Em 2015, um grupo de super-humanos escapa de uma base do governo para salvar o mundo, e acaba descobrindo uma série de segredos sombrios. Essas são suas histórias.

Horóscopo

Sete e dez da manhã, horário de Greenwich. A mortalha de silêncio e quietude do quarto escuro foi quebrada pelo estilhaçante toque do telefone. Alisia acordou e não quis abrir os olhos. Estava confortável daquela forma e de qualquer maneira, pôde ver toda a extensão do quarto assim que acordou. Estendeu o braço para alcançar o aparelho e desejou como nunca que seus poderes fossem telecinéticos. Ajustando o fone no rosto da melhor forma possível para o momento, balbuciou algo e a voz da recepcionista soou amigável como devem ser as pessoas que nos acordam antes das nove.

“Bom dia, senhorita Bryant, são sete horas e onze minutos, a senhorita pediu para ser acordada, está certo?” pronunciou aquelas palavras como se já tivesse acordado mil pessoas com aquela frase. Alisia respondeu um “muito obrigado” como se já tivesse sido acordada por mil recepcionistas com aquela frase.

Levantou-se. Agora o fósforo já se assentava no cérebro e ela lembrou que estava no Hilton Plaza, em Londres. Levou as mãos à cabeça. Era verdade, tinha compromissos para aquela manhã, e o primeiro deles era o mais importante.

Levantou-se e caminhou até o chuveiro. No banho, pensou no que estava fazendo em Londres e em tudo que acontecera na última semana. Ainda não conseguia deixar de pensar em Richard com mágoa, apesar de já ter os pensamentos melhor assentados. Sabia que havia exagerado, que não devia e nem podia julgá-lo por seus atos. A maioria das pessoas que tinham super-habilidades se preocupava mais em dominar do que em ajudar o mundo. Não, uma caçada por vingança pessoal motivada por meia dúzia de brinquedos quebrados não era certa, e nenhuma boa ação do mundo o eximiria da culpa. Mas e quanto a Robert Porter? Ele morreu dilacerado em uma cama ensopada com seu próprio sangue, e o fato de que ele era um assassino estuprador também não a eximia do remorso. Enxaguou os cabelos e retomou a linearidade do pensamento. Não estava partindo por conta de Richard. Isso também não significava que estava disposta a trabalhar novamente com ele. Não podia mais confiar nele.

Oito e dez da manhã, hora de Greenwich. Uma paisagem caribenha de céu azulado e praias da mais cândida areia emoldurava uma cena envolvendo Claude Nistelroy e três jovens Third Steppers. Súbito como um relâmpago, o estrondoso e catastrófico rugir do despertador irrompeu através do quarto, estraçalhando céus, areias e mulheres com o impiedoso soar da manhã. Ainda um tanto desnorteado com o retorno, Claude estendeu a mão até o despertador, desejando que seus poderes geneativos incluíssem rajadas laser.

Olhou para o relógio. Devia estar em sua sala a dez minutos atrás. Muito pior, Klaus devia estar no ônibus da escola a quinze minutos atrás. Detestava entrar em velocidade ampliada logo que acordava, mas a situação urgia. Antes que o colchão notasse a ausência de seu corpo e pudesse retomar o formato original, Claude já havia passado pelo quarto de Klaus e notado que o menino não estava lá. Correu até o computador e solicitou a visão das câmeras da escola. Privilégios de quem havia desenhado o sistema de vigilância e segurança da escola do próprio filho. Lá estava ele, sentado na última carteira do fundo da classe. Devia ter acordado sozinho e apanhado o ônibus sem acordá-lo. Era independente com sete anos de idade, o que fazia Claude ponderar sobre o que aconteceria se ele desenvolvesse poderes. Não tinha tempo para pensar naquilo às oito e onze da manhã.

Em um clarão de luz seguido de um estampido surdo de som, Claude cuidou de tomar banho, fazer a barba e se trajar com um elegante terno marrom de corte italiano discreto. Oito e doze, e o elevador que o conduzia através de trezentos metros de rocha que separavam o Poliedro – base de operações de Lightning e lar secreto dos Nistelroy – do prédio da Nistelroy Security Technologies de Londres já o entregava no sexto e último andar da construção.

Parou por um segundo diante da porta. Abriu o celular e, enquanto sensores espalhados pelas paredes faziam dezenas de leituras por seu corpo em diferentes comprimentos de onda, o milionário acompanhava os resultados na tela do portátil. Era o protótipo NISS-6942, já em fase final de testes para ser aplicado ao Consulado do México, seu mais novo cliente. Um suave ruído, seguido do acender de luzes, anunciou a liberação de acesso ao andar. Uma voz feminina sintética e agradável desejou-lhe bom dia.

Olhou por sobre sua mesa enquanto ligava o notebook. Uma garrafa de café, certamente servida por Rosemary às oito em ponto. E o jornal, ah, como começar o dia sem o jornal?

Sentou-se esparramado em sua enorme poltrona de couro e, enquanto colocava café em uma xícara, começou a passar rapidamente os olhos pela primeira página. Atentados no Japão, resgate de vítimas na Costa Oeste dos EUA, eleições na França. Nada de mais. Tomou um largo gole de café e, enquanto apertava o botão do aparelho telefônico que chamava Rosemary, virou a página do jornal. Achou graça ao ler o horóscopo do dia. Áries, de 20 de Março a 20 de Abril. O dia é propício para mudanças, seja favorável a convites inusitados. Cor da sorte: Azul. Número da sorte: 4.

Uma voz feminina, mas agora bastante natural e muito menos agradável, soou do viva-voz. “Para alguém com suas habilidades, senhor Nistelroy, o senhor compromete seriissimamente a reputação da pontualidade inglesa...” a voz de Rosemary era casual e cínica, demonstrando que mais infalível do que a pontualidade era o sarcasmo britânico. Divagou por mais um instante, como conseqüência do sono deixado ainda a pouco na cama. Rosemary era sem dúvida a mais imprescindível dos mais de mil empregados que compunham a Nistelroy Security Technologies. Mais até do que o próprio Claude. Sabia das senhas, dos compromissos, dos clientes secretos, do passado criminoso de seu patrão e até mesmo de sua vida oculta como Lightning. Era a pessoa em que o até mesmo o ladrão confiava. Quarenta anos, nenhum filho, nenhum parente vivo e um pós-doutorado em Administração de Empresas. Lembrou-se dos heróis da ficção e concluiu que, sem dúvida, todo super-herói deveria mesmo ter um Alfred em quem possa confiar.

“É o sangue francês, Rosie, meu fuso horário está em Paris, cherí” sorriu, fechando o jornal e voltando-se para o computador. “Tenho algum compromisso urgente para o qual já esteja perdendo hora nesse momento?” perguntou, um tanto temeroso da resposta, que nunca era muito boa naqueles contextos.

“Só a senhorita Alisia Bryant, da ONU, que o está aguardando aqui embaixo desde as oito. Devo manda-la subir?”

Alisia. Claude engoliu seco como que em um reflexo. Havia conversado no telefone com Nicholas na manhã anterior e ficara sabendo do conflito entre ela e Crusade. Ela havia deixado a equipe de Nova York, mas Claude não fazia a mínima idéia de o que ela poderia querer ali.

