Em 2015, um grupo de super-humanos escapa de uma base do governo para salvar o mundo, e acaba descobrindo uma série de segredos sombrios. Essas são suas histórias.

Águia do Deserto

Nova Iorque - EUA
dias atuais - 2241 horas - Clint's Tequila Bar

Chovia aquela noite, notícias espalhando o medo de atentados terroristas tocavam na televisão quando deslizava pelo balcão mais uma dose de tequila, em meio ao medo as pessoas por todos os lados do estabelecimento criticavam o fato da existência de individuos com super habilidades assolta e sem controle. Aquela era notícia antiga, só os que fechavam os olhos para aquilo não viam que era um problema histórico totalmente nãqo relacionado com ideais, religiões ou richas culturais, era pura e simplesmente o intinsto humano se exteriorizando, e aquelas pessoas não eram diferentes umas das outras, sejam com poderes, deficiencias, pobreza e riqueza ou credo divergentes, todas eram apenas pessoas e estavam sujeitas ao conflito.

"Mais uma dose por favor Charlie" batia o copo vazio na mesa enquanto que este que o atendia secava o balcão do bar e lhe servia novamente uma boa dose de tequila.

Olhava para o copo enquanto via que em meio as discurssoes acaloradas e vozes de descrença haviam aqueles que ainda defendiam o bom senso, e que nada daquilo que se noticiava na televisão viriam a mudar o mundo de forma significativa, afinal de contas, desastres como aqueles se tornavam tao comuns nos dias atuais que tudo aquilo pelo qual vivenciou no passado parecia algo incomum... o que de fato não era.

Riyadh - Arabia Saudita
meados de 1980 - 2150 horas - proximidades da base aérea das forças armadas americanas

Ao termino do ultimo gole de vodka o soldado se levantava e partia em direção a porta, antes pagava a moça seminua que atendia as portas do bar, via-se muitos soldados com prostitutas se divertindo e um cheio forte de tabaco pairava no ar. Entrava dentro de um pequeno jipe e dirigia até a base aérea americana em Riyadh, sabia claramente que a cada esquina que cruzava não era bem visto, ainda assim tentava permanecer incognito.

A cena durante a viagem de carro até a base se tornava um grande flash, e logo em seguida se podia ver um grande avião contendo 4 soldados com pinturas escuras nos rostos, prontos para partir, era denoite, a unica coisa que se podia ver era uma grande quantidade de areia que entrava a medida que a comporta se fechava.

Logo olhava para os outros 4 que o fitavam com responsabilidade, como se esperassem que dissesse algo, podia vê-los concordando e falando mas não conseguia extrair direito os trechos das falas, apenas então uma prancheta podia se enxergar em suas mãos, escrito confidencial, com os dizeres 'Delta' e 'operação Garras da Águia', em seguida entrava outra pessoa, aparentemente se dirigindo a sua pessoa "Senhor, estamos prontos para partir, a primeira equipe já decolou, o Coronel Becket nos deu sinal verde", podia-se ouvir o afirmativo e logo aqueles 4 homens ao seu lado começavam a checar suas armas, vestiam-se com roupas escuras e camufladas, e portavam armas pesadas.

Em seguida pulava-se a cena para o avião em forte turbulência, um grande clarão, todos em polvorosa olhando pela janela e vendo uma bola flamejante a centenas de metros de distância abaixo , e rastro de luz para tudo que é lado, algo estava errado, mesmo sem entender as palavras que eles diziam era claro a preocupação daqueles homens, até que da boca daquele que se recorda se ouvia "Temos que prosseguir com a nossa missão...". Em seguida se viam trechos rápidos dos soldados junto a ele saltanto de uma grande altura pelo compartimento traseiro do avião, todos trajando paraquedas e com forte equipamento, a respiração ao que se parecia com uma mascara de oxigênio enquanto que via pelas lentes era uma queda em grande velocidade.

