

Achar Tchekov.

Ajudar a formação da Equipe de Cricket e Fluxo, assim como contactar outros heróis, expandindo a Extreme.

Trazer Izaad par seu lado.

Eliminar o controle dos First Steppers,

Assumir a ISC

Derrubar os Black Ops.

Momentos históricos: a morte de seu irmão adotivo Merrick em 06/05/2011

A fundação da Warden em Gales no ano de 2013.

Sua mudança para NY no ano de 2015.

A criação da Armadura Crusader 1 em 08/01/2017

A sua entrada na Extreme em 2017.

Sua batalha contra o Voltage e contra Gostrauken em Paris.

Sua batalha contra o Cataclisma junto ao Sentinela.

Relacionamentos:

Tessa – Namorada. / Como ele se sente em relação à ela: Não sabe, é a melhor companhia que ele teve até hoje, mas não se sente pronto para um casamento ou qualquer coisa em definitivo. Ela é um porto seguro, mas ele não quer atracar. Como ela se sente nesse relacionamento instável são outros quinhentos. Talvez quando ele estiver pronto seja tarde demais para os dois.

Hisa – Amante. / Como ele se sente em relação à ela: Responsável. Hisa é uma garota frágil e Richard usou isso para tê-la, tanto por motivos pessoais como profissionais. Ela é uma companheira fiel e uma poderosa aliada. Richard está preocupado em salvá-la do controle da Hark, tanto pela sua própria segurança, quanto por ser culpado dela ter se sujeitado à chinesa. Ele pretende dar mais atenção à isso.

Nicholas – Melhor Amigo. / Como ele se sente em relação à ele: Richard não tem muitos amigos, apesar de ter milhares de conhecidos. Ele já sacaneou todo mundo, inclusive seus amigos, mas faz o possível para protegê-los e ajudá-los. Nicholas é valioso não só pelo seu nível de poder, mas por ser alguém em quem Richard pode confiar quando a coisa aperta. Se tem alguém de quem ele sente falta é Nicholas.

Gunther –Amigo e companheiro de batalha. / Como ele se sente em relação à ele: Richard odeia e ama Gunther. O fanatismo e a hipocrisia do Alemão são insuportáveis para a lógica fria do Galês. Os dois são profundamente diferentes, acreditam em soluções opostas para um mesmo problema e é por isso que Richard considera Gunther essencial para a Extreme e como aliado. Gunther é o coração da Extreme para Richard, se ele sair do caminho, sabe que o Alemão tentará pará-lo.

Claude – Amigo e Rival/ Como ele se sente em relação à ele: Richard gosta bastante de Claude. Ele é tão fanfarrão quanto o Richard e é alguém com quem o galês consegue se relacionar, sair, beber, etc. O velocista ainda proporciona desafio comercial e intelectual à Richard na área de segurança eletrônica, o que adiciona mais tempero à amizade dos dois. Como herói, Lightnning possui um senso de justiça e dever que o aproximam de Gunther, mantendo uma balança na equipe. Ele possui um poder valioso para a equipe.

Maddock – Pai adotivo/ como se sente em relação à ele: Richard é grato à educação e carinho que recebeu de seu pai. Ele o ama e tenta fazer o possível para que o velho se orgulhe dele.

Ignus – Melhor Amigo/ como se sente em relação à ele: Responsável. Richard precisa se desculpar e arrumar as cosias com Ignus. Ele é um dos poucos que entende Richard e os dois criaram uma amizade verdadeira. Richard o considera um irmão, assim como Nicholas.

Íons – Amigo/ como se sente em relação à ele: Richard considera Íons um amigo, os dois saem para beber e conversam sobre o trabalho. Mas a atividade que os mantêm unidos é tocar no bar que Richard comprou no Upper East Side em NY. O Castle. Os dois podem ser vistos nas quartas feiras noturnas tocando blues.

Roberta – secretária, amiga, ex-amante / Richard gosta de Roberta, os dois já tiveram um affair quando o casamento da moça andava mal. Mas eles tornaram-se amigos e ele a respeita. Ela assume o comando da Warden quando ele desaparece em suas missões. Ela sabe a identidade secreta dele.

Gostrauken, vulgo Knightmare - Arqui-vilão/ como se sente em relação à ele: Richard quer ver Gostrauken no chão. Ele já abdicou de tentar redimir o vilão. “Cai dentro vadia!”

Knight – vilão / como se sente em relação à ele: Richard o quer eliminado. Isso é tarefa para o Fixer.

Van Rayner – Vilão e Mentor/ como se sente em relação à ele: Richard quer ser melhor que Van Rayner, o cientista é a montanha que o Gales quer escalar.

Pierce – Aliado e Mentor/ como se sente em relação à ele: Richard não confia plenamente em Pierce, apesar dos seus aliados o verem como uma figura paternal, o que Richard vê é um técnico que está ficando com os melhores atletas e brinquedos no seu lugar.

Larsen – Aliado / como se sente em relação à ele: Se ele não confia no Pierce, imagine no Larsen. A última contenda com o Alemão e o posicionamento de Striker só fortificaram as idéias do cientista de que Larsen é um aliado a ser vigiado.

Mushin – Aliado e empregado / como se sente em relação à ele:Mushin é um samurai, ou acha que é. Richard está feliz em tê-lo como vassalo. O que ele pagou aos russos para esquecerem do assassino foi uma pechincha se comparado ao serviço do mesmo com a Geneforce.

Cobb – Amigo e Aliado / como se sente em relação à ele: Richard gosta e admira Cobb, mas os dois não se vêem tanto pois o cientista está proibido de pisar em Vegas e o amigo não deixa a cidade.

Faraó – Rival / como se sente em relação à ele: O Faraó é um oponente num jogo muito perigoso. Richard nãos e decidiu sobre ele ainda, mas o observa atentamente.

Irmãs Russas – Aliadas perigosas / como se sente em relação à elas: Richard as acha deliciosamente insanas. Ele está fazendo todo o possível para que o ódio das mesmas seja bem aproveitado, evitando mortes de inocentes e punindo os culpados.

Striker – Aliado / como se sente em relação à ele: Richard não gosta de Striker. Ele compreende a utilidade do velho soldado e o trata como membro da equipe, mas não confia sua vida à ele.

Bullrush: Aliado / como se sente em relação à ele: Idiota.

Alísia: ?????? / como se sente em relação à ela: Richard acha que Alísia é parecida demais com ele para o próprio bem dela. Ele quer contactar a moça, mas ainda não decidiu o que fará.

Vírus – Indeterminado / como se sente em relação à ele: Não confiável, Richard evitará contato com ele.

Cibelle – Rival e aliada/ como se sente em relação à ela: Biscate. Richard a acha irritante, mas não descarta a possibilidade de conhecê-la mais profundamente.

Yuko: Aliada / como se sente em relação à ela: Richard pretende ajudá-la, mas ainda não decidiu como.

Bushi e Akemi: Aliados/ como se sente em relação à eles: São parte da família e da equipe. Richard os ajudará sempre que possível.