“É claro que pode, traga também chá verde, ela gosta bastante. Ahn, pode por favor deter todas as ligações para a minha sala enquanto ela estiver aqui?” Rosemary respondeu afirmativamente e Claude desligou o telefone. No tempo que decorreu até que ela entrasse na sala, conseguiu ponderar quatro possibilidades para o que a jovem diplomata poderia querer. Fechou os olhos e torceu para que não fosse a terceira possibilidade.

“A senhorita pode subir, o senhor Nistelroy a está aguardando em sua sala ...”

Alisia levantou-se e ajustou a barra da calça de tom pastel que delineava suas formas femininas perfeitas. Não usava roupas civis todos os dias, normalmente preferia moldar roupas de luz sólida e vestir-se de ilusões, mas naquela manhã sentiu a necessidade de algo mais real. Agradeceu e dirigiu-se ao elevador. Conhecia bem o caminho, e podia ver nitidamente cada uma das dúzias de câmeras e sensores espalhados e minuciosamente escondidos pelos corredores e portas. Chegou ao último andar e observou ainda de dentro do elevador que não havia mais ninguém ali. Tentou olhar dentro da sala de Claude. Finas camadas de espelhos sobrepostas por entre o concreto e a alvenaria bloqueavam completamente sua visão. Muito inteligente, pensou, um lugar onde nem mesmo os amigos podem observa-lo. Chegou à porta e abriu, sem bater.

“Onde está a diplomacia canadense, meu Deus?” brincou o inglês, acerca da entrada sem bater na porta. Ele levantou-se e deu três passos até ela, observando cuidadosamente suas vestes e, inevitavelmente, perguntando-se se o que ela vestia eram mesmo roupas ou apenas luz. Era difícil, de qualquer forma, não se distrair da conversa com uma mulher tão deslumbrantemente linda.

“Creio que esteja no Canadá. Já tem um bom tempo que não nos vemos, senhor Nistelroy, como está Klaus?” ela tinha aquele suave tom que misturava uma finíssima ironia com a maciez de palavras amigas. Claude a abraçou e deu-lhe um beijo no rosto. Tentou deduzir algo das roupas pelo toque, mas não pôde ser conclusivo.

Sentaram-se. A porta foi aberta novamente e Rosemary entrou na sala carregando uma bandeja com chá verde. Claude e Alisia agradeceram e, tão logo a secretária os deixou, voltaram-se um para o outro.

“Você deve estar se perguntando porque eu vim para cá, certo?”

“Imagino que não tenha sido para provar a mundialmente famosa culinária inglesa. O que aconteceu em Nova York?” Claude cruzava as pernas e colocava mais café em sua xícara. A pergunta eliminou a primeira hipótese.

“Mundialmente infame, você quer dizer. De fato, não. O que aconteceu em Nova York você já sabe, é evidente. O porquê, isso realmente não faz mais diferença alguma. Eu preciso de sua ajuda, Claude.”

Segunda hipótese descartada. Torceu para que não fosse mesmo a terceira. Deu um gole no café e, quando a jovem acendeu um cigarro, não conseguiu deixar de pedir um. Fez sinal para que ela prosseguisse.

“O que sabe dos MaxCops?” perguntou, incisivamente. Ainda não descartava totalmente a terceira hipótese, mas fez com que Claude ponderasse acerca de onde ela queria chegar.

“Projeto da MaxCorp que conseguiu legitimidade legal para patrulhar as ruas de Londres. A opinião pública a respeito deles é dividida mas os favoráveis têm crescido em número ... Nada que não esteja nos jornais, porque?”

Alisia abriu uma pasta e apanhou alguns papéis, estendendo-os para o milionário. Ele folheou em um micronésimo de segundo e, em seguida, retornou um olhar assustado para a bela mulher.

“MaxCops pelo mundo? Ele quer formar uma nova ISC?”

“Ele já tem algo próximo disso. O primeiro passo agora é conseguir instalar a MaxCorp como mantenedora da ordem pública na América do Norte. Lá terão uma vitrine mundial que certamente fará outros governantes a se questionarem sobre se não valeria a pena tercerizar o problema da criminalidade. Entende o que isso acarretaria, Claude?”

“Eles teriam controle sobre a inocência ou culpa dos civis que interessassem a Maxwell. Poderiam criar unidades governamentalmente amparadas para impedir a ação de super-humanos que não trabalhassem para o maldito ... Quando isso vai acontecer?”

“Em dois meses haverá uma assembléia governamental na ONU que decidirá a aprovação ou não de uma unidade experimental em Nova York e em Montreal. Eu estou fazendo de tudo para ser nomeada para discursar nessa reunião, mas isso não vai bastar, e é por isso que preciso de você.”

Claude engoliu seco novamente. Não queria mais pensar nas quatro hipóteses, então olhou para Alisia e fez a pergunta crucial. “E no que consiste essa ajuda?”

“Eu estou tirando férias da vida como Sunshine durante esses meses. Primeiro porque tenho trabalhado demais e o stress começou a comprometer a clareza de algumas escolhas que tenho feito. Segundo, porque não tenho mais o menor desejo de voltar a trabalhar com Richard Teabing nos próximos vinte ou trinta anos. Finalmente, porque nesses meses pretendo permanecer em Londres e investigar até o último beco dessa cidade atrás de sujeiras da MaxCorp que possam ser utilizadas para impedir que essa loucura vá adiante.” Alisia interrompeu-se quando Claude levantou, com olhar cinicamente ingênuo, a mão. “Sim?”

“Eu não perguntei a razão de ter se afastado, mon amour, eu perguntei no que consiste a judá que me envolve ...”

Alisia sorriu e respirou um pouco mais fundo. Ele era irritante e provocativo, e era exatamente o que o fazia um adversário patético porém divertido para retórica. Decidiu cortar diretamente ao ponto.

“Eu quero usar o Poliedro nesses meses, e quero que você vá para Nova York trabalhar com eles.”

Silêncio. Não era a terceira hipótese. Nem a quarta. Perguntou-se sobre se Richard teria pensado nessa quinta hipótese ou mesmo em outras dezenas que não lhe vieram à mente.

“E o que eu vou fazer em Nova York, pelo amor de Deus?!” exclamou, estupefato pela inesperabilidade do pedido.

“Ajuda-los. Sem mim eles estão com uma baixa estratégica de suporte em combate. Você tem o cinismo necessário para lidar com Crusade e é o único que conhece a equipe bem o bastante para me substituir. Além disso, e agora o mais importante, se Maxwell souber que o Lightning está atuando na América do Norte, vai diminuir suas ações por lá em vista do processo iminente da MaxCops e descuidar-se em Londres, onde eu estarei observando cuidadosa e silenciosamente.”

Claude odiava aquilo, mas Alisia sabia unir elementos retóricos aparentemente soltos em um discurso que, para quem partilhava o momento da performance, convenciam como o diabo.

“E Klaus? Ele está em época de provas na escola, não posso simplesmente tira-lo de lá agora!” não sabia muito bem o quanto daquilo era pelo menino e o quanto era por si próprio. “Além disso, onde vou morar em Nova York? Eu não tenho nada contra Richard, mas não quero morar em algum lugar onde não controlo os sistemas de segurança!”