A próxima cena já era dos soldados entrando surdidamente ao que parecia numa mansão ou prédio com adornos ricos em detalhes e metais, sala após sala os homens os quais o acompanhavam iam sorrateiramente neutralizando um a um as sentinelas que faziam a guarda, até que chegassem num hall gingantesco, e após a contagem regressiva todos invadiam os posentos... a partir daí os flashes ficam mais fortes e velozes, só se podia escutar gritos e o cheiro de ferro muito forte, os olhos deste que recorda estão fitando o teto enquanto que outro soldado grita ferrozmente e o arrasta para fora da sala, barulhos fortes e difusos se escutam em meio a rajadas de armas de fogo e sons estridentes como se algo muito duro ou resistente fosse quebrado ou partido, de derepente em meio toda aquela confusão ouvia a pessoa que o arrastava gritar de dor e ver seu braço e tronco sendo seriamente feridos, de imediato vira para o escuro e este que se recorda simplesmente atirava, como se quase tivesse certeza de estar acertando algo pois todos seus sentidos estavam totalmente aguçados, para logo em seguida conseguir, totalmente tomado pela adrenalina, esquecer da dor e mover-se... o suficiente para puxar o homem ferido do chão e ambos se jogarem por uma janela.


O estrondo do impacto dava lugar a uma voz distante que o chamava "Senhor Nathan...?"

Olhava para cima e via uma figura de pele envelhecida, o fitava com duvida "... irá querer outra dose?"

New York -USA
dias atuais - 2248 horas - Clint's Tequila Bar

"O senhor parece distraído, gostaria de aceitar outra dose ou iremos encerrar por hoje?" indagava o senhor de idade que o atendia "se me permite dizer senhor, creio que já esteja na hora de parar, pelo que vi o senhor parecia estar totalmente desligado da realidade".

Sem poder dizer o contrário e já com uma baita dor de cabeça, Nathan Flynn Webber, Coronel das Forças Especiais, se levantava e sorrindo dizia "Me desculpe Charlie, dias dificeis no trabalho... tome, fique com o troco e mande um abraço para Linda e Arthur" já vestindo seu casaco de couro abria a porta do estabelecimento.

Chovia forte e fazia frio, olhava com desgosto para aquele clima, e ainda debaixo do toldo que lhe dava abrigo ele lentamente puxava um charuto e o acendia, dava uma tragada, e tossia...

"Tsc, essa droga ainda vai me matar...".

Disguise

Quando conheci Grenko Mardov, tive de imediato a certeza de que não se tratava de um ser humano. Isso foi a 4 anos e, na ocasião, lembro-me de tê-lo julgado um animal selvagem e irracional. Hoje sei que estava parcialmente correto em minhas conclusões precipitadas. De fato, os anos mostraram-me que Grenko Mardov não era, de fato, humano. Mas eu me enganava, e hoje sei disso, quanto a sua real natureza. Hoje, quatro anos após abandonar minha antiga e sepultada vida e me tornar Yulav Dardenko, braço direito do mesmo Mardov, sei que tal indivíduo – talvez o mais extraordinário que eu já tenha conhecido – não é um animal selvagem. Não. Grenko Mardov é a realização somática mais genuína que se possa chamar de um monstro. Um legítimo monstro retirado das antigas literaturas vitorianas.

Não tenho a menor idéia de como ou porque ele se tornou o que é. Não sei de histórias de infâncias duras na URSS, nem de qualquer tipo de abuso físico ou psicológico ao longo de sua adolescência, se é que esse homem já foi mesmo algum dia uma criança.

O aspecto e fama de Mardov não advêm apenas de sua dureza como líder. É bem verdade que ele executa pessoalmente todo capanga que não cumpre seus deveres, como também é verdade que já o vi matar a sangue frio homens, mulheres, crianças, idosos e até gestantes com igual e indiscernível frieza. Mas nada disso era real diferencial no meio em que trabalha.

Grenko Mardov é um sujeito sem qualquer nível de escolaridade que aprendeu absolutamente tudo o que sabe por empirismo e teimosia. Essa teimosia rendeu-lhe os dois atributos que o tornaram respeitado, temido e procurado internacionalmente.

Primeiro, Grenko é um gênio nas artes às quais se propôs. Atira, luta e comanda melhor do que qualquer um das dezenas de Special Ops que já matou. Aprendeu os idiomas de seus inimigos e espalhou seu poder pela Ásia Menor. Controla tudo aquilo que compreende dentro de sua facção e deixa tudo o restante que não compreende em minhas mãos. Tenho que confessar, afinal: nenhum dinheiro no mundo pagaria o risco que corro diariamente. Eu, como os outros, se sigo Mardov é porque o admiro.