Um dia cheio de surpresas

São exatamente meio dia do dia 21 de Outubro e estou com dor de cabeça. Minha manhã foi um tanto atribulada, fui acordado por Nicholas às 7 horas da manhã, devo dizer que fui retirado, seqüestrado por ele da minha cama e do meu sonho fabuloso com a minha exótica amante oriental. Ora, não foi sonho, o perfume dela ainda está impregnado no meu corpo, mais um motivo para odiar ter levantado tão cedo. A manhã foi deveras complicada, a começar pelo motivo do despertar, uma reunião com Denorus, um ser muito intrigante, e muito poderoso. Parece um elfo saído das histórias de Tolkien, com aparelhos tecnológicos tão sofisticados que parece magia. Perto dele minha armadura é um moinho de vento. O que me motiva a vê-lo, mas me faz odiar o 19º lugar no ranking. Segundo Nicholas, Denorus teria poderes para curar Christine e com essa esperança partimos para o meio do oceano índico, entre a Índia e a Austrália. Lá encontramos o elfo em seu disco voador no meio do nada.
Após uma mistura de 20.000 léguas submarinas com Star Trek, dentro da fortaleza de Denorus, Nicholas me volta do fundo do mar me dizendo que precisamos encontrar ajuda para romper uma barreira ancestral no fundo da água. A primeira candidata a ajudante é Waterfall, ex-Supremos, salvamos o rabo dela da ultima vez quando ela estava dominada pelo Knight, mas mesmo assim ela ainda é carne de pescoço e nos obriga a fazer outro favor para ela. Não que eu não fizesse se ela soubesse como pedir, afinal aqueles olhos azuis e aqueles cabelos negros já são um ótimo pagamento. Seguindo as ordens da Israelense, partimos de Israel para os Estados Unidos, em busca do noivo dela. Lá descobrimos que o rapaz estava com grandes problemas, trabalhando com tecnologia avançada em computação biológica para um pequeno país da Europa que não consta na maioria das enciclopédias. Heintzenberg é uma ilha exportadora de petróleo e com um ministro muito mal humorado, além de mentiroso. Ele nos recebe junto com o que parece ser todo o exército nacional, e depois de uma conversa amigável com Alísia, que usa toda a sua diplomacia e charme, ele nos leva para o seu gabinete, onde mente descaradamente e após algumas palavras grossas de ambos os lados somos expulsos do país. Interessante a tecnologia que eles possuem, avançada demais para o nível do lugar.
Fomos expulsos, mas como estávamos curiosos não desistimos. Sunshine viajou camuflada até o limite da ilha e usando sua supervisão achou o ministro. Ela o seguiu até o castelo real, onde ele foi se encontrar com ninguém menos que Nightmare. Aquele holandês traiçoeiro estava trabalhando com o paiseco, penso se a pesquisa do rapaz não teria a ver com a armadura do holandês. Fato é que Herman sentiu a presença de Alísia e nós tivemos que fugir do país sendo perseguidos por caças altamente tecnológicos, mas claro que não tão tecnológicos quanto é Claymore. Pelo menos existem vigésimos e trigésimos lugares na grande lista. Partimos e contamos a Waterfall o que descobrimos. A cortesã já sabia de tudo e nos mandou na busca apenas para se divertir. Dou a ela minha palavra e 20.000 dólares e ela concorda em nos ajudar.
A segunda e a terceira ajudante são mais fáceis. Nêmeses dos Peacekeepers se oferece espontaneamente para ajudar-nos e Trauma, uma menina da família Werner também. Grupo reunido, voltamos para a fortaleza de Denorus. Ele, Liquid, Trauma, Nêmeses e Waterfall partem para quebrar a barreira. Sunshine, Impacto e eu ficamos na fortaleza a espera. O tempo passa e logo o mundo começa a cair, o oceano treme e a fortaleza começa a baixar, faço as contas e me pergunto se minha armadura resistiria à pressão da água e chego a duvidar que vá sair vivo desta empreitada.
Súbito, para o bem ou para o mal, o mar explode e uma imensa cascata d’água se forma, jogando a fortaleza em que estamos para uma altura absurda. Eu consigo ver o satélite Armada 3 até. E então a fortaleza começa a cair, atravessando a enorme corrente de água vertical. Acho que estamos a 300 mph aproximadamente, faço força para erguer a sala onde estamos, mas é inútil, penso em sair pela abertura, mas a corrente causaria grandes estragos no hardware. Os segundos passam e então Impacto age. Ele nos agarra e nos transporta para fora do perigo, imaculados. Não sabia que ele tinha esses poderes, ele transmutou nossas moléculas e as dele para o estado de fase 4 e como fantasmas atravessamos a água e chegamos salvos na nave, respiro aliviado.
Enquanto estávamos presos, Liquid, Waterfall e as duas meninas impediam que a queda da corrente provocasse um Tsunami de destruição. No final, todos vivos, embora cansados, podemos seguir para casa. Deixamos cada uma das meninas em sua respectiva casa. Waterfall deixa bem claro que espera que eu cumpra minha palavra, eu a asseguro que cumprirei. Não que o namorado dela seja a minha motivação, mas qualquer um que trabalhe com Herman não é boa coisa.
E quando eu acho que finalmente poderei voltar para minha cama e descansar eis que me aparece mais um problema. Estamos a 190 metros e eu posso ver a fumaça em Camelot, 170 metros e posso ver a torre Sul desabando. Penso em 6 possibilidades para o atacante e logo descubro que é a terceira. 100 metros e eu vejo a forma verde brilhante disparando rajadas radiativas na direção de quem eu reconheço como sendo Ionns, um dos soldados de Jack Larsen. Pelo visto ele estava se virando bem contra Miracle, afinal ele veio para cá para ajudar no caso dela. Ionns parece controlar energia, todas as rajadas de Miracle se dissipam ao chegar nele. Estamos a 50 metros quando vemos a cena, Nicholas já estava acordado fazia 1 minuto, ele viu tudo. Miracle tentou partir para uma abordagem mais física contra Ionns, mas ao chegar perto dele, voltou a forma humana e ele a segurou pelos braços. Aproveitando a situação Christine deu um beijo em Ionns de fazer inveja. Adoro as mulheres, elas conseguem tudo o que querem, não importa os modos empregados.
A raiva de Nicholas é palpável quando ele ordena a Claymore que abra a porta lateral e logo em seguida sai voando. Incrível como ele consegue ser tão idiota de cair nessa provocação barata, fazer o que... Todos os apaixonados são idiotas.
Pouso a nave a tempo de ver a discussão entre ele e Miracle, ela tem um problema de dupla personalidade, uma é a Christine amável e fútil, a outra é um ser cruel e desprezível. Ela está com a personalidade esquerda hoje. “Por que você está destruindo Camelot?” Pergunto com mais vontade de derrubar a vadia do que de ser razoável, mas Nicholas está do meu lado, então sou polido com Miracle. “Eu estava cansada daquela prisão.” Me responde a cretina com a cara mais safada do mundo. “E precisava destruir tudo?” Grito quase perdendo o controle. “Se eu fosse vocês, me preocuparia mais com sua amiguinha japonesa, antes que o fogo atômico que espalhei nos andares abaixo a consuma.”, a vadia sorri enquanto me diz isso, tenho vontade de atacar, entretanto parto para salvar Miharu junto com Ghünter deixando Sunshine para ajudar Liquid.
Dentro de Camelot eu vejo o inferno, fogo atômico destruindo tudo, fundindo portas e destruindo meu sistema de 6 bilhões de dólares. O calor é tão intenso que destruiu o programa anti-incêndio de Camelot. Desisto de procurar Miharu e parto para o laboratório onde espero criar um aparelho capaz de apagar as chamas, Ghünter tem 85 % de chance de salvá-la. Preocupo-me com as soluções possíveis para o dilema das chamas, em um segundo chego a uma conclusão, em um minuto tenho um nulificador de partículas subatômicas pronto. Com ele resolvo o problema das chamas e retorno para onde estão os outros.
Chego a tempo de ver Ghünter chegando com Claymore, ele traz Miharu curada e a responsável pelo feito, Hisa. Entre todos os dotes de minha amante, um deles é seu poder geneativo, ela é capaz de curar ferimentos. Ao me ver ela corre em minha direção, é linda a preocupação em seus olhos, sinto-me lisonjeado.
Miracle fugiu, Liquid insiste em ir atrás dela, mas ele não está em condições. Eu olhos nos seus olhos e sei que ele irá, não importa o que seja preciso. Ele me pede para que Hisa o cure, eu falo com ela em Japonês e ela me responde com sinais. Ela me diz que pode deixar Nicholas inconsciente, o que eu peço que faça. “Richard, se você estiver planejando algo, não é a hora.” Ameaça Liquid pouco antes de apagar. Eu seguro Hisa que também desmaia devido ao esforço que faz. Após deixarmos os dois na enfermaria, partimos com Ionns para localizar Miracle, o soldado consegue rastrear energia.
Fazendo seu trabalho maravilhosamente, Ionns nos leva até onde o rastro de energia termina. O soldado é extremamente competente no que faz. Para nossa surpresa nos descobrimos no rastro de Singularity, uma mulher demente que possui poder suficiente para atrapalhar Van Rayner. Da última vez que a encontramos, além de levarmos uma surra, ela deixou Miracle no seu estado atual radioativo. Só não entendo o que ela estava fazendo numa cidade onde assistia o louco Lann.
Estávamos investigando o local quando recebemos uma mensagem de Nicholas. Ele estava indo para a França encontrar Miracle. Eu não entendi como ele acordou tão cedo, ou mesmo como ele sabia onde estava Miracle. Só sei que logo terminamos nossa investigação partimos para lá. Eu estava preocupado com Nicholas enfrentar sozinho Christine, por isso coloquei os motores da nave em toda a potência. Aliás, coloquei os motores em potência superior. Fazendo a Nave se desgastar no processo. Mas Nicholas é meu amigo, a nave não é nada.