“Fique tranqüilo, querido. Eu pensei em tudo, olha só: vocês vão morar no meu apartamento de cobertura em NY, pertinho do prédio da ONU e de uma excelente escola. E quanto a Klaus, ele pode fazer as provas lá, deixe toda essa parte de burocracia comigo, certo?”

Claude respirou fundo e, consciente de que não possuía a eloqüência necessária para dissuadir a diplomata de cabelos e olhos dourados, olhou vencido para o jornal dobrado sobre a mesa e só conseguiu pensar no horóscopo do dia.

Áries, de 20 de Março a 20 de Abril. O dia é propício para mudanças, seja favorável a convites inusitados. Cor da sorte: Azul. Número da sorte: 4.

O Retorno de Midnighter – Parte V

Quando sai da prisão, pensei que eu, Gabriel Shedd, encontraria um mundo mais limpo. Toda aquela televisão me fez mal. Não esperava que as coisas tivessem mudado para pior, no entanto.

"Não fui eu, eu juro! Eu juro!". O maldito grita mais uma vez. Eu enfio a ponta do meu coturno no buraco de bala na perna dele. Ele grita.

Eu não gosto dos gritos. Faz-me parecer o cara mau. Eu sou o herói aqui, como meu Pai foi antes de mim. Mas esse filho da mãe merece. Ele estuprou oito mulheres nas ultimas semanas. Matou duas. Eu estudei com uma delas no ginásio, Anne Chetter, moça de familia, mãe de um garotinho gordo. Morreu sufocada por um maldito saco de plástico, num beco miserável. O nome do desgraçado é Fabio Lusagrelli, sobrinho de um mafioso local. Ele é o primo feio da família. Não, ele não mora aqui, esse lugar é mais um santuário.
Claro, eu sei que ele é tudo isso. Encontro restos de drogas, papelotes amassados. Ele compra de alguém, e nada pior que um envenenador. Eu tenho ódio pessoal às drogas, fui preso por ser acusado de vendê-las. Enquanto o desgraçado chora aos meus pés, olho rapidamente pelo apartamento. Ele guarda fotos delas. Fotos! Eu não agindo de raiva, e atiro mais uma vez. Mas faço questão de mirar na "virilidade" dele.
Ele urra de dor. Urra como um porco que é. Eu saio andando pelo apartamento. Sujo. Descubro uma caixa onde ele guarda mexas de cabelo de suas vítimas. Queimo-as. Entre as gavetas, descubro anotações. Cheiram a veneno. É o contato, o vendedor dele. Guardo isso, já tenho um próximo verme a caçar.

Olho pra ele gritando no chão. Existe sangue espalhado por todo o assoalho. Miro nele de novo. "Pare, por favor, pare!". Ele olha lacrimejando, para de berrar um pouco.

Eu olho com ódio pela mascara. "Você sabe por que vai morrer, Fabio? Você vai morrer por que quando elas imploraram para parar, você não parou. Mas eu vou ser bonzinho. vou te dar a chance de escapar. Vou te largar aqui, igual você fez com elas. O telefone está logo ali. Se a emergência ligar a tempo, você vai ter sua chance".
Eu atiro na mão direita dele. Vejo os dedos escapando. Mas fui descuidado. Achei que ele iria estar sem segurança. Estou aqui faz oito minutos. Vejo pelo vão da porta dois homens se aproximando. Deviam estar no carro que estava parado no final do quarteirão. Outros se aproximam.
Jogo-me atrás de uma escrivaninha e atiro. O primeiro cai com força. Nada de sangue. Os desgraçados usam colete. Enquanto eles começam a atirar cegamente, jogo uma granada de fumaça. Isso vai me dar alguns segundos.

Ainda ouço os tiros. Troco rapidamente o pente. Meu pai me ensinou, faz muitos anos, que se o bandido usar colete, devemos usar balas perfurantes. Faz sentido. Enquanto puxo a trava do fuzil, um dos disparos dos desgraçados atinge meu ombro.
Meu colete segura a maior parte do impacto, mas eu sinto que vomitei sangue. Por dentro da mascara, o sangue se gruda ao tecido, numa textura pegajosa. Quase vomito com o cheiro de ferro. Meu ombro deve ter deslocado. Não tem problema. Eu tenho outro.

Começo a atirar. A fumaça é tão ruim para eles quanto é para mim. Pego a câmera de visão noturna que trouxe comigo. Eu sabia que ia ser útil. Seguro ela com o braço ruim, e atiro apoiando o fuzil na minha barriga. Dói muito, mas é a única saída.
Derrubo uns três deles. Eu não havia me preparado para uma briga de verdade, deixei o armamento pesado no carro. Percebo então minha saída. Quatro homens estão atirando de uma parede. Eles não perceberam que eu já mudei de lugar faz tempo. Vejo um extintor de incêndio enferrujado atrás deles. É bom de mais para ser verdade.

Dois tiros. Eu posso jurar que vi pedaços de um deles voando por cima de mim. Existem outros chegando pela porta, e minhas balas estão quase no fim. Eu preciso voltar para o carro. Meu pai me ensinou que o bom guerreiro sabe a hora de se retirar.
Tento minha última saída. Uma granada de fragmentos. Arremesso ela fora da casa, e rezo para que não tenha nenhum civil próximo desse cortiço. Jogo-me atrás de uma estante.
A explosão não é tão grande. Eu esperava mais barulho. No instante seguinte, o lugar inteiro parece ser fuzilado por uma chuva de fogo. Os fragmentos fazem jus ao nome, perfuram parte da parede de madeira da casa. Os homens lá fora se assustam. Um deles grita de dor.

Olho para o chão, Fabio ainda está vivo. Vou correndo na direção da janela dos fundos, não vou ter outra chance para escapar. Enquanto estou saindo, ele grita num misto de dor e ódio “Quem diabos é você, seu monstro?”. Eu?

Eu sou Midnighter.

Olhos Nublados – Parte IV

Mila sentiu o sangue respingar em seu rosto. Estava completamente imóvel, e seu olhar parecia perdido na desconfortante visão da cidade que se projetava das enormes janelas do MaxCorp Silver Tower. As luzes estavam apagadas, mas os disparos das armas criavam uma iluminação aterradora que revelava apenas pequenos traços da cena. Ouvia Zed gritando, mas as palavras eram incompreensíveis. Seu corpo foi arrastado para longe, sua visão tornou-se turva – parte pelo sangue escorrendo pelo próprio rosto – e os sons ficaram cada vez mais distantes.

Acordou. As luzes se moviam rápido de mais. Pareciam tentar chegar a ela por todas as direções. Ouviu um sussurro, talvez de Zed. O gosto de ferro em sua boca era forte. O sangue coagulado perde o calor reconfortante, e se torna congelante. Tudo parecia ficar escuro. Ouvia sirenes. As imagens sumiram novamente.

Abriu os olhos mais uma vez. Uma luz forte. Uma pergunta foi feita, mas ela não entendeu nenhuma palavra. Era difícil respirar. Sentiu sua pele sendo perfurada, mas não soube dizer onde; a dor já dominava seu corpo. Tudo parecia azul. Azul e branco. Era como deitar no chão do banheiro, frio, muito frio. O cheiro de ferro entupia suas narinas. O ar pareceu se recusar a entrar em seus pulmões. As coisas tornaram-se escuras mais uma vez.