Segundo, porque Grenko é implacável. Em combate e em debate, absolutamente implacável. Intransigente, impassível, ele transparece enquanto negocia e enquanto luta que não vai ceder nada em condição alguma. Sei que isso parece exagero, mas como já disse: eu o vi liderar por quatro anos, e em todo esse tempo, ele só fez impressionar – para bem e, mais freqüentemente, para mal – a mim e a todos que o conheceram. Se nesses quatro anos eu disser que o vi errar uma única vez, minto.

E foi por isso que, quando aquele homem com fenótipo oeste-europeu e sotaque francês bateu na porta da frente do quartel-general e disse que tinha uma adesão, tive a certeza de que não era um Interpol disfarçado. Porque Grenko pessoalmente abriu a porta para o homem, apontando-lhe um rifle e olhando-o no fundo dos olhos.

Olhos de gatuno, foi o que Grenko me disse, quando perguntei-lhe como sabia que não era uma armadilha. Olhos de gatuno, segundo ele, podem ser encontrados em bandidos, terroristas, assassinos, ladrões, mercenários e até mesmo em alguns políticos. Nunca em policiais ou agentes da lei. Uma forma de olhar para as pessoas e para as coisas que as pessoas portam e para as coisas ao redor das pessoas. Mais do que tudo, acredito que Mardov se impressionou com a audácia do sujeito.

O misterioso homem se apresentou como Jean Jacques Perrault, certamente um nome falso. Ex-assassino da máfia francesa, ex-mercenário no Taliban. Dizia ser capaz de derrubar doze homens armados e de liderar qualquer grupo de assalto. Grenko gargalhou e lembro-me do sujeito limpando a saliva que voava da boca de Grenko enquanto ria. Lembro-me de ver Grenko saindo da sala e ordenando aos mais de vinte que lá estavam junto comigo para que matassem o homem e jogassem seu corpo aos cães.

Mas, com muito mais nitidez, lembro-me de ver aquele homem desarmar, fraturar e nocautear mais de vinte homens e, de tudo, nada me é mais claro na memória do que o momento em que ele quebrou meu braço esquerdo em três partes distintas. Chutou nossas costelas quando caímos no chão, descarregou um fuzil nas paredes da sala como quem desafia qualquer um a se opor, e gritou por Mardov.

Mardov atendeu-o prontamente, caindo de um salto pelas costas do homem, e eu pude ver sua faca enterrando fundo e rasgando generosa a carne do intruso, lavando com seu sangue um capanga caído. Acreditei que aquilo encerrava tudo e que então Grenko nos daria um longo e violento sermão sobre como somos fracos.

Deixei de acreditar naquilo quando vi o homem se levantando com a mão sobre a barriga e notei que o ferimento havia simplesmente desaparecido. O homem misterioso que se chamava Perrault era um deles, um dos inumanos, que a mídia chama Geneativos.

Ele se levantou e, no minuto que seguiu, trocou socos e golpes com Mardov. Quando pareciam cansados, Grenko acenou e disse que já bastava. Parecia, ao menos para mim, impossível acreditar naquilo, mas o homem ganhou a confiança de Grenko Mardov exatos quarenta e dois minutos após entrar pela porta de sua casa.

“Ei, Yulav, o chefe ainda não saiu?”

Meus pensamentos se interrompem com a voz de Boris. Ele, como eu e como todos, não está se sentindo nada confortável com isso. Grenko e o homem já a duas horas trancados sozinhos na sala de reunião. Já escutamos um tiro, uma janela quebrando, e uma gargalhada. De resto, mais nada. Não é o primeiro negociante livre que chega aqui, mas é o primeiro que negocia com Mardov sem estar rodeado por armas.

“Teremos que esperar, Boris. Eu confio em Mardov, mas também estou curioso para saber o que esse francês quer”.

Frio.