Quando chegamos, temos mais surpresas. Encontramos Nicholas enfrentando Singularity e Miracle, mas o corpo de Christine está separado, distante do corpo atômico. Organizo o ataque, deixando Ionns para cuidar da parte atômica enquanto Sunshine, Liquid, Impacto e eu atacamos Singularity. Ela resiste aos nossos golpes individuais, portanto decidimos um ataque conjunto. Enquanto isso Ionns neutraliza a contraparte atômica de Miracle.
Voando em Mach 1 eu me posiciono atrás de Singularity enquanto Sunshine provoca uma abertura na guarda de dela. Nicholas carrega todo o seu poder se concentrando e então disparamos juntos. Nem mesmo a barreira de Singularity consegue segurar todo o nosso poder e ela perde a consciência por alguns instantes.
Neste pequeno espaço de tempo, aproximadamente 3,5 segundos, chega a cavalaria. Primeiro os antigos Supremos: Ignus, Earthquake, Metallie e a deliciosa Whisper. Depois os antigos Peacekeepers: Stunner, Cybelle e Fastep. Junto com Pierce chegam Lightnning, Sonique e sua irmã Symphony. Eles chegam, pois eu havia informado Pierce sobre a descoberta do paradeiro de Syngularity quando a descobrimos em Irwin. Chegam para desencorajar qualquer vilão que queira se meter nos assuntos da Extreme e de nossos aliados. Chegam para mostrarmos para a ISC que ela não está sozinha como senhora do mundo. Chegam e em segundos, Singularity está deitada ao chão e permanecera neste estado por muito tempo.
Quando os Supremos desceram de sua nave, Ignus e eu combinamos um ataque apenas com o olhar. Nós dividimos as equipes. Crusader, Sunshine, Ignus, Nicholas, Whisper e Cybelle atacaram por cima juntando toda sua energia num feixe único. Enquanto isso em terra, providos por bastões de pedras criados por EarthQuake, todos os pesos pesados atacaram fisicamente o alvo que foi levantado ao ar por um ciclone provocado por Lightnning, Sonique e Fastep. Symphony atacou sozinha mentalmente o alvo.
O resultado final foi a queda de Syngularity e a aplainagem de 30 metros quadrados de chão. Nosso recado foi dado, uma bela lição.
Quando acabamos aproveitamos uns dos poucos momentos em que podemos ficar todos juntos para conversarmos. Nós só nos reunimos assim para lutar. Nicholas convida a todos para jantarem em sua casa. Pierce me pergunta se um ataque deste nível fora necessário. Eu afirmo que sim. A lição era necessária. Agora todos sabem que estamos aqui para ficar. E eles vão temer isso. Partimos em carona com Ignus, Claymore segue em piloto automático aos trancos. Nada que uma tarde na oficina do hangar de Camelot não resolva.
Chegamos e eu recebo mais uma surpresa. Ao nos despedirmos de Ignus, Nicholas agradece a todos. Ignus parte. Quando Nicholas se prepara para ir embora ele me diga “Richard, eu estou te devendo” Eu ia dizer algo, mas quando olhei nos olhos de Nicholas não tive tempo de me defender a tempo de salvar meu nariz. Ele se virou e saiu, me lembrando de ir jantar na casa dele esta noite.
Adoro o humor austríaco.
Todos se vão, eu fico. Preciso terminar o exoesqueleto que estávamos criando para Phase. Trabalho nisto por duas horas, estou exausto quanto sinto uma mão no meu ombro. Antes de me virar sinto o perfume de cereja. “Você descansou bem?” pergunto em japonês enquanto me viro. Hisa acena que sim com a cabeça. Ela se assusta com meu nariz quebrado. “Não foi nada.” eu respondo. Com um simples toque, ela restaura a cartilagem do nariz e cura as feridas do meu corpo, me sinto bem, disposto novamente. Eu a pego nos braços. Palavras são desnecessárias, a base estava vazia exceto por nós, o doce aroma de cereja e suor.
3 horas e 35 minutos depois voamos para casa. Ela me abraça quando chegamos e me beija como se quisesse roubar meu sopro vital. Ela está apaixonada, perdidamente. Sinto-me lisonjeado.
Quando entro no quarto ela me segue e tranca a porta. Palavras são desnecessárias. Após um banho quente nos vestimos. Eu escolho um terno cinza escuro com uma camisa escarlate. Hisa coloca um vestido de seda chinesa vermelho, com um dragão estampado na frente.
Desta vez escolho minha Lotus preferida. Modelo atual, curvas arrojadas e o motor, meu é claro. No caminho para o prédio de Nicholas encomendo comida do Masa para Hisa. Ela é um tanto enjoada em relação à comida. Sinto falta da alegria de Tessa. Com esse pensamento ligo para uma pizzaria e encomendo uma das famosas Pizzas gigantes. Peço também para entregar sorvete. Nina, a irmã mais nova de Nicholas adora sorvete. Para meu próprio gosto estou levando uma garrafa de Scotch irlandês.
Chegamos, Nicholas está feliz. Isso é bom, assim tenho certeza de que não levarei mais um soco. Cumprimentamos-nos, sigo para a cozinha e pego dois copos para servir a ele uma dose. Alísia já está na casa conversando com Christine, aparentemente curada, sobre as futilidades comuns das mulheres. Ghünter não vem, preferiu ficar com Miharu, provavelmente patrulhando.
Sento-me com Nicholas e começamos a conversar sobre as futilidades comuns aos homens. Hisa não está feliz, está com ciúmes de mim, provavelmente acha que eu não estou dando atenção a ela, ou que não a assumo em frente dos meus amigos. Ela começa a me irritar. A festa foi organizada no topo do prédio, Nicholas mora na cobertura de um antigo bairro respeitável de NY.
Logo chegam Kelvin e Cecile, sua esposa. Junto a eles chegam Claude e seu filho Klaus. Reunimos-nos e aproveitamos uns aos outros. Kelvin, eu e Claude conversamos sobre tecnologia de segurança. Hisa parece beber mais do que devia e em pouco tempo está claramente embriagada. Em dado momento, Nicholas me chama a um canto da casa. “E então o que você acha?” Ele me diz mostrando um anel de noivado. “Nicholas, eu sempre soube que você me amava” respondo brincando. “Ela vai adorar meu amigo, desejo tudo de bom para você” Respondo sério desta vez. “Richard, eu queria saber se você não gostaria de ser meu padrinho de casamento.” Eu fico lisonjeado com o pedido e respondo que será a maior honra que alguém me ofereceu em toda a minha vida.
Sabendo do pedido faço uma rápida reunião com Claude que em segundos busca uma aliada nossa, senhorita Amanda, vulgo Whisper. Uma cantora de sucesso, lindíssima. Nós aproveitamos a festa. Eu não tiro os olhos de Amanda. Hisa está ocupada demais conversando com o sakê para perceber meu interesse na espanhola. Nicholas se prepara para fazer o pedido. Eu olho para Claude, ele acena em acordo. Quando Nicholas se levanta e faz o pedido, todos nós recebemos instrumentos musicais. Eu começo a tocar o violino acompanhado pelo teclado tocado por Cecile e do sax tocado por Claude. A linda voz de Amanda se sobressai. Dos céus surge um anjo de gelo iluminado por uma radiante luz, ele traz o anel para Christine que maravilhada chora de emoção.
Quando todos levantamos nossas taças para um brinde, Hisa me agarra, beija e desmaia embriagada. Eu a levo para o sofá de Nicholas e a deixo lá. Quando volto para a festa, começo a conversar com Amanda, ela é um tanto distante, avoada, mas linda. Quando Ignus ia se despedir algo estanho acontece. Um homem em uma armadura vermelha passa em um vôo rasante ao lado de nosso prédio. 2,4 segundos depois um homem num uniforme que lembra ao antigo personagem japonês Kamen Rider salta sobre nossa mesa. “Desculpem pessoal, mas o apressado Cricket está em uma perseguição” É o que ele grita logo após sumir em um salto gigantesco e cair sobre o armadureiro.
Ficamos alguns instantes sem fala. Ignus me olha questionador, eu apenas encolho os ombros e sorvo um gole de Scotch voltando minhas atenções para Amanda. Ela tem os maiores seios que eu já vi, e lindos. Pergunto-me se não cairiam sem o sutiã. Após algum tempo todos começam a ir embora. Eu peço para Amanda ficar, dizendo que eu a levarei embora. Ela aceita. Nicholas me pergunta sobre Hisa. “Não se preocupe” eu respondo “Jarvis, virá buscá-la.” Jarvis sempre as busca para mim.
Despeço-me de Nicholas e chamo Claymore, ela está nova em folha. Entramos eu e Amanda. Conversamos um pouco mais. Ela é distante, mas gosta do que ouve. Eu toco em sua mão, subo para os seus braços e depois para seus cabelos. Ela me olha, nos beijamos. Ela pede para que eu abra o teto da nave. As estrelas são lindas. Nós nos beijamos, nos acariciamos. As estrelas se tornam ofuscantes. No final, nos abraçamos. Realizo uma fantasia compartilhada por grande parte dos homens do mundo, descubro que existem forças maiores que a própria gravidade. Foi divertido, mas não foi metade do que poderia ter sido. Amanda é linda, mas péssima amante. Sinto falta de Tessa, nenhuma delas é tão habilidosa quanto Hisa. Hisa é majestosa neste aspecto, mas Tessa é divertida, Tessa tem paixão. Amanda é distante. É como comer um petit gateu quando tudo que se quer é uma banana split.
Mas sempre se pode provar o petit gateu mais de uma vez. Passo a noite na Espanha com Amanda. Despedimos-nos de manhã. Eu traço o curso para a Inglaterra. Tomo um banho, troco de roupa. 8 horas da manhã entro no apartamento de Tessa. Ela ainda dorme. Enfio-me debaixo de suas cobertas e a abraço. Ela se vira e me beija. Palavras nunca foram tão inúteis.