Uma sensação confortável abraçou seu corpo. A dor havia melhorado. Abriu os olhos, mas eles se recusaram a aceitar a luz.

– Se sente melhor?

Mila tentou olhar para o dono da voz, mas suas pálpebras recusaram se abrir. Ela tentou mover um dos braços, mas sentiu uma dor alfinetando todos seus músculos.

– Calma, calma, você teve sorte! Agora descanse, você precisa de repouso.

Ela tentou balbuciar alguma coisa, mas não conseguiu formar palavras. Sentiu uma mão correndo sua testa. Pele suave, quase que veludo. Mila não ouviu mais nada. Não conseguia pensar direito. Perdeu a noção do tempo, e não teve certeza se estava acordada.
Teve um sonho estranho em algum momento. O mesmo sonho que a perseguia desde aquela noite, quatro meses antes. Pilhas e mais pilhas de corpos, alguns de crianças. Uns poucos homens esqueléticos se esgueiravam revirando os cadáveres. Uma torre retorcida se erguia no horizonte, e parecia tragar a atenção do devaneio. Uma sala do trono feita de esmeraldas pontiagudas. Havia uma pessoa usando uma armadura verde e negra, sentado em um trono disforme. No horizonte, é possível ver uma tempestade vermelha, uma chuva de sangue. A aterradora figura olhou diretamente para ela. “Você não pode impedir”.

– Abra a boca, você precisa de água.

Mila sentiu o liquido escorrendo por seus lábios. Fez o possível para bebê-lo sem engasgar. Seus pensamentos ficavam mais claros. Por que não soube que os homens iriam entrar na sala? Isso nunca havia acontecido, a maldição podia ter acabado com suas noites de sono, mas pelo menos não cometia erros tolos como esse.
Tentou abrir os olhos novamente. Ouvia gaivotas, e um ronco de motor. A luz feriu sua retina, mas ela se recusou a fraquejar. Lentamente, acostumou-se com a luz. Então, tudo ficou nublado.

– Finalmente! Eu já achava que meu investimento tinha ido por água abaixo – Disse Zed. Mila podia vê-lo agora, estava sentado em uma cadeira branca. – Você consegue falar?

– C-como ch-cheg... chegamos aq-qui? – A garganta da moça doía um pouco, como se tivesse gritado muito na noite anterior.

Zed sorriu. Levantou-se e saiu da sala sem falar uma palavra. Mila sentia o corpo doer. Tentou se levantar para segui-lo, mas não teve forças. Sentiu certo desespero em não conseguir sair da cama. Ela quase chorou, sua respiração ficou pesada.

– P-por favor, n-não... – tentou falar, tentando esconder o medo em sua voz.

Mas não adiantou. Zed só retornou muito tempo depois. Mais de uma hora. Trazia uma bandeja com um prato de algum tipo de caldo ou sopa. A garota tentou falar alguma coisa, mas Zed pareceu bastante convincente em dizer que ela deveria comer. Comeu. Meio forçada, a garganta arranhava a cada colherada. Quando terminou, se sentia mais calma. Seus pensamentos ficaram lentamente mais claros.

– Como saímos de lá? – tentou perguntar, com uma voz mais suave.

Zed não respondeu.

– Eu sei onde estamos, sei que fiquei inconsciente por dois dias. Eu sei até que você seduziu a esposa do dono desse barco. Mas por favor, me responda como saímos de lá?

Mais uma vez, ele permaneceu em silêncio. O barulho de um helicóptero preencheu a sala, mas gradualmente foi diminuindo. Mila tentou se levantar bruscamente, seus olhos pareciam mais nublados que nunca.

– Siga o helicóptero, não temos muito tempo! – ela disse. Sentiu dor ao falar tão rápido.

– Não. – Zed respondeu num tom de voz suave, com um sorriso leve no rosto.

Mila ficou paralisada por alguns instantes.

– Você precisa me ajudar! Se não fizer isso, vai acontecer algo muito ruim! – ela tentou justificar. Falar parecia causar certa dor em seu corpo.

– Claro, eu sempre preciso ajudar. Vamos fazer isso mais interessante para mim. Quem vai ganhar a Liga dos Campeões? – disse ele, numa cadencia calma e suave.

– O que? Milhões de pessoas podem morrer, e você está preocupado com futebol? Você não tem coração? – ela tentou segurar a respiração, mas já sentia um gosto de ferro na boca.

– É uma troca justa. Uma resposta inocente não é um preço razoável pela vida de milhões? – Zed parecia examinar a palma da própria mão.

Mila não podia acreditar. Ele parecia ser pessoa completamente diferente de quem havia conhecido. Um barulho de explosão ao longe. Ela não tinha muito tempo.

– Manchester, 3 a 2 contra Milan. – ela não entendia direito, mas se sentia usada. Ela tinha más lembranças de usar o dom para proveito próprio.

Zed se levantou e saiu. Mila sentiu o barco mudando de direção.