Era inverno em Moscou, as pessoas evitavam sair de casa, preferindo se manter aquecidas em sua toca bebendo muita vodca. Mikhail Arshavin voltava do trabalho as 17 horas como sempre fazia. Seu motorista parou em frente da sua mansão e abriu a porta para ele. A neve caía grossa e pesada, nublando a visão e entorpecendo a pele, mesmo sob o pesado casaco, Mikhail tremia.
Ele entrou pela enorme porta dupla de carvalho com passos rápidos, buscando o calor de seu lar, enquanto seu motorista fechava as portas e voltava, no frio, para guardar o carro. Dentro do Hall, portas fechadas, ele depositou seu pesado casaco no guardador como sempre fazia e se encaminhou para a sala em busca de um gole de conhaque. Mikhail era um homem de hábitos regulares e se irritava quando algo estava fora do planejamento, tanto no trabalho quanto na vida pessoal, todos os seus movimentos eram planejados com antecedência e meticulosidade. Seus filhos eram criados de uma forma diferente do convencional, brincadeiras e carinho tinham hora marcada e contada, assim como todas as atividades das crianças.
As 17 e 30 ele estava relaxado em sua poltrona terminando de ler seu jornal, enquanto fumava um cigarro tomando conhaque. Sua mulher e filhas só desceriam para a sala as 18 horas quando ceiariam, estavam envolvidas em suas atividades e não poderiam interromper Mikhail em sua leitura. Ás 17 e 40 seria servido o café pela empregada para abrir o apetite e a disposição de mikhail para a conversa com a família. Mikhail gostava de saber os pormenores da existência de suas filhas e do que acontecia em sua casa, de certa forma, procedia como no trabalho, com meticulosidade marcial. Ele trabalhava na contra espionagem Russa, departamento A34 para assuntos externos, cuidava de eliminar possíveis agentes duplos e espiões infiltrados, nos seus 45 anos tinha um currículo militar admirável, de lealdade ao país.
Ele trabalhava na central de Moscou cumprindo um suposto horário comercial de trabalho, o prédio um edifício da Petrolífica Nacional, ramificação da contabilidade, somente uma fachada para a agência Russa. Alguns dias Mikhail fazia serões que varavam a madrugada, mas na maioria dos casos, como este, cumpria seu horário comercial normal. Estranhamente ele se portara mau-humorado no jantar, não perguntara nada para as filhas, permanecera quieto. Sua mulher tentou puxar assunto, mas ignorada, foi-se deitar. Ele permaneceu na sala, deveria estar lendo, mas os acontecimentos do trabalho o incomodavam. Uma discussão que mais parecera um interrogatório guiado por Nicolai, o chefe da espionagem, seu colega de trabalho odioso. Nicolai era uma máquina e suas engrenagens eram movidas por sangue. Nicolai adorava interrogatórios do velho modo da KGB, excruciantes. " A verdade só vem com a dor, a dor da morte" dizia ele sombrio, e depois ria para si mesmo, como se contasse uma piada antiga. Mikhail odiava-o, contudo Nicolai era demasiado eficiente para ser eliminado, tão eficiente quanto Mikhail, o que só aumentava seu ódio. O mais estranho foi a discussão que os dois tiveram, Mikhail se pegava pensando nisso desde que chegara. Ele inquiria Arshavin acerca de negociações com os árabes que Mikhail havia aprisionado, acusando-o de corroborar com os invasores e de ser um agente dos árabes. Era uma tolice, Arshavin nunca trabalharia para os árabes, ele ajudava os Estados Unidos fazia anos! Seria uma tolice comprometer-se com árabes.
Entretanto, Nicolai agira de modo estranho para o seu próprio comportamento, discutindo abertamente, ele que fora sempre reservado, nunca faria uma acusação dessas em aberto. Mikhail tomou um gole de conhaque, estava cansado e a neve caía ainda pesada lá fora. Dentro do quarto a lareira esquentava seus pés enquanto seu pensamento divagava na discussão com Nicolai. Estaria ele em perigo? Por precaução mandara um dos oficiais eliminar Nicolai, seu nome é Andrei Rasputin, um frio assassino da contra espionagem, encarregado do serviço de limpezada agência. Rasputin era rápido e sigiloso, cumpria seu papel sem fazer perguntas e não se questionava sobre quem mataria, era o melhor agente da organização e tinha vários privilégios. Nicolai dizia que ele era um dos geneativos, um dos modificados, mas Mikhail nunca tinha visto nada de especial em Andrei, nada a não ser sua habilidade em matança e sua aparência estranha, com olhos repuxados cinzas e cabelos brancos. Não era de se estranhar, sua mãe era uma mestiça afinal, japonesa e russa. Mas várias informações acerca do seu passado era consideradas secretas, até mesmo para Mikhail. Depois de um trago ele pousou o jornal. eram 20 e 45. Nicolai haveria de estar morto.
Ele bebeu o resto do conhaque num brinde de comemoração, sorriu, seu humor melhorara só com o pensamento de que Nicolai não mais existia. Se virou para a janela e quase caiu sentado novamente. A sua frente estava o mestiço, alto, branco, e frio. Ele olhava diretamente nos olhos de Mikhail, o que era aterrador conhecendo a fama do assassino que atendia por Mushin. "Você terminou o serviço?" perguntou Mikhail com a voz trêmula, as chamas da lareira ardiam fortemente. Andrei caminhou para a lateral da sala, ignorando a pergunta e ligou o rádio, um cd de Tchaikovsky tocou alegremente e preencheu a sala. Mikhail nervoso perguntou novamente.
Andrei se virou para Mikhail e respondeu" Ainda não, mas... Nicolai mandou lembranças." Eram 20 e 51 quando Andrei voltava para o frio.