O doce sabor da cereja.

Já está tarde, há seis horas estou trabalhando neste bracelete transdimensional que meus companheiros me trouxeram. A tecnologia dele é absurda, inimaginavelmente maior do que tudo o que eu já fiz. E tudo isso contido num bracelete. É claro que isto tinha de ser obra de Van Rayner, um dos famigerados first steppers. Quando penso nele, no nível das suas produções intelectuais, a disputa entre Ignus e eu se torna infantil. Pra que disputar o segundo lugar? E segundo lugar mesmo? Ou eu não contei os outros first steppers, como Hideo, Tcheckov, aquela chinesa com problemas que nem as teses doentes freudianas explicam? E eu ainda não citei a organização de cientistas que querem dominar o mundo, a Daydream, ou o ancestral Denorus. Neste mundo há tantos seres de poder e conhecimentos maior que os meus que as vezes me sinto como uma criança ouvindo o professor discursar sobre coisas além do meu pequeno universo imaginário. Quando penso no mundo em que vivo, percebo o quão quixotesca é a minha vida como Crusader.
"Os parâmetros da leitura do disco rígido foram estabelecidos, a descompactação do arquivo será iniciada em 4.6 segundos. Tempo previsto para o término da sessão: 35 horas." Avisa Ávalon.
Com essa previsão é melhor arranjar algo para fazer. Essa pesquisa me deixou cansado, meus reflexos estão mais lentos, preciso de uma xícara de café. Impressionante! Eu cruzo o corredor e encontro Nicholas me trazendo uma bem quente e reconfortante, ele me diz algo como ser sua receita secreta, mas eu nem presto atenção, estou completamente tomado pelo aroma do café. Eu bebo um pequeno gole e metade dos meus problemas desaparecem. A química sempre me intrigou nestes aspectos, a mistura de substâncias diferentes, elevadas a uma temperatura x e pronto, temos uma substância completamente nova. A reestruturação e a fusão das moléculas acontecem em momentos banais do dia a dia e quase nínguem repara nisso. Alguns cientistas ignoram as pequenas alterações, como se elas não fossem importantes perto de seus grandes projetos, mas eu não, eu sempre gostei dos detalhes, das pequenas coisas. É claro que nunca me aprofundei em química, sempre gostei mais de mecânica, de construir, de movimento, energia. Mas todos os pequenos detalhes, as pequenas parcelas da construção possuem suas fórmulas químicas.
O café é deveras reconfortante, por um curto espaço de tempo me disperso apenas saboreando o doce e forte líquido. Mas logo volto a conversar com Nicholas, estou preocupado com ele, parece que fazem dias que ele não dorme ou descansa, trancado neste laboratório procurando uma cura para Christine. "Você está precisando descansar meu amigo, sair um pouco, tomar um ar. Seu estado está lastimável. Se ficar assim sua produção cairá assim como sua saúde." Nicholas não responde, não com palavras. Eu me calo. Deve ser muito difícil para o coitado ver Miracle naquele estado, presa em um traje para conter seus poderes radioativos, ele tem razão de não estar com pacência para a minha alegria. Agradeço o café meio sem jeito. Ele sabe que eu me importo com ele e com Christine, que o considero um dos meus melhores amigos, se não o melhor. Porém eu não sou ele, preciso de sono, alegria, conforto. Além do que, não há muito o que eu possa fazer além do que estou fazendo. Tudo isso sobre geneativos é ainda muito novo para mim.
Me despeço de Nicholas e saio da repartição dos laboratórios. Ando até a sala de recreação e encontro Hisa lendo um dos seus romances, daqueles bem dramáticos e tristes. Ela é uma mulher muito bonita e atraente. Quando eu entro ela me olha nos olhos, como se quisesse sugar minha alma para dentro daqueles globos amendoados. A maioria dos homens ficaria envergonhada quando uma mulher o olhasse assim. Eu sou muito diferente da maioria dos homens. Retribuo o olhar, ela abaixa a cabeça e volta a ler. Sorrio e me aproximo do sofá. Sou interrompido pelo barulho regular de saltos altos.
Escuto a voz de Alísia atrás de mim comentando algo sobre as Nações Unidas, algo a ver com seu país de origem, o Canadá. Ela muda o assunto e me pergunta onde se encontra Ghünter, nosso aliado alemão. "Na Justa como sempre" eu respondo sem me virar. Não que Alísia não chame atenção, é uma mulher linda, loira , um corpo escultural. Além disso é inteligente e sabe cativar qualquer pessoa com um sorriso. Por isso mesmo eu me mantenho a distância dela, Alísia é muito parecida comigo em algumas questões e eu odeio isso em uma mulher. Quanto a Ghünter, às vezes eu me pergunto se ele tem realmente uma vida, ou se ele é só um autômato inventado por algum cientista doente. Já me perguntei se ele era gay, mas cheguei a conclusão que não, ele parece ser alheio ao fulgor de viver mesmo, tendo como único motivo impulsionador para continuar vivendo a luta, acho que se um dia tirarem isso dele, ou mesmo se não existir mais a violência do mundo, ele travaria, como um computador que não consegue ler uma nova linha de programa.
Para a sorte de Ghünter e de Miharu, uma versão feminina do alemão, mas sem o discurso religioso ou heróico, exite a Justa. A minha versão da "Sala do Perigo". Uma sala de alta tecnologia virtual, especialmente elaborada para a simulação do combate, ajudando assim no treinamento e na performance geral da Extreme.
Alisia parte em procura do alemão, me deixando a sós com Hisa. Ela se vira para mim e me encara inquisitiva. "Sabe Hisa, já faz um tempo que estou nesta base trabalhando sem parar e estava pensando se você não gostaria de sair pra jantar comigo esta noite." Falo com a voz suave em japonês, olhando nos olhos dela, ela fica envergonhada. Eu noto. "Eu sei que você também deve estar entediada aqui, nós poderíamos sair, aproveitar a noite, nos divertir. O que você acha?" Ela sorri e me responde em ISL que sim. Hisa é muda, vítima de alguma maldade da máfia japonesa que ela não merecia sofrer. A vida é por deveras cruel, mas nós podemos torná-la bem melhor se quisermos. Nós saímos da base em direção a minha casa. A viagem é rápida, em pouco tempo eu estou no meu quarto, penúltimo andar do prédio e Hisa no dela, dois andares abaixo do meu.
É gratificante ter um prédio todo ao meu dispor, eu nunca tenho problemas para alocar amigos. Hisa e Miharu estão morando aqui já faz 5 meses. Ghünter preferiu continuar no seu pequeno apartamento no Harlem, eu respeito isso, ele prefere se sentir independente e se isolar ao mesmo tempo. Eu prefiro o conforto e a qualidade de vida que eu levo. Entro no meu quarto, coloco Schubertz para tocar e entro na ducha. 23 minutos depois estou de roupão. Eu precisava dessa ducha, muito. Caminho lentamente até o mini bar e pego a garrafa de Scotch. Derramo o líquido vagarosamente no copo com 2 pedras de gelo. Paro quando chego na metade do copo, então pego uma soda gelada e completo o drink. Sempre fui bom fazendo drinks. Com o copo na mão caminho até o closet e escolho minha indumentária: Blazer e calças negros e minha camisa azul escura Hugo Boss de seda chinesa, digo minha pois pois fui eu quem criei o estilo junto com Giovanni Bucci no inverno passado em Milão. Ótima idéia comprar boa parte das ações da empresa. Coloco o roléx daytona que ganhei de Merrick no nosso aniversário de 12 anos e estou vestido.
Ainda tenho 5 minutos, me sento e sorvo demoradamente meu club soda enquanto ouço as partes finais da melodia de Schubertz. Quando termino o drink estou completamente relaxado; saio e logo estou na porta de Hisa. Como esperava ela está pronta, e maravilhosamente linda. Maquiagem leve no rosto, um batom com cor, cheiro e provavelmente gosto de cereja; o cabelo extremamente liso está preso em um coque oriental; o corpo esguio veste o vestido negro que comprei, enquanto à mostra o belo e exótico dragão em suas costas aparece pelo decote longo. Mas o que primeiro chega a mim não é a visão exuberante, mas o olor de cereja que se espalha ao seu redor. Eu quase fico boquiaberto, quase.
"Você está perfeita!" eu assevero em voz contente. Ela sorri timidamente em resposta. Nós seguimos até o elevador em passos calmos, no percurso eu aproveito para elogiar os detalhes de sua beleza, as mulheres adoram isso. Durante a descida o perfume dela inebria minha mente, mas eu não comento sobre isso até chegarmos na garagem de carros clássicos onde escolho a chave do Cadillac 1959 azul.
O carro, é claro que não está como o original. Eu refiz todo o motor, começando pelo combustível utilizado para movê-lo. Ao invés do enorme tanque de gasolina há uma câmara ultra tecnológica que funciona a base de células de energia, sim, eu usei os carros como protótipos experimentais para a energia base da armadura de Crusader. A câmara do carro, contudo é enorme se comparado ao bastonete da armadura. Quanto ao motor, digamos que os 4,3 de potência do carro original foram superados pelos meu reajustes e a célula de energia faz o carro andar sem eu me preocupar com o gasto de combustível fóssil ou a destruição do planeta.
Abro a porta para Hisa entrar, ela adora. O motor não ronca como o original, achei muito exagerado, mas faz barulho suficiente para que não percebam a diferença do original. Hisa parece adorar o carro, foi por isso que escolhi exatamente esse dentre tantos.
Chegamos ao restaurante que escolhi, Masa, localizado em Midwest town ele fica um pouco longe do bairro onde moramos (Upper East Side), o que nos faz aproveitar ainda mais o passeio no Cadillac e aumenta o apetite, fora que o Masa é um restaurante 5 estrelas há mais de 10 anos. Embora não tenha feito reservas, uma breve conversa com o gerente nos garante a melhor mesa da casa.
Pedimos sashimi, Hisa se delicia com o Atum azul. Apesar de apreciar o gosto nipônico, ainda prefiro o salmão. Entre o sashimi e o sushi conversamos; Hisa é uma mulher intrigante e muito tradicional. Ela é muito diferente de Tessa, o que é muito interessante. Hisa tem um passado misterioso, mas depreendo algo como uma dívida dos seus pais para com a Yakuza. Por causa dessa dívida tornaram ela muda, acho que fizeram algo com as cordas vocais dela, mas também pode ser psicológica a mudez. Ela tem uma boca bonita, pequena e meiga. Ainda penso se o batom tem mesmo gosto de cereja.
Bebo um pouco do sakê, me tranquilizo com o líquido forte. O Masa é um lugar muito bom, vim com Tessa aqui umas duas vezes. Tessa, tão longe, em Londres, trabalhando, sozinha. Será que ela pensa em mim? Será que está mesmo sozinha? Nunca se sabe, por isso eu não me preocupo, pelo menos estou muito bem acompanhado. Ela pede para que eu fale um pouco de mim, eu pergunto o que ela quer saber. "Tudo", me diz com o movimento das mãos.
Eu falo. Sobre meu pai, que hoje penso ser meu pai adotivo, o Coronel Maddock. Sobre meu irmão e a morte que resultou no meu senso de heroísmo. Falo sobre o responsável por isso, Herman Von Gostrauken, o famigerado e detestável Nightmare. Falo sobre minha Fundação, os projetos que tenho em mente. Mas não falo nada sobre Tessa, ela não precisa saber.
Comemos muito bem, a conta de 1000 dólares me diz isso. Estou um pouco alto, mas em condições de dirigir.
Agradeço o chefe em japonês, a comida estava estupenda. Nos levantamos e quando saímos, todos na casa nos notam, mas eu estou acostumado com isso. Ao chegar perto do carro, um homem nos aborda. 32 anos, 1,86 de altura, 93 kilos, caucasiano, provavelmente do Brooklyn. Ele tem uma Smith & Welson nova nas mãos, arma bonita para um ladrão barato, é claro que é roubada de alguém que resistiu a um assalto. Ele me aponta a arma na cabeça e diz que vai me matar se eu não entregar o dinheiro. Ele acha que me assusta, não faz idéia do que eu já enfrentei. De quantas vezes estive perto da morte. " Passa toda a grana riquinho de merda! Antes que eu te encha de pipoco!!!" O mais nojento é que uma saliva dele voa para meu Blazer.
Infelizmente para o assaltante eu não tenho tempo nem de responder. Hisa pula por trás de mim e atinge o infeliz com o bico do seu salto na testa. Deve doer muito. O que eu mais aprecio nestes sapatos caros femininos, é que elas podem chutar, pular, fazer graça. E eles não quebram. Ela olha para mim, parada ao lado do corpo estirado no chão, linda. Caminho até o assaltante e tiro a arma de suas mãos, é uma arma bonita e bem balanceada. Deixo um cartão no bolso dele sobre a fundação Warden, as cadeias estão lotadas e talvez eu possa lhe dar trabalho.
Abro a porta para ela, coloco a arma no porta luvas e então seguimos para casa. Depois de estacionar o carro, paramos um pouco no salão de recepção do primeiro andar. Coloco uma música lenta e trago Hisa para perto de mim. Ela não esperava por isso, mas se entrega ao movimento. Sorrio intimamente. "Vamos dançar um pouco, a noite está tão linda que eu não quero que termine.¨, sussurro no ouvido dela e ela encosta a cabeça no meu ombro.
Dançamos, os corpos colados um no outro, o aroma do perfume dela tão próximo. Tudo corre naturalmente, eu abaixo meu rosto, ela levanta o dela e me encara. Linda, tão linda e tão pequena, frágil nos meus braços, ela me olha. Não digo nada, não é preciso, ela já é minha.
Nossos lábios se tocam e eu descubro que os dela tinham mesmo o gosto de cereja, delicioso. O beijo demora, minhas mãos acariciam suas costas e a apertam para mais junto de mim, as dela me abraçam. Nos olhamos e nos beijamos de novo, o beijo de Hisa é diferente do de Tessa, Tessa tem mais paixão, mais romance, mas Hisa sabe usar muito bem a boca. A pego no colo e a levo para o elevador, não paramos de nos beijar no caminho. Hisa me surpreende dominando a situação, ela sabe muito bem o que faz e faz muito bem o que sabe. Ao mesmo tempo frágil e selvagem, exótica, linda.
Quando acordo no dia seguinte com o telefonema de Nicholas, não me pergunto se o que fiz foi certo ou errado, ou frases do tipo "o que foi que eu fiz". Eu sei o que eu fiz, afinal eu planejei. E foi muito bom, foi muito bom provar o doce sabor da cereja.
Me levanto e tomo um banho. Quando estou pronto para sair ela ainda está dormindo. Dou-lhe um beijo e saio. No caminho para a base ligo para Tessa. "Bom dia querida, como você está?", "Bem meu amor, estou com saudades" ela responde. "Eu também paixão, arrumando um tempinho livre eu vou para ae está bem?", "Que bom Rick, sinto sua falta, Londres não é nada sem você!" ela me diz com voz tristonha. "Eu também Tess, eu nunca esqueço de você."