Um dia cheio de surpresas

São exatamente meio dia do dia 21 de Outubro e estou com dor de cabeça. Minha manhã foi um tanto atribulada, fui acordado por Nicholas às 7 horas da manhã, devo dizer que fui retirado, seqüestrado por ele da minha cama e do meu sonho fabuloso com a minha exótica amante oriental. Ora, não foi sonho, o perfume dela ainda está impregnado no meu corpo, mais um motivo para odiar ter levantado tão cedo. A manhã foi deveras complicada, a começar pelo motivo do despertar, uma reunião com Denorus, um ser muito intrigante, e muito poderoso. Parece um elfo saído das histórias de Tolkien, com aparelhos tecnológicos tão sofisticados que parece magia. Perto dele minha armadura é um moinho de vento. O que me motiva a vê-lo, mas me faz odiar o 19º lugar no ranking. Segundo Nicholas, Denorus teria poderes para curar Christine e com essa esperança partimos para o meio do oceano índico, entre a Índia e a Austrália. Lá encontramos o elfo em seu disco voador no meio do nada.
Após uma mistura de 20.000 léguas submarinas com Star Trek, dentro da fortaleza de Denorus, Nicholas me volta do fundo do mar me dizendo que precisamos encontrar ajuda para romper uma barreira ancestral no fundo da água. A primeira candidata a ajudante é Waterfall, ex-Supremos, salvamos o rabo dela da ultima vez quando ela estava dominada pelo Knight, mas mesmo assim ela ainda é carne de pescoço e nos obriga a fazer outro favor para ela. Não que eu não fizesse se ela soubesse como pedir, afinal aqueles olhos azuis e aqueles cabelos negros já são um ótimo pagamento. Seguindo as ordens da Israelense, partimos de Israel para os Estados Unidos, em busca do noivo dela. Lá descobrimos que o rapaz estava com grandes problemas, trabalhando com tecnologia avançada em computação biológica para um pequeno país da Europa que não consta na maioria das enciclopédias. Heintzenberg é uma ilha exportadora de petróleo e com um ministro muito mal humorado, além de mentiroso. Ele nos recebe junto com o que parece ser todo o exército nacional, e depois de uma conversa amigável com Alísia, que usa toda a sua diplomacia e charme, ele nos leva para o seu gabinete, onde mente descaradamente e após algumas palavras grossas de ambos os lados somos expulsos do país. Interessante a tecnologia que eles possuem, avançada demais para o nível do lugar.
Fomos expulsos, mas como estávamos curiosos não desistimos. Sunshine viajou camuflada até o limite da ilha e usando sua supervisão achou o ministro. Ela o seguiu até o castelo real, onde ele foi se encontrar com ninguém menos que Nightmare. Aquele holandês traiçoeiro estava trabalhando com o paiseco, penso se a pesquisa do rapaz não teria a ver com a armadura do holandês. Fato é que Herman sentiu a presença de Alísia e nós tivemos que fugir do país sendo perseguidos por caças altamente tecnológicos, mas claro que não tão tecnológicos quanto é Claymore. Pelo menos existem vigésimos e trigésimos lugares na grande lista. Partimos e contamos a Waterfall o que descobrimos. A cortesã já sabia de tudo e nos mandou na busca apenas para se divertir. Dou a ela minha palavra e 20.000 dólares e ela concorda em nos ajudar.
A segunda e a terceira ajudante são mais fáceis. Nêmeses dos Peacekeepers se oferece espontaneamente para ajudar-nos e Trauma, uma menina da família Werner também. Grupo reunido, voltamos para a fortaleza de Denorus. Ele, Liquid, Trauma, Nêmeses e Waterfall partem para quebrar a barreira. Sunshine, Impacto e eu ficamos na fortaleza a espera. O tempo passa e logo o mundo começa a cair, o oceano treme e a fortaleza começa a baixar, faço as contas e me pergunto se minha armadura resistiria à pressão da água e chego a duvidar que vá sair vivo desta empreitada.
Súbito, para o bem ou para o mal, o mar explode e uma imensa cascata d’água se forma, jogando a fortaleza em que estamos para uma altura absurda. Eu consigo ver o satélite Armada 3 até. E então a fortaleza começa a cair, atravessando a enorme corrente de água vertical. Acho que estamos a 300 mph aproximadamente, faço força para erguer a sala onde estamos, mas é inútil, penso em sair pela abertura, mas a corrente causaria grandes estragos no hardware. Os segundos passam e então Impacto age. Ele nos agarra e nos transporta para fora do perigo, imaculados. Não sabia que ele tinha esses poderes, ele transmutou nossas moléculas e as dele para o estado de fase 4 e como fantasmas atravessamos a água e chegamos salvos na nave, respiro aliviado.
Enquanto estávamos presos, Liquid, Waterfall e as duas meninas impediam que a queda da corrente provocasse um Tsunami de destruição. No final, todos vivos, embora cansados, podemos seguir para casa. Deixamos cada uma das meninas em sua respectiva casa. Waterfall deixa bem claro que espera que eu cumpra minha palavra, eu a asseguro que cumprirei. Não que o namorado dela seja a minha motivação, mas qualquer um que trabalhe com Herman não é boa coisa.
E quando eu acho que finalmente poderei voltar para minha cama e descansar eis que me aparece mais um problema. Estamos a 190 metros e eu posso ver a fumaça em Camelot, 170 metros e posso ver a torre Sul desabando. Penso em 6 possibilidades para o atacante e logo descubro que é a terceira. 100 metros e eu vejo a forma verde brilhante disparando rajadas radiativas na direção de quem eu reconheço como sendo Ionns, um dos soldados de Jack Larsen. Pelo visto ele estava se virando bem contra Miracle, afinal ele veio para cá para ajudar no caso dela. Ionns parece controlar energia, todas as rajadas de Miracle se dissipam ao chegar nele. Estamos a 50 metros quando vemos a cena, Nicholas já estava acordado fazia 1 minuto, ele viu tudo. Miracle tentou partir para uma abordagem mais física contra Ionns, mas ao chegar perto dele, voltou a forma humana e ele a segurou pelos braços. Aproveitando a situação Christine deu um beijo em Ionns de fazer inveja. Adoro as mulheres, elas conseguem tudo o que querem, não importa os modos empregados.
A raiva de Nicholas é palpável quando ele ordena a Claymore que abra a porta lateral e logo em seguida sai voando. Incrível como ele consegue ser tão idiota de cair nessa provocação barata, fazer o que... Todos os apaixonados são idiotas.
Pouso a nave a tempo de ver a discussão entre ele e Miracle, ela tem um problema de dupla personalidade, uma é a Christine amável e fútil, a outra é um ser cruel e desprezível. Ela está com a personalidade esquerda hoje. “Por que você está destruindo Camelot?” Pergunto com mais vontade de derrubar a vadia do que de ser razoável, mas Nicholas está do meu lado, então sou polido com Miracle. “Eu estava cansada daquela prisão.” Me responde a cretina com a cara mais safada do mundo. “E precisava destruir tudo?” Grito quase perdendo o controle. “Se eu fosse vocês, me preocuparia mais com sua amiguinha japonesa, antes que o fogo atômico que espalhei nos andares abaixo a consuma.”, a vadia sorri enquanto me diz isso, tenho vontade de atacar, entretanto parto para salvar Miharu junto com Ghünter deixando Sunshine para ajudar Liquid.
Dentro de Camelot eu vejo o inferno, fogo atômico destruindo tudo, fundindo portas e destruindo meu sistema de 6 bilhões de dólares. O calor é tão intenso que destruiu o programa anti-incêndio de Camelot. Desisto de procurar Miharu e parto para o laboratório onde espero criar um aparelho capaz de apagar as chamas, Ghünter tem 85 % de chance de salvá-la. Preocupo-me com as soluções possíveis para o dilema das chamas, em um segundo chego a uma conclusão, em um minuto tenho um nulificador de partículas subatômicas pronto. Com ele resolvo o problema das chamas e retorno para onde estão os outros.
Chego a tempo de ver Ghünter chegando com Claymore, ele traz Miharu curada e a responsável pelo feito, Hisa. Entre todos os dotes de minha amante, um deles é seu poder geneativo, ela é capaz de curar ferimentos. Ao me ver ela corre em minha direção, é linda a preocupação em seus olhos, sinto-me lisonjeado.
Miracle fugiu, Liquid insiste em ir atrás dela, mas ele não está em condições. Eu olhos nos seus olhos e sei que ele irá, não importa o que seja preciso. Ele me pede para que Hisa o cure, eu falo com ela em Japonês e ela me responde com sinais. Ela me diz que pode deixar Nicholas inconsciente, o que eu peço que faça. “Richard, se você estiver planejando algo, não é a hora.” Ameaça Liquid pouco antes de apagar. Eu seguro Hisa que também desmaia devido ao esforço que faz. Após deixarmos os dois na enfermaria, partimos com Ionns para localizar Miracle, o soldado consegue rastrear energia.
Fazendo seu trabalho maravilhosamente, Ionns nos leva até onde o rastro de energia termina. O soldado é extremamente competente no que faz. Para nossa surpresa nos descobrimos no rastro de Singularity, uma mulher demente que possui poder suficiente para atrapalhar Van Rayner. Da última vez que a encontramos, além de levarmos uma surra, ela deixou Miracle no seu estado atual radioativo. Só não entendo o que ela estava fazendo numa cidade onde assistia o louco Lann.
Estávamos investigando o local quando recebemos uma mensagem de Nicholas. Ele estava indo para a França encontrar Miracle. Eu não entendi como ele acordou tão cedo, ou mesmo como ele sabia onde estava Miracle. Só sei que logo terminamos nossa investigação partimos para lá. Eu estava preocupado com Nicholas enfrentar sozinho Christine, por isso coloquei os motores da nave em toda a potência. Aliás, coloquei os motores em potência superior. Fazendo a Nave se desgastar no processo. Mas Nicholas é meu amigo, a nave não é nada.