Innuendo

Em 1947, na pequena cidade de Roswell, nos Estados Unidos da América, uma experiência envolvendo alguns dos maiores cientistas do mundo e um artefato de origens e propriedades desconhecidas desencadeou uma sucessão de eventos que, nas décadas seguintes, daria início a uma Guerra Fria de supersoldados e arquivilões que mudaria por completo e para sempre o destino do pequeno planeta Terra e de alguns de seus patéticos habitantes. Não para melhor, na maioria dos casos, e não de quaisquer de seus patéticos habitantes. Na verdade, apenas alguns poucos – predestinados, eleitos ou simplesmente condenados – de qualquer sorte de poder – humano ou superior – que o colocasse em condição de ver ligeiramente através das paredes de vidro negro. A presença de super-humanos nas principais agências governamentais de Inteligência do mundo cuidou , nos quase 70 anos que hoje nos separam da infeliz e audaz experiência de Roswell, para que tais eleitos tivessem seríssimas dificuldades em agir furtivamente na Terra de 2017. É claro que medidas como aquelas eram absolutamente necessárias, visto que mesmo assim não era possível conter por completo os movimentos desses predestinados. Alguns deles se infiltravam em organizações para-governamentais de iniciativas ocultas para buscar proteção. Outros, tentavam unir-se para somar possibilidades. Existiam, no entanto, alguns condenados que haviam entrado no jogo por acidente, e agora precisavam manter-se vivos. Eram em geral pessoas com poder demasiadamente insignificante para interessar a qualquer grupo de poder, e ao mesmo tempo perigosos e traiçoeiros demais para conseguirem aliados. A essas pessoas, os mais desgraçados de toda a Tragédia Roswelliana, restava cavar buracos até os mais profundos confins da Terra e, de lá, tentar mover suas peças em um tabuleiro de xadrez infinito onde cada peça – cada reles peão – é um jogador.

Grenko Mardov era um desses homens. No ano de 2017, seu grupo de extermínio conseguiu recrutar um jovem com habilidades sobre-humanas. Ninguém soube detalhes de como isso ocorreu, mas nos meses seguintes, o grupo de extermínio de Grenko Mardov decuplicou em contingente e influência. Havia entrado, em Agosto de 2017, na lista dos 50 mais procurados da Interpol, e sua lista de crimes superava até mesmo a de países em que era procurado. Sem poderes que o mantivessem a salvo de olhos e garras hostis, Mardov buscou segurança isolando-se no lugar mais obscuro e remoto que conseguiu encontrar na Terra.

Duchambe, 02h11min AM, GMT+5, hora local.
Tente imaginar becos escuros, de poucos metros de largura entre paredes de pedra irregular e madeira rota e úmida, chão de uma terra vermelha seca a ponto de agredir as narinas de alguém pouco habituado ao árido. Ao longo dessas ruas, homens, mulheres, velhos, crianças e animais partilham em total igualdade da glória do Grande Allah e da desconsolante miséria da menor e mais pobre nação da Ásia Menor. Dos seus pouco mais de sete milhões de habitantes, mais da metade vive em situação de insustentável e deplorável pobreza. Seus fiéis súditos de Allah, os Tadjiques, ainda se recuperavam de uma guerra civil que a menos de duas décadas devastara toda a pequena nação do Tadjiquistão. Seus habitantes, árabes, persas e russos ainda remanescentes, resquícios da Guerra Fria, viviam um governo de desmandos e corrupção que deixava poucas portas abertas ao progresso e muitas a interesses de homens como Grenko Mardov.