Dia das Crianças

Londres, nos arredores rurais da cidade, os cidadãos pacíficamente seguiam suas vidas enquanto os termômetros acusavam 30 graus. Era uma tarde ensolarada de Junho e os céus eram de um azul esplandecente ornamentados por um enorme e brilhante ponto amarelo e por calmas e multiformes nuvens brancas. Súbito, como um relâmpago silencioso de luz branca, um risco formou-se nos céus, rompendo a tranqüila e bucólica harmonia da cena.

Algumas centenas de metros acima, voando a duzentos quilômetros por hora, gentilmente envolvido pelos braços e seios de Alisia Bryant, e protegido por um campo invisível de luz densa, estava o pequeno menino Klaus Kohler van der Nistelroy. Enquanto o cenário passava deslumbrante por seus olhos arregalados, o garoto só conseguia esboçar como reação um sorriso largo e honesto em seu rosto. Era a melhor sensação do mundo, era incrível. O vento não agredia seu rosto, nem bagunçava seus cabelos, o campo de força impedia aquilo. Só o que tinha era a magnitude máxima da sensação da gravidade em sua barriga e a vista inacreditável que o passeio proporcionava. Em poucos segundos já estavam sobrevoando a cidade, e minutos depois passavam pela costa da Irlanda. Alisia não dizia nada, apenas deixava que o menino aproveitasse a viagem e, vez ou outra, comentava sobre o nome dos lugares que estavam sobrevoando. Klaus mal podia ouvir, embasbacado pela experiência.