Quando chegamos, temos mais surpresas. Encontramos Nicholas enfrentando Singularity e Miracle, mas o corpo de Christine está separado, distante do corpo atômico. Organizo o ataque, deixando Ionns para cuidar da parte atômica enquanto Sunshine, Liquid, Impacto e eu atacamos Singularity. Ela resiste aos nossos golpes individuais, portanto decidimos um ataque conjunto. Enquanto isso Ionns neutraliza a contraparte atômica de Miracle.
Voando em Mach 1 eu me posiciono atrás de Singularity enquanto Sunshine provoca uma abertura na guarda de dela. Nicholas carrega todo o seu poder se concentrando e então disparamos juntos. Nem mesmo a barreira de Singularity consegue segurar todo o nosso poder e ela perde a consciência por alguns instantes.
Neste pequeno espaço de tempo, aproximadamente 3,5 segundos, chega a cavalaria. Primeiro os antigos Supremos: Ignus, Earthquake, Metallie e a deliciosa Whisper. Depois os antigos Peacekeepers: Stunner, Cybelle e Fastep. Junto com Pierce chegam Lightnning, Sonique e sua irmã Symphony. Eles chegam, pois eu havia informado Pierce sobre a descoberta do paradeiro de Syngularity quando a descobrimos em Irwin. Chegam para desencorajar qualquer vilão que queira se meter nos assuntos da Extreme e de nossos aliados. Chegam para mostrarmos para a ISC que ela não está sozinha como senhora do mundo. Chegam e em segundos, Singularity está deitada ao chão e permanecera neste estado por muito tempo.
Quando os Supremos desceram de sua nave, Ignus e eu combinamos um ataque apenas com o olhar. Nós dividimos as equipes. Crusader, Sunshine, Ignus, Nicholas, Whisper e Cybelle atacaram por cima juntando toda sua energia num feixe único. Enquanto isso em terra, providos por bastões de pedras criados por EarthQuake, todos os pesos pesados atacaram fisicamente o alvo que foi levantado ao ar por um ciclone provocado por Lightnning, Sonique e Fastep. Symphony atacou sozinha mentalmente o alvo.
O resultado final foi a queda de Syngularity e a aplainagem de 30 metros quadrados de chão. Nosso recado foi dado, uma bela lição.
Quando acabamos aproveitamos uns dos poucos momentos em que podemos ficar todos juntos para conversarmos. Nós só nos reunimos assim para lutar. Nicholas convida a todos para jantarem em sua casa. Pierce me pergunta se um ataque deste nível fora necessário. Eu afirmo que sim. A lição era necessária. Agora todos sabem que estamos aqui para ficar. E eles vão temer isso. Partimos em carona com Ignus, Claymore segue em piloto automático aos trancos. Nada que uma tarde na oficina do hangar de Camelot não resolva.
Chegamos e eu recebo mais uma surpresa. Ao nos despedirmos de Ignus, Nicholas agradece a todos. Ignus parte. Quando Nicholas se prepara para ir embora ele me diga “Richard, eu estou te devendo” Eu ia dizer algo, mas quando olhei nos olhos de Nicholas não tive tempo de me defender a tempo de salvar meu nariz. Ele se virou e saiu, me lembrando de ir jantar na casa dele esta noite.
Adoro o humor austríaco.
Todos se vão, eu fico. Preciso terminar o exoesqueleto que estávamos criando para Phase. Trabalho nisto por duas horas, estou exausto quanto sinto uma mão no meu ombro. Antes de me virar sinto o perfume de cereja. “Você descansou bem?” pergunto em japonês enquanto me viro. Hisa acena que sim com a cabeça. Ela se assusta com meu nariz quebrado. “Não foi nada.” eu respondo. Com um simples toque, ela restaura a cartilagem do nariz e cura as feridas do meu corpo, me sinto bem, disposto novamente. Eu a pego nos braços. Palavras são desnecessárias, a base estava vazia exceto por nós, o doce aroma de cereja e suor.
3 horas e 35 minutos depois voamos para casa. Ela me abraça quando chegamos e me beija como se quisesse roubar meu sopro vital. Ela está apaixonada, perdidamente. Sinto-me lisonjeado.
Quando entro no quarto ela me segue e tranca a porta. Palavras são desnecessárias. Após um banho quente nos vestimos. Eu escolho um terno cinza escuro com uma camisa escarlate. Hisa coloca um vestido de seda chinesa vermelho, com um dragão estampado na frente.
Desta vez escolho minha Lotus preferida. Modelo atual, curvas arrojadas e o motor, meu é claro. No caminho para o prédio de Nicholas encomendo comida do Masa para Hisa. Ela é um tanto enjoada em relação à comida. Sinto falta da alegria de Tessa. Com esse pensamento ligo para uma pizzaria e encomendo uma das famosas Pizzas gigantes. Peço também para entregar sorvete. Nina, a irmã mais nova de Nicholas adora sorvete. Para meu próprio gosto estou levando uma garrafa de Scotch irlandês.
Chegamos, Nicholas está feliz. Isso é bom, assim tenho certeza de que não levarei mais um soco. Cumprimentamos-nos, sigo para a cozinha e pego dois copos para servir a ele uma dose. Alísia já está na casa conversando com Christine, aparentemente curada, sobre as futilidades comuns das mulheres. Ghünter não vem, preferiu ficar com Miharu, provavelmente patrulhando.
Sento-me com Nicholas e começamos a conversar sobre as futilidades comuns aos homens. Hisa não está feliz, está com ciúmes de mim, provavelmente acha que eu não estou dando atenção a ela, ou que não a assumo em frente dos meus amigos. Ela começa a me irritar. A festa foi organizada no topo do prédio, Nicholas mora na cobertura de um antigo bairro respeitável de NY.
Logo chegam Kelvin e Cecile, sua esposa. Junto a eles chegam Claude e seu filho Klaus. Reunimos-nos e aproveitamos uns aos outros. Kelvin, eu e Claude conversamos sobre tecnologia de segurança. Hisa parece beber mais do que devia e em pouco tempo está claramente embriagada. Em dado momento, Nicholas me chama a um canto da casa. “E então o que você acha?” Ele me diz mostrando um anel de noivado. “Nicholas, eu sempre soube que você me amava” respondo brincando. “Ela vai adorar meu amigo, desejo tudo de bom para você” Respondo sério desta vez. “Richard, eu queria saber se você não gostaria de ser meu padrinho de casamento.” Eu fico lisonjeado com o pedido e respondo que será a maior honra que alguém me ofereceu em toda a minha vida.
Sabendo do pedido faço uma rápida reunião com Claude que em segundos busca uma aliada nossa, senhorita Amanda, vulgo Whisper. Uma cantora de sucesso, lindíssima. Nós aproveitamos a festa. Eu não tiro os olhos de Amanda. Hisa está ocupada demais conversando com o sakê para perceber meu interesse na espanhola. Nicholas se prepara para fazer o pedido. Eu olho para Claude, ele acena em acordo. Quando Nicholas se levanta e faz o pedido, todos nós recebemos instrumentos musicais. Eu começo a tocar o violino acompanhado pelo teclado tocado por Cecile e do sax tocado por Claude. A linda voz de Amanda se sobressai. Dos céus surge um anjo de gelo iluminado por uma radiante luz, ele traz o anel para Christine que maravilhada chora de emoção.
Quando todos levantamos nossas taças para um brinde, Hisa me agarra, beija e desmaia embriagada. Eu a levo para o sofá de Nicholas e a deixo lá. Quando volto para a festa, começo a conversar com Amanda, ela é um tanto distante, avoada, mas linda. Quando Ignus ia se despedir algo estanho acontece. Um homem em uma armadura vermelha passa em um vôo rasante ao lado de nosso prédio. 2,4 segundos depois um homem num uniforme que lembra ao antigo personagem japonês Kamen Rider salta sobre nossa mesa. “Desculpem pessoal, mas o apressado Cricket está em uma perseguição” É o que ele grita logo após sumir em um salto gigantesco e cair sobre o armadureiro.
Ficamos alguns instantes sem fala. Ignus me olha questionador, eu apenas encolho os ombros e sorvo um gole de Scotch voltando minhas atenções para Amanda. Ela tem os maiores seios que eu já vi, e lindos. Pergunto-me se não cairiam sem o sutiã. Após algum tempo todos começam a ir embora. Eu peço para Amanda ficar, dizendo que eu a levarei embora. Ela aceita. Nicholas me pergunta sobre Hisa. “Não se preocupe” eu respondo “Jarvis, virá buscá-la.” Jarvis sempre as busca para mim.
Despeço-me de Nicholas e chamo Claymore, ela está nova em folha. Entramos eu e Amanda. Conversamos um pouco mais. Ela é distante, mas gosta do que ouve. Eu toco em sua mão, subo para os seus braços e depois para seus cabelos. Ela me olha, nos beijamos. Ela pede para que eu abra o teto da nave. As estrelas são lindas. Nós nos beijamos, nos acariciamos. As estrelas se tornam ofuscantes. No final, nos abraçamos. Realizo uma fantasia compartilhada por grande parte dos homens do mundo, descubro que existem forças maiores que a própria gravidade. Foi divertido, mas não foi metade do que poderia ter sido. Amanda é linda, mas péssima amante. Sinto falta de Tessa, nenhuma delas é tão habilidosa quanto Hisa. Hisa é majestosa neste aspecto, mas Tessa é divertida, Tessa tem paixão. Amanda é distante. É como comer um petit gateu quando tudo que se quer é uma banana split.
Mas sempre se pode provar o petit gateu mais de uma vez. Passo a noite na Espanha com Amanda. Despedimos-nos de manhã. Eu traço o curso para a Inglaterra. Tomo um banho, troco de roupa. 8 horas da manhã entro no apartamento de Tessa. Ela ainda dorme. Enfio-me debaixo de suas cobertas e a abraço. Ela se vira e me beija. Palavras nunca foram tão inúteis.