E foi em um daqueles becos, escuros e imundos, de odor transitando entre suor, excrementos e ópio, iluminado por uma ou outra rara lamparina a óleo e pelas estrelas de um céu limpo como a Terra jamais seria, que Claude Monet Nistelroy, trajando vestes locais pobres e intencionalmente surradas, olhou ao redor e perguntou-se como diabos encontraria aquele homem naquele inferno.

É bem verdade que qualquer homem, honesto ou bandido, cristão ou muçulmano, veria em tal paradigma um problema insolúvel. Claude não conhecia sequer o centro de Duchambe, a capital do Tadjiquistão, quanto menos sua periferia. As ruas eram incubadoras de assassinos, prostitutas, mercadores de ópio, vigaristas em geral e toda sorte de ladrões. Pelo menos com a última casta Claude estava bem habituado. Os adeptos da vida fácil de Duchambe não podiam, afinal, ser tão diferentes dos de qualquer outro lugar. Além disso, Claude não era qualquer homem, não era um bandido e tampouco um homem honesto e nunca fora cristão ou muçulmano.

Não falar sequer uma palavra do idioma local, uma variação moderna do persa chamada Tadji, também não era exatamente um problema para quem sabia se comunicar com o corpo. Um olhar ameaçador, uma mão que rouba Somonis do bolso de um Tadjique para estendê-los a outro, alguns eventuais e inevitáveis golpes, sempre tomando cuidado com velocidades excessivas, e a capacidade de pronunciar em voz baixa o nome de Grenko Mardov, foram suficientes para que antes do nascer do Sol o londrino com nome francês e sobrenome holandês chegasse ao pequeno sobrado de pedra com grades altas e grossas de ferro arcaicamente enferrujado.

Sabia que estava agindo precipitadamente, sabia que entrar em sigilo no Tadjiquistão, perguntar pelo nome de Mardov nos becos do submundo, roubar, espancar e ameaçar seus homens e bater à porta da frente do covil de um homem que foge de algumas das mais poderosas instituições do mundo, não era exatamente o que se chamaria de um plano prudente e bem arquitetado. Mas Claude sabia improvisar, sabia pensar rápido, e tinha consigo que somente isso poderia mantê-lo no controle da situação toda.

Com movimentos felinos e inauditos, ele se esgueirou escondeu, saltou por sobre grades e nocauteou dois guardas do portão sem emitir um único ruído. Pegou suas armas, os amarrou ao portão e, com a maior naturalidade que seu amadeirado semblante permitiu, acendeu um charuto, caminhando até a grande porta igualmente amadeirada da frente, batendo nela com três pesados golpes. Uma pequena janela de deslizar correu lateralmente, revelando um par de olhos azuis e um cano metálico que parecia de uma .45 norte-americana. O homem grunhiu algo interrogativo em idioma Tadji, que Claude incompreendeu por completo. Deu uma longa tragada no charuto. A fumaça esvaiu, revelando aos olhos azuis um Claude de cabelos grenhos e ensebados, sujo, malcheiroso e que não fazia barba a mais de uma semana. Tirou o charuto da boca e disse aos olhos e ao cano, no mais puro e legítimo inglês que conhecia.

“Diga ao senhor Mardov que ele tem uma adesão”

Times: Milionário Senador.

Ele é brilhante, bonito e milionário, ascendeu como um dos maiores empresários atuais e está entre os maiores inventores da nossa história, com o chip de identificação virtual e o motor solar 3200. Além disso criou uma fundação para promover a ciência e a educação. Mas quem é esse homem, será ele mais um dos tubarões empresariais? Um playboy afetado? Quem é Richard Harris Teabing e o que o motiva a concorrer pelo Senado de Nova York?


Por Tessa Harkness.


Times: Senhor Teabing, muitos o consideram um tubarão empresarial, além disso, foi acusado de espionagem industrial no caso dos acidentes de Nova York, contudo também é um dos maiores filantropos da mesma cidade. O que pode nos contar sobre isso?