A cerca de 300 metros abaixo e centenas de quilômetros a Sudeste, no terraço da Nistelroy Security Technologies, Claude estava sentado no mesmo ponto em que dissera até logo a Klaus e vira Sunshine desaparecer com ele nos céus. Pelo comunicador, podia ver e ouvir tudo pelo ângulo de Sunshine. Ela era fabulosa. Havia telefonado para o prédio das Nações Unidas no dia anterior perguntando se ela poderia lhe fazer um favor. Nove da manhã, ela chegou no terraço exatamente às nove da manhã, e nem era britânica. Dos últimos Dias das Crianças, Klaus estava mais empolgado com aquele. Por algum motivo, a idéia de voar o fascinava. Claude tinha medo daquilo, torcia sinceramente para que ele se tornasse piloto de caças, algo muito mais seguro do que a outra possibilidade. Sete anos e ainda não conseguia se sentir completamente pronto como pai. Tinha uma tarefa no mundo, um ideal pelo qual lutar, mas não conseguia – e sabia que não devia – deixar de lado suas responsabilidades paternas.

Em meio a divagações, o inglês notou pelo visor que eles já estavam se aproximando do prédio. Olhou para o relógio, tinha pedido uma hora e ela já estava no ar com Klaus a quase duas. Viu com o olho esquerdo o terraço do prédio se aproximando da visão de Sunshine, enquanto o olho direito via um facho de luz vindo em sua direção. A meio metro do chão, ela desacelerou e ambos pousaram suavemente, Alisia colocando o pequeno Klaus no chão. Em meio a inúmeros pedidos de bis do menino, Claude agradeceu a Alisia pela gentileza. Após dar um beijo no rosto de ambos e dizer que não foi nada, ela partiu novamente nos céus, dizendo que precisava voltar para a ONU.

"Ela é legal" deixou escapar, enquanto se aproximava instintivamente das pernas do pai. Claude assentiu com a cabeça. Era estranho, ou nem tanto, mas ele confiava em Alisia, Nicholas e Gunther o bastante para entregar-lhes nas mãos a vida de seu próprio filho, a coisa mais importante que tinha.

Caminharam pela cidade, Klaus queria comer porcariadas e comprar quadrinhos. Na banca de jornais do shopping, enquanto escolhia as revistas, Klaus observava silencioso seu pai sentado na mesa da cafeteria ao lado. Sabia que ele não era como as outras pessoas, pelo menos não como a maioria. Ele podia fazer coisas diferentes, podia ir rápido de um lugar a outro sem que ninguém visse. Ele nunca se machucava, nunca ficava doente como os pais de seus amigos. Olhou para a revista em suas mãos. Na capa, um herói impedia um trem. Sabia quem era aquele herói, seu pai já havia lhe dito. Conhecia mais da metade dos super-heróis de verdade do mundo. Adorava, muito mais do que ler quadrinhos, de ouvir seu pai contar-lhe as histórias dele e de seus amigos. Nunca contara isso, mas seu personagem favorito era Impacto, e não seu pai. Gostava dele, mas não achava que ser rápido era tão legal quanto ser forte.

Pegou as revistas e deu o dinheiro ao jornaleiro. Contou o troco e guardou, organizadamente, em sua carteira. Notou que o jornaleiro o olhou admirado. Era um menino que aparentava nove anos, mas era muito mais inteligente que seus amigos, sabia disso. Na escola, se esforçava para não chamar tanto a atenção, afinal era extremamente tímido e falava muito pouco com qualquer um que não fosse seu pai. Mesmo assim tinha as melhores notas da classe e era um aluno prodígio nas aulas de ginástica. Achava que, assim como seu pai era diferente dos outros, ele também devia ser. Lembrava que uma vez havia perguntado a seu pai se ele também ia ter super-poderes. Ele desconversou, dizendo que estudar e ter conhecimento era o maior poder que existia. Não acreditava mesmo naquilo, preferiria mil vezes ter super-força. Sabia que Claude o queria um estudioso, mas tinha outros planos para si. Mesmo que não ganhasse super-poderes, sabia que era rápido e esperto, e queria ser um grande ladrão como seu pai era antes de ser herói. Deteve seu pensamento ao lembrar-se da interminável e severa bronca seguida de castigo que seu pai lhe aplicara da última vez que falou disso. Decidira então não falar mais, mas sem desistir, absolutamente, da idéia. Victoria tinha reagido melhor, até o ensinou como abrir cadeados e trancas simples, mas advertindo para que nunca fizesse aquilo em casa. Aprendera também com ela que o grande ladrão é aquele que não deixa pistas. Ainda tentava entender direito aquilo.

Sentou-se à mesa junto de seu pai. Colocou as revistas ao lado da xícara de café e pediu um refrigerante. Claude pediu a bebida ao garçom e pediu para que Klaus fechasse os olhos e abrisse as mãos. O garoto atendeu ao pedido e Claude colocou em suas mãos um pequeno microchip de silício e ouro.

"O que é isso?" perguntou o menino, olhando um tanto desinteressado para a peça. Claude respondeu que era um microchip como todos os outros milhares que tinha na oficina da Nistelroy, mas que esse tinha um detalhe diferente. Veio do futuro de outra dimensão. Havia tirado das peças que trouxera da base futurista da Extreme. Era um chip ordinário, um dos poucos do aparelho que podia ser substituído por tecnologia da Terra atual. Mas, no momento em que Klaus ouvira sobre a origem do objeto, o mesmo ganhou um aspecto completamente novo e misterioso. Era de outra dimensão.

Todo ano era assim. Klaus sabia todo ano que aquilo aconteceria. Seu pai nunca o levava a parques ou circos no Dia das Crianças. Esse lugares Klaus freqüentava sempre que queria, seu pai sempre o ensinara a cuidar e administrar o próprio dinheiro. O Dia das Crianças era algo que todo ano era especial. Depois, iam fazer compras e seu pai sempre lhe dava algo diferente de tudo, que o dinheiro nunca podia comprar. Dizia que era justamente para que ele entendesse que nem todas as coisas do mundo estavam à venda. Os amigos, por exemplo, ele dizia. No ano passado Klaus conheceu o fundo do mar junto de seu tio Nicholas. Tio Nicholas, tio Gunther, tia Alisia. Não tinha tios de verdade, sabia daquilo, mas sabia que aquelas pessoas eram os que seu pai considerava como família. Sabia que nenhuma outra criança do mundo tinha Dias das Crianças como aqueles, e imaginava que fosse o jeito de seu pai para compensar o tempo fora de casa, o fato de nunca poder chamar amigos para brincar em casa, ou o fato de que casa para ele era uma base subterrânea servida por sistemas computadorizados. Sabia que era assim sua vida, e que era assim que tinha que ser. Não podia contar a ninguém sobre seus Dias das Crianças, sobre como seu pai salvou o mundo naquela semana, sobre a Melon Soda que só vende no Japão e que seu pai trazia todo dia. Quando as aulas voltavam, sabia que, enquanto as outras crianças inventavam coisas extraordinárias que não haviam acontecido para suas redações de "Minhas Férias", ele teria que inventar quatro semanas de histórias chatas e sem graça, porque absolutamente não podia contar o que havia acontecido de verdade. Primeiro porque não acreditariam, segundo porque não precisava da redação para saber que o seu havia sido o melhor dos Dias das Crianças.

Café e uma Noite de Sono

Doia ainda, todos dias anteriores os quais vinha lutando, ficando acordado lendo aquelas notas que durante 5 dias da semana pareciam ter sentido algum e em algumas horas depois tudo se encaixava, pensava consigo mesmo se aquilo era algum tipo de desafio pessoal ou fruto de pura genialidade misturado com loucura de seu outro "eu" existente naquela dimensão daonde não guarda lembranças muito saudáveis. Olhava para o relógio, tinha pego um pouco no sono e a medida que seus sentidos voltavam logo olhava ao seu redor e via novamente aquele mesmo cenário: um computador a sua frente, uma escrivaninha lotada de anotações, outras parafernalhas super tecnologicas da HQ de Richard que algumas dela ainda nem fazia idéia pra que serviam, uma divisória de vidro espesso que dividia aquela sala de pesquisa ao isolamento radioativo e a furna aonde estava ainda repousando Christine, que ao que parecia estava acordada e olhando com um olhar de repulsa a tudo aquilo que eu estava fazendo.

"Da um tempo, to aqui me matando, sem esses olhares de 'fala sério' pra mim, já tive pacientes menos pacientes"

Sabia ele obviamente que as próximas palavras que sairiam da boca dela seria pra lhe gozar ou desmotivar, ainda sabendo que hora ou outra palavras de afeto e incentivo surgiam do nada, dando-lhe esperanças que ainda houvesse algum tempo restante.

"Ahhhh... quanto tempo será que eu dormi?"

- Teve uma boa noite de sono? - disparada ela do outro lado do vidro.

Lá vinha ela com as ironias, novamente, acho que eu não tinha pego nem 10 minutos de sono, acho que virou algo patologico ultimamente. Ou será que não?