O Retorno de Midnighter — Parte IV

Checo mais uma vez a bateria da armadura, e quase fico feliz em saber que ainda tenho 21 minutos. Tempo suficiente para uma última volta. Estico o braço para o lado e puxo uma trava com um leve movimento de dedos, fazendo disparar uma câmera voadora de meu cinturão. Meu irmão, Albert Samsom, projetou um sistema de câmeras controladas facilmente por um sistema remoto. Graças a isso, eu consigo ter uma idéia do que está acontecendo na vizinhança sem ter que gastar a preciosa energia do traje. Claro que a imagem não é muito boa, parece com câmera de telefone celular de dez anos atrás, mas dá para ter uma idéia.
Três quadras abaixo, na Union Dale, a pequena câmera me mostra algo suspeito. Quatro carros blindados, uma dúzia de homens com armamento pesado saindo e se preparando para algo grande. Eles olham para o prédio do Hospital St. Claire, onde descubro, graças à meu acesso à Internet sem fio nos sistemas da armadura, estar internado Fabio “Garanhão” Lusagrelli, sobrinho de Henrico Mancini, um chefão falido que achou que poderia peitar Don Lorenzo Maggio, um dos manda-chuvas do crime em Chicago. Qualquer um que assiste os noticiários sabe que máfia é coisa suja, e que o St. Claire é por acaso o hospital beneficiado por generosas doações da família Mancini.
Eu salto os dois primeiros prédios que me separam dos capangas. As ruas são pequenas quando vistas de tão alto, fico feliz em não ter medo de altura. Depois do segundo pulo, o motor de ar comprimido da armadura fica sem gás, e corro os quase vinte metros seguintes antes de poder pular novamente. Cada passo meu bombeia ar para a o cilindro de compressão e, com ele cheio, tenho energia para pular mais uns dez metros. Claro, a queda provavelmente me mataria, por isso acabo gastando uma quantidade enorme de gás para amortecer o impacto. Dói pra diabos, mas não mais do que cair de barriga numa piscina cheinha. Por segurança, uma série de ganchos dispara automaticamente na direção dos prédios mais próximos quando estou no ápice vertical de meu movimento, evitando acidentes.
Olho do parapeito. Estou vendo os homens, seis andares abaixo. Apanho a câmera voadora e guardo em meu cinturão – essa coisa é cara, tenho que tomar todo o cuidado do mundo para não quebra-la. Travo um gancho no chão atrás de mim e respiro fundo. Fico imaginando como Abe fazia essas coisas sem nenhum dos recursos que disponho. Sinto um pouco de orgulho dele, afinal, ele é Big Abe Samsom, e fez por merecer a fama de mais duro dos irmãos. Pego um cilindro do cinturão. É um bastão retrátil de titânio com um pequeno motor de vibração – não que seja de grande valia, mas deve nocautear facilmente os brutamontes que estão lá embaixo. Tem quase dois metros quando ativado. Confiro o tempo da minha armadura. Quatorze minutos.
Vejo os homens apontarem as armas. Parecem metralhadoras pequenas, mas não sei dizer a essa distância. Eu devia ter instalado uma lente de ampliação nessa droga de capacete. Calculo meu salto para o capô do carro da frente. Deve assustar os bandidos por tempo o suficiente para que eu me recupere da queda. Quando vejo que um deles começa a atirar, salto com força para baixo. Durante a queda, me lembro de que nunca testei a armadura para uma parada brusca.
Sinto o metal de minhas botas afundando na blindagem do capô do carro. O impacto é tão forte que o resto do veículo se dobra para cima, estourando os vidros. Meus pés estraçalham o motor do veículo. Minhas pernas doem como o diabo, e teria me ajoelhado de dor se o metal do capô não tivesse se dobrado ao meu redor, impedindo os movimentos. Sinto o fisgo do gancho preso em minhas costas, e vejo o cabo de metal me puxando para cima. Subo meio metro, e caio de novo. Enfio uma perna na frente, e consigo parar na calçada, quase desequilibrado. Ordeno para o gancho soltar. Ele vem em alta velocidade e chicoteia em um cabo elétrico, que é cortado ao meio. O resto do gancho bate em minhas costas com violência. É como tomar um soco daqueles. Fico sem ar.
Vejo o quarteirão inteiro se apagando por causa de minha entrada triunfal. Os mafiosos param de atirar por um segundo. Eu acho que os assustei de jeito. Uso o bastão de titânio – essa porcaria que me custou duas mil pratas – como bengala e me levanto corretamente. A armadura pesa uma tonelada em meus ombros, mas é forte como um diamante. Perdi o sistema de giroscópio, não vou conseguir estabilidade suficiente para usar o disparador de balas de borracha. Sinto que vou precisar de uns dois dias de gelo e repouso quando sair daqui.
Dou um salto para frente, tentando bater meu bastão em um dos italianos. Eles são lentos, quase se esqueceram do que é uma briga de homens. Quando piso no chão no final do pulo, urro de dor. Minha perna se dobra sozinha, ainda sentindo a pancada da queda. Eu jogo todo meu peso para o outro lado, e empurro meu corpo para frente, caindo de encontrão num mafioso. Nessas horas, eu penso que valeu a pena ter engordado. Com a armadura, estou pesando mais de trezentos quilos, e não me surpreendo ao ouvir um osso quebrando abaixo de mim. Um bandido a menos, mas eu estou caído.