Richard: (risos) Você vai direto ao ponto não é? Bom, antes de mais nada eu gostaria de pedir que você não me chamasse de senhor, isso me faz sentir como se tivesse idade pra ser seu pai ou algo do tipo e, convenhamos, ficaria estranho qualquer relação desse tipo. Quanto a ser um tubarão empresarial, eu acho o termo meio afetado, como aquelas fantasias yuppies em relação ao tamanho do falo, entretanto em se tratando do mercado norte-americano, antes ser um tubarão empresarial do que um peixinho, contudo me culpar pela falha dos meus oponentes soa um tanto estranho. Veja só, Nova York é uma cidade imensa e movimentada, por si só já é um caldeirão de probabilidades, agora acrescente a isso a onda de supercrimes que começaram a acontecer antes do atentado, qualquer amador pode observar os gráficos e ver que eles estavam aumentando, o que eu fiz foi me prevenir pra uma catástrofe iminente, solidifiquei minhas finanças e tive muita sorte de fazer isso um dia antes, pois se tivesse demorado mais, muitos funcionários da Warden poderiam estar na rua hoje e eu não gostaria que isso acontecesse, não me considero um filantropo, mas eu acho que se existe uma forma de melhorar nosso mundo é por meio do trabalho e da educação e é por essa razão que é vital a continuidade do trabalho na warden.


Times: E é por essa razão que você decidiu se candidatar ao senado?


Richard: Sim e não. Eu decidi me candidatar pois acho que posso fazer a diferença, que posso dar o melhor de mim para as pessoas e no senado eu posso fazer mais do que somente como empresário. Afinal, existem mais setores do que a educação e o trabalho, setores além da ação filantrópica.


Times: E você vem enfrentando dificuldades pelo fato de ser Galês? Como você lida com isso, você se considera um estrangeiro?


Richard: Não vejo dificuldades e nem motivo para esconder minha nacionalidade. Eu nasci em Gales, estudei em Oxford, mas já conheci metade do mundo e escolhi os Estados Unidos como casa e ele me acolheu de braços abertos. Muitos esquecem que esse país foi forjado pelo sangue e suor dos imigrantes. Os ingleses, os africanos, irlandeses, italianos, japoneses, coreanos, chineses, poloneses, alemães, árabes, turcos, judeus, e mais outros. Os únicos que estavam aqui em origem eram os nativo-americanos. Portanto as únicas etnias que podem criticar a imigração são eles.

Times: Muitos o consideram um solteirão convicto, outros o chamam de libertino. Qual é a sua versão da sua vida pessoal? Você tem namorada?

Richard: Eu devo confessar que tive uma vida boêmia, sempre gostei de me divertir e sempre gostei de uma boa música, por sinal, as duas coisas são encontradas com mais freqüência no horário noturno. Mas eu deixei de ser sozinho faz um bom tempo (risos). Sim eu tenho uma namorada, deveras linda, contudo nossas profissões nos afastam um pouco, embora eu goste muito dela. E não, eu não sou um libertino (risos).

Times: Voltando pras eleições, qual é o carro chefe da sua campanha pelo senado? Quais suas principais propostas?

Richard: Eu não diria que é um carro chefe, nem propostas, veja bem, eu elaborei um planejamento econômico do estado pros próximos vinte anos, contando com melhorias na infra estrutura do transporte, com a reformulação do ensino público devido ao acréscimo de novas bolsas de estudo, com um maior incentivo as fundações e com uma nova política super-humana. Acho então que o carro chefe da minha campanha é planejamento e não simplesmente uma proposta ou uma promessa vaga.

Times: E qual a sua opinião sobre os Super-humanos?

Richard: Minha opinião é muito boa (risos). Bom, eu penso que os meta-humanos são uma realidade. Não adianta fechar os olhos e ignorar a existência deles, nós já tivemos várias experiências com eles e é inegável seu poder de alteração do mundo. Entretanto a política atual em relação aos meta-humanos é estranha, a França como sempre repeliu tudo que é diferente, a Inglaterra abraçou os meta-humanos como heróis... e nós? Estamos indecisos? Alguns de nós, eu tenho certeza, querem iniciar uma caça as bruxas, entretanto não é esta a política que um país deve tomar, afinal nós estamos na terra da liberdade, não somos fascistas, somos? Ao meu ver, estamos todos esquecendo uma coisa: Por mais que estes meta-humanos tenham poderes exacerbados, eles ainda são humanos, muitos deles cidadãos americanos, que vivem e pagam seus impostos. Alguns só querem levar uma vida normal, outros usam seus dons pra proteger os outros e como sempre existe os mal orientados que usam seus dons em proveito próprio ou para praticar crimes. Estes devem ser julgados por uma lei específica e confinados em prisões que sejam capazes de prendê-los. É tolice hoje, querer julgar num julgamento aberto e com a tecnologia comum seres extremamente poderosos. Há de se fazer uma reavaliação dessa situação sem esquecer a humanidade no caminho. @