- Hum... - recompunha-se - Tá!! Aonde paramos...? - sorria marotamente daquela novissima piada
- Eu há meses aqui parada e você ae que nem um tolo... - atirava novamente

Aquele joguinho de palavras até divertia de vez em quando, principalmente ao acordar de suas frequentes "pegadas de sono", logo olhava para o relógio de parede e via marcar 9 da manhã.

Logo lembrava-se do dia anterior ao que teve alguma idéia que pudesse auxiliar em sua pesquisa e volta a suas anotações sem perder a piada anterior que lhe pareceu muito boa.

- Ok, bom dia pra você também...

Ao passo que ouvia a do laboratório abrir já ouvia-se o chamado primordial

- Bom dia Nicholas! -entrava Richard em bom e alto tom.

"Vocês combinaram né?" - olhava para Christine que retornava com um sorriso irônico novamente.

- Café? - oferecia educadamente.

Logo virava-se para Richard e olhava para aquele copo de café expresso em sua mão.

"Obrigado amigo, mas não, preciso de algo mais forte" - pensava o médico acostumado a plantões.

- Obrigado... e bom dia para você também Richard - Logo que pegava o copo de sua mão e colocava ali do lado.

Nisso ele lembra-se exatamente de alguns anos atrás, parecia-se muito com aquele dia, a não ser pelo fato que não eram as mesmas circunstâncias, afinal era jovem e ainda não tinha tantos problemas para se preocupar... pelo menos não nas mesmas proporções.

Aproximadamente 6 Anos atrás, Oxford - Inglaterra

- Café? - oferecia ao homem de jaqueta branca.

-Não obrigado Nicolhas, preciso de algo mais forte que isso para poder chamar de café ha ha ha... - respondia sorridente aquele senhor de cabelos brancos, bigode e oculos, cujo humor só era sobrepujado por sua genialidade na medicina.

- Algum dia o senhor terá que me ensinar a receita do seu famoso café professor Neville.

- É, quem sabe um dia Nicholas, agora venha comigo, tem um caso interessante que gostaria de que analisa-se.

Aquele era Paul Jekins Neville, renomado doutor, pesquisador e mentor, era uma pessoa gentil e brincalhona, a não ser frente aos pacientes, aos quais tentava demonstrar um pouco mais de frieza e menos sarcasmo.

Era comum naqueles tempos de faculdade o doutor Neville sempre lhe levar para conhecer casos aos mais adversos os quais ele tratava ou mesmo pesquisava, parecia que dentro do corpo docente era o que mais simpátizava com o jovem Nicholas já que de acordo com ele se assemelhavam muito em sua juventude, os outros professores também o auxiliavam muito, no entanto era em especial o pegou praticamente para aprendiz, e para sua sorte este era o mais genial de todos dentro do grupo de pesquisadores de toda Inglaterra e um dos mais renomados da Europa, nessas horas Nicholas sentia-se privilegiado.

Dessa vez o doutor Neville estava deixando seu aprendiz encarregado de auxiliar em um de seus casos, coisa que já era comum, no entanto esse em especial marcaria a vida do jovem médico para o resto de sua vida: garota caucasiana, 11 anos; falha nos rins e fígado, provavél quadro clínico de lupus, antes já diagnosticada com cancêr o qual fora retirado há 3 anos e tratado pelo próprio doutor Neville, provável solução para o caso: transplante e constante tratamento com esteróides para tentar retardar o efeito do da lupus.

Seu professor tinha plena confiança em seu promissor aluno, mas sabia também que este não era perfeito, tendo consciência que algum dia este haveria de falhar e perder algum paciente. Afinal este era o destino de jovens doutores, aprenderem com acertos assim como com seus erros, e Nicholas estava ciente disso, que por mais que temesse.

6 anos atrás - 21:38 - hospital Radcliffe

Nicholas se aproxima do leito da jovem ao mesmo tempo que examina o seu quadro clínico, seu nome era Amanda, a pequena era alegre, nem parecia que tivesse passado há alguns dias atrás por um transplante e agora estava se recuperando.

- É.. ao que me parece você está melhorando a cada dia mais Amanda, creio que em 2 dias poderá ter alta, meus parabéns - o jovem doutor anunciava a jovem paciente e seus parentes.

Após muitos agradecimentos dos pais e da própria pequena este aliviado se retirava do quarto e dava de cara com seu mentor, contente por passar invicto por mais um paciente complicado.

- Não acha muito cedo meu bom rapaz? eu daria pelo menos 1 semana a mais de observação, lembre-se que nem sempre as coisas sao o que parecem ser. - advertia sorridente o cauteloso e experiente doutor.

Não achava necessário, afinal havia ela passado por tanto, e se recuperado tão bem, mas sabia que a advertência de seu mentor tinha algum tom de teste, sabia que este estava zelando por ele além de seus pacientes. Achou então interessante então ficar mais algumas horas no hospital, cumprir algumas horas a mais de clínica e de vez em quando verificar o quadro de Amanda.

Passados 2 da manhã o jovem doutor já estava totalmente fatigado pela rotina que vinha passando pelos ultimos 2 dias, sabia que tinha que se acostumar com isso pra futuramente passar por situaçoes muito piores no entanto sabia também que precisava descansar de vez em quando, algo que uma das enfermeiras o recomendou fazer há exatamente 1 hora atrás e que já recusava. Partiu então para a lanchonete do Hospital e pediu o tão aclamado café e também comida, para que se mantivesse acordado por mais algumas horas.

- Doutor... - alguém o chamava.

Parecia uma voz aflita.

- Doutor Von Buhler! código 2 doutor!!! - novamente clamava seu nome.

Como que de subito ele retornava a realidade, havia pego no sono, mal pode olhar para o pulso e ver 5 horas da manhã e já se levantava e partia acompanhado da infermeira que o levava para emergência, acidente de trânsito, precisavam de auxilio.

Nisso outra enfermeira esbarra com ele no corredor e quando olha do outro lado, por onde havia acabado de passar vê alguma movimentação no leito da pequena, parecia que também haviam chamado um código de emergência de imediato se dirije ao quarto para ajudar ignorando totalmente o chamado anterior, a essa hora a infermeira gritava como ninguém ao seu ouvido.

- É minha paciente!!! chame outro! - esbravejava enquanto tentava se desvencilhar da infermeira que ainda o chamava.

A jovem Amanda estava sofrendo novamente de falha multipla dos orgãos e em estado de taquicardia seguido segundos depois de uma cincope, Nicholas de imediato pede auxilio de mais infermeiras e ali se inicia o processo de ressusitação, 1, 2, 3 vezes, sem sucesso, novamente, 1, 2, 3 vezes, sucesso, em mistura de ansiedade e desespero Nicholas não consegue raciocionar direito e tenta desesperado trazer devolta a paciente ainda sem compreender o ocorrido, no entanto sem êxito. Estava feito, o destino dele assim como de outros havia se concretizado, havia perdido seu primeiro paciente.


- Café? - oferecia-lhe alguém.

Olhava perplexo para o teto quando é interrompido por alguem, era seu professor, Neville, oferecendo-lhe um copo de café e segurando outro em sua outra mão, a medida que ia se sentado ao lado do jovem Nicholas.

- E-uu, a perdi... - balbuciava custando a acreditar.

- Vamos, tome um pouco de café Nicholas, você sabia que algum dia isso haveria de ocorrer, você não podia fazer nada, foi de repente, ninguém esperava por isso.

- Mas senhor, eu estava dormindo, acordei de repente com outro chamado, como poderia saber...

- Não poderia... isso acontece, as vezes, não deve se culpar, agora tome um pouco desse café e vá descansar, vai lhe fazer bem, eu lhe garanto. - esticava ao jovem novamente o copo de café.

- Como poderia descansar num momento desses senhor... não depois de tudo...

- Confie em mim. - se retirava o professor enquanto tomava ainda seu café.

Doia ainda, sentia a dor de dentro por ter perdido sua paciente, seu corpo fatigado pelo cansaço, tudo doia. Quando lhe passava pelos labios aquele aroma forte do café e pela sua boca deslizava ele pode sentir algo diferente, como que um alivio, um cheiro diferente. Aquele não era o café comum da lanchonete, tinha um gosto mais doce ainda que tivesse gosto de café, era como se tomasse um vinho e sentisse aquela sensação após alguns segundos da degustação, aquilo o tranquilizava ao mesmo tempo que o trazia devolta a realidade, parecia que a dor havia se extinguido repentinamente, parecia que o cansaço não estava mais ali. Mas então por quê?!! por que pedir para descansar?

Olhava novamente para o copo de café e sabia, que o descanço não era algo apenas fisiologico, era algo também mental, quase que espiritual, mistico. Não poderia prosseguir dali em diante sem que houvesse uma profunda reflexão sobre todo o ocorrido, cairia a partir dali em desgosto ou não? era terrivel a sensação de não poder fazer nada, ainda que não transpareça ele sabia que aquele dia ainda se repetiria muitas e muitas vezes, e só lhe restaria 2 coisas a fazer...