Eles demoram um precioso segundo para olharem para mim. Ativo a camuflagem nesse meio tempo. A escuridão repentina e os flashes de luz do cabo elétrico chicoteando a rua me dão a distração necessária para me levantar. Começo a pensar que eu deveria ter atropelado eles com meu furgão – ia ser mais seguro. Retomo meu fôlego, olho para os lados. Giro o bastão com força, e três dos rapazes caem inconscientes. Restam oito agora. Eu gosto do barulho oco que o metal faz quando bate em bandidos. Faz-me sentir no controle da situação.
Eles começam a atirar. Eu devia ter pensado nisso antes. Minha camuflagem não chega nem aos pés da dos filmes do Predador – na verdade, ela é uma fina cama de fibra ótica que projeta imagens do ambiente – e o bastão visível, brilhando com cada flash da eletricidade na rua, também não ajuda muito. Claro, a surpresa faz com que muitas balas passem longe. Algumas resvalam na minha blindagem sem que eu sinta nada. Outras me atingem reto. Uma coisa que eu sempre tive curiosidade era o quão forte era o impacto de uma bala quando se usava colete. Estou usando uma armadura com meia polegada de titânio e liga de carbono, além das camadas de chumbo, tungstênio, amianto e outras paranóias minhas. Essa droga deveria parar (com sorte) balas de canhão. Mas mesmo assim, eu sinto cada impacto. É como ser atingido por um bastão de baseball, cada golpe só multiplica a dor do primeiro. Um dos tiros atinge um receptor externo da minha camuflagem no braço direito, e eu fico parecendo ruído de televisão fora do ar. Desligo. Eu devia ter pintado a droga de armadura de preto, pelo menos, ia chamar menos atenção a noite do que o metal polido.

A camuflagem com defeito comeu metade de minha bateria. Provavelmente, a queda e as tentativas do traje de amortecer os impactos fizeram um bom serviço. Tenho quatro minutos e doze segundos. Não tenho ar comprimido para dar um salto, e eles estão a quase dez metros de mim. Minhas pernas estão me matando. Confiro novamente a bateria, e me surpreendo com três minutos e quarenta e sete segundos. Assusto-me. Deve estar vazando energia. Ótimo.
Vou correndo na direção deles. Anos de futebol na faculdade me fazem derrubar dois deles em alguns instantes, e ainda consigo levantar o segundo e arremessá-lo nos outros. Derrubo mais um no processo. Sinto as balas cada vez mais fortes. Três minutos e vinte e dois segundos. Droga. Droga. Droga.
Uma das balas atinge meu elmo. Minha câmera de visão noturna vai pros ares, está tudo escuro. Eles acabaram de destruir novecentos e trinta dólares de investimento, e uma tarde inteira de serviço. Enquanto meus olhos se acostumam, esbarro em mais um deles. Espero que tenha sido um deles. Espero, por que no instante seguinte, eu dou o famoso soco de direita dos Samsom. O infeliz não vai mastigar por duas semanas. Dois minutos e trinta e oito segundos. Faltam quatro bandidos.
Arremesso meu bastão no mais próximo, que tomba. Ótimo, agora estou desarmado. Eu devia ter pensado em usar bumerangues, ou então, amarrar uma corrente na minha arma. Dois minutos e três segundos. Um apito no meu ouvido. O motor de compressão. Eu tenho energia suficiente para dar um pulo. Penso com toda a vontade do mundo que eu deveria aproveitar isso e sair desse lugar, mas algo em mim diz que não. E concordo. Abe com certeza não pensou em voltar atrás quando os malditos o emboscaram. Ele lutou até o final, pelo que era certo. Eu sou um Samsom, não vou cair. Não vou envergonhar meu irmão. Não vou sujar o nome de Hasler.
Com um minuto e vinte e sete segundos, eu chego correndo em um dos homens. Apoio minha perna em seu peito, e ativo o motor de pulo. Um jato de ar o arremessa quase vinte metros para trás, fazendo-o afundar o corpo na lateral de um carro. Arremesso meu gancho num outro homem. Mantenho a ponta fechada, eu não sou um assassino. Hasler nunca matou homens assim, não é a maneira correta de fazer justiça. Vejo o infeliz girando no ar. Meu gancho bate na parede do hospital, e volta para mim no instante seguinte. Sinto seu golpe chicotear em minhas costas. Trinta e dois segundos. O último homem atira em minha cabeça novamente. A câmera reserva desliga. Está tudo escuro. As balas ressoam em meu elmo. Sinto muita dor, quase perco a consciência. Escuto a direção dos tiros e me jogo. Doze segundos. Se eu errar, estou perdido. Resolvo arriscar tudo, e ativo minha surpresa especial. Uma descarga elétrica na blindagem da armadura. Sinto que toquei apenas de leve no infeliz, mas ele grita desesperadamente, até apagar.

Fico parado, caído no chão. A armadura pesa demais, mesmo para mim. Com um esforço épico, giro meu corpo para o lado. Movo minha mão até o capacete, e puxo a trava de segurança. Tiro da cabeça. Estou suado como a peste, e a borracha amortecedora que uso por baixo da armadura não serve como alívio. Sinto que vou ter assaduras pela manhã.
Faço força para levantar. Se eu tivesse bateria, poderia controlar o furgão por controle remoto. Enquanto dou meu primeiro passo, um dos homens acorda, e olha para mim, assustado. “Quem diabos é você, seu monstro?”. Eu?

Eu sou Midnighter.