... uma boa noite de sono, e seu copo de café.


HQ da extreme, tempo atual

Olhava para as anotações a medida que ainda sentia-se atordoado com o repentino acesso de sono.

- Não vai tomar seu café Nicholas? - perguntava Richard a medida que via o estado deplorável do amigo.

Logo ele sorria, se levantava e sem dizer nada saia do laboratório e seguia até a cozinha, ali como se fosse um mantra preparava o café, aquela receita que o fez compreender muitas coisas em sua carreira médica, coisas como perseverança, esperança, força de vontade.

E foi então adicionando 1 a 1 os ingredientes:

-8 colheres de café
-1/3 açucar
-1/3 xarope de chocolate
-1/4 xarope de malte ou 1/2 colher de erva doce
-5~20 cravos (tem efeito analgésico e regulador intestinal)
-4 palitos de canela
-limao e laranja espremido a gosto
-creme a gosto

Era uma receita antiga, adaptada do seu professor. Não deixava um gosto de café na boca e sim um gostinho doce gostoso, deixava a pessoa bem disposta, agia bem no estomago sem causar gastrite e previnia efeitos do alcool como cirrose,além seu principal efeito quase que mágico: era ótimo contra a dor...

Devolta ao laboratório com dois copos em mãos oferecia a Richard um dos copos, ao mesmo tempo que perplexo e sem compreender muita coisa ele o olhava, já Christine não, ela parecia compreender o significado daquilo, sorrindo quase que ironicamente, mas também ainda que por um segundo sorrindo normalmente.

- Café? - oferecia Nicholas Von Buhler a seu amigo Richard.

Olhos Nublados — Parte I

A garota deu alguns passos tímidos para atravessar a rua. Não havia trânsito algum, mas a visibilidade era tão ruim que qualquer outra pessoa teria se arriscado a molhar a ponta do nariz para olhar para os lados. A chuva não parecia incomodá-la. Sua única proteção era um casaco surrado, semi-impermeável, que, muito tempo atrás, deveria ter sido azul.
Seus olhos negros acompanhavam o vazio, e estavam quase tão nublados quanto o céu. Um cachorro passou correndo, e quase a derrubou, mas não a fez diminuir sua marcha. Ela apertou o casaco ainda mais, segurando-o com as mãos pálidas. Seus cabelos estavam molhados, negros e sem brilho. Eram uma imagem da noite, e as gotas de chuva faziam-lhe estrelas de vida curta.

Parou em frente a uma loja de conveniência. Enfiou os dedos num telefone público imundo, e tirou de lá uma meia dúzia de moedas. Ela não contou o dinheiro, nem ficou surpresa com tamanha fortuna perdida. Entrou na loja, mas ficou parada alguns instantes na porta, por que tinham uma máquina que fazia ventar um ar quente reconfortante. Esperou que lhe chamassem duas vezes antes de passar pelas prateleiras. Apanhou dois pacotes de alguma coisa, e soltou as moedas de forma tímida no caixa.
O responsável, um senhor de mais de cinqüenta anos, gordo, assistindo um programa de caminhões-monstro no canal de esportes, tirou os pés do caixa e contou as moedas duas vezes, com um olhar desconfiado. Jogou-as na caixa registradora, e balbuciou algumas palavras sem sentido algum.
A garota ficou parada alguns instantes, e abriu um dos pacotes ali mesmo. Aqueles alimentos baratos, com sabor de plástico seco, que nos mantém andando por mais algumas horas. Quando o senhor da loja começou a ficar incomodado com a presença da jovem, pegou um bastão de baseball e começou a praguejar, sem sair de sua posição de conforto.
Ela jogou o segundo saco para trás, e ele descreveu um arco perfeito, caindo poucos passos da entrada da loja. Um homem entrou correndo, com um capacete de moto tapando o rosto. Esticou um revolver pequeno, e gritou.

— É um assalto, tiozinho! Vai passando toda a grana, e quem sabe eu não furo sua testa! E ocê minazinha, vai tomar um belo tiro se...

Escorregou no saco que ela havia jogado no chão, caindo em cima de uma prateleira de enlatados. Disparou por acidente, e a bala passou raspando nos cabelos da moça, fazendo-os balançar, e terminou por atingir uma caixa de metal presa na parede, desligando a eletricidade do local. O velho levantou correndo armado do bastão, e tentou golpear o motoqueiro, apesar da escuridão.
No segundo golpe, alguma coisa se arrastou pelo chão, atingindo os sapatos da menina. Ela se abaixou e pegou o pequeno objeto, que fazia barulho como um sino abafado - chaves. Debruçou-se no balcão, e apanhou alguma coisa pequena. Andou calmamente enquanto ouvia as pancadas da madeira no capacete. Deveria estar trincado há essa hora.

Saiu da loja e entrou num beco escuro. Havia uma moto molhada convenientemente estacionada. Uma sacola de couro estava presa no banco, mas ela não precisou espiar para saber seu conteúdo. Sentou-se e deu ignição. Nunca havia dirigido uma moto americana antes, elas eram maiores, mais imponentes. Estava acostumada com as pequenas Scooter que podia comprar com seu antigo salário. Dirigiu por talvez 20 minutos. Deixou a sacola em frente a um orfanato, com um bilhete molhado e borrado que havia escrito semanas antes.

Empurrou a moto de uma ponte. Já não chovia muito, mas o vento frio havia feito que suas roupas praticamente congelassem sobre sua pele delicada. Ela entrou num Shopping, no meio da madrugada, e ficou parada de frente para algumas vitrines. Não havia ninguém mais no lugar fazia horas. Seus passos eram lentos, mas as câmeras pareciam se virar para o lado oposto, conforme chegava muito perto. Entrou num banheiro. Por sorte, o zelador havia se esquecido de trancar a porta.
Se aqueceu por quase trinta minutos, utilizando as maquinas de ar quente de secar as mãos. Tentou secar as roupas e o cabelo, mas eles pareciam resistir bravamente. Num momento exato, saiu do banheiro e foi até um telefone público do lado da porta. Discou alguns números. Esperou. Uma voz rouca atendeu, daquelas que resistem bravamente ao sono, por peso de alguma responsabilidade.

— Nicholas... Existe... Vá agora para a Ferguson Gate. Existe algo... Importante... Debaixo dela.

Desligou, e saiu andando. As câmeras pareciam evitá-la, como que por medo. Andou até o estacionamento do Shopping, e passou pelo segurança dormente. Roubou-lhe um gole de café quente.

Estava numa avenida enorme, com prédios por todos os lados. Suas mãos tremiam de frio. Tirou de dentro do casaco o pequeno objeto que afanara no balcão da loja de conveniência. Um celular velho e com pouca bateria. Apertou uns números com o indicador tremulo, enquanto atravessava uma das margens do rio de asfalto. Um homem com voz simpática atendeu, dizendo que não reconhecia o número. Falou algo sobre ainda não ter o dinheiro.

— Por favor... Pare o caro... Eu preciso de...

Um carro esporte virou bruscamente uma das esquinas da avenida. Seu motorista tinha um celular em mãos. Ele freiou com força, tocando de leve as pernas da moça com os pára-choques. Ela caiu. Na verdade, parecia ter sucumbido ao próprio peso do corpo. O homem saiu correndo do carro. Era levemente loiro, com cabelos longos e lisos. Usava um blazer cinza por cima de uma camisa branca, e tinha uma barba milimetricamente deixada por fazer, tal qual um galã de cinema.

— Moça, moça!?! Fala comigo! Moça!

Assustado, o rapaz segurou-a entre os braços. Colocou-a no banco de passageiros de seu carro. Pensou consigo mesmo por que fazia aquilo. Estava sozinho, ninguém saberia que ele atropelou (mesmo que não tivesse atropelado) a menina. Sentiu um pouco de arrependimento quando pensou naquele casado frio e molhado sujando seu banco de couro. Duas semanas! Duas semanas na América, e já havia lhe acontecido tudo.

Acelerou, olhando de vez em quando pare a menina. Era terrivelmente pálida, e seus cabelos eram de um negro mórbido, de uma beleza dos filmes de Noir. Não podia ver seus olhos, mas tentou adivinhar se eram castanhos ou azuis. Percebeu que ela tinha um pedaço de papel em mãos. Tão logo olhou, o papel caiu. Girou por causa do ar quente do carro, e caiu em seu colo. Ele desviou o olhar, e viu escrito, com tinta borrada. "Zed, eu sou alérgica à aspirina. Por favor, não pare no hospital."

Zed olhou, assustado. Respirou fundo, e notou que havia um gigantesco hospital no cruzamento da avenida. Amassou o papel e praguejou com um sotaque pesado. Virou o carro, e foi direto para o hotel.