Em 2015, um grupo de super-humanos escapa de uma base do governo para salvar o mundo, e acaba descobrindo uma série de segredos sombrios. Essas são suas histórias.

The Nostalgic Cricket - Parte V

A Salteadora? A mesma das fotos? Ele não tinha o álbum, mas havia feito download; era o que todo mundo fazia. A essa altura, Cricket sabia com certeza que a garota que estava a sua frente não era a Salteadora das fotos.

O vento frio e o trânsito foram o único som que se ouviu na torre por quase um minuto.

"E então, Cricket, eu... olha, você vai me ajudar ou não?"

"A Salteadora? A dos jornais?"

"É sério, eu não pediria ajuda se não fosse importante, não assim! Eu queria pular toda a parte do brigam-e-se-aliam, nós estamos do mesmo lado!"

"Mas se você é a Salteadora, o que aconteceu com o uniforme? O que diabos fizeram com seu corpo?"

"Como assim? O que tem de errado com meu corpo?" e então mudou o tom de voz para algo menos nervoso "Você vai me ajudar ou não?" Ela saltou da torre, caindo há uns poucos passos de Cricket, sem arriscar nenhuma acrobacia para abafar o impacto.

"É verdade!" disse ele, ficando ereto. Quando Josh se esticava todo naquela roupa verde, parecia ser bem mais alto e magro do que realmente era.

"O que? O que é verdade?" disse ela, confusa e impaciente.

"É verdade que o Gramático Cricket vai ajudar-ou-não" apesar do trocadilho ter parecido bem melhor em sua cabeça. Cricket estava desconfiado de mais para abaixar a guardar, então usava o truque de sempre: ser confusamente irritante, para desconcentrar eventuais inimigos.

A menina bufou, ou ao menos, Cricket pensou ter ouvido-a bufar. Enfiou a mão no manto e tirou um punhado de papéis. "Você acompanha as notícias nos Fóruns? Alguém está roubando suprimentos médicos em New York, e traficando para Porco Rico. Metade dessas coisas são substâncias experimentais, e tem alto valor no mercado negro."

Cricket ouviu tudo atentamente. Fez uma nota mental de construir sobrancelhas para sua mascara; sentia uma falta enorme da capacidade de franzi-las nesse instante. Ao menos, sentia falta das pessoas saberem que ele o estava a fazer. "O Sensato Cricket acha que seria melhor chamar a polícia e as demais autoridades competentes para resolver esse problema..."

"Não! Eles não conseguiriam fazer nada! Olhe só" apontou para uma das fotos "Não reconhece? Esse é Bart Clinton, O Alvejador, lembra? Ex-atleta olímpico, forças especiais, e agora, mercenário. O cara tem um site com tudo isso!" ela foi mudando as fotos "Um assassino desse nível não seria contratado para guardar essa carga, a não ser que fosse algo mais. Capangas chamariam menos atenção, e são mais baratos!"

"O Confuso Cricket não compreende! Se os bandidos têm dinheiro para contratar alguém tão barra-pesada quanto o Alvejador, por que não gastar esse dinheiro para conseguir os medicamentos legalmente?" ele havia notado que a 'Salteadora' usava um perfume bem suave, e que provavelmente havia lavado os cabelos fazia poucas horas.

"É esse o ponto! Eles estão obviamente querendo fazer com que isso pareça contrabando de remédios! Meu palpite é que eles têm algo grande lá, sabe? Algo tão grande que estão usando os medicamentos como cobertura, caso sejam pegos!" Ela parecia ter certa empolgação na voz.

Cricket estava ligando as idéias. Essa seria à hora perfeita para ele ter se lembrado de trazer o comunicador que Cruzader e Liquid lhe deram. O Alvejador era um nível acima do que qualquer coisa que havia enfrentado. Mesmo com ajuda, ele não estava confiante. Ele tinha milhões de perguntas para a desconhecida, mas só tinha uma resposta - não podia confiar nela. Não inteiramente. Mas, se quisesse saber o que estava acontecendo, teria que jogar o jogo dela.

"Bem, bem, o Indeciso Cricket aceita ajudar" ele notou que ela pareceu aliviada "Porem, com uma condição. Você vai responder as questões do Curioso Cricket enquanto isso."

"Como assim? Quero dizer, eu..." ela parecia meio aflita.

"O Sensível Cricket sabe que se a donzela usa uma máscara, é por algum bom motivo. O Confidenciavel Cricket não deseja saber sobre a donzela por baixo da máscara, longe disso. Em nossa linha de serviço, o Curioso Cricket quer saber sobre a donzela mascarada." ele novamente estava pronto para pular para longe.

"Eu... bem, se você não perguntar nada sobre minha... identidade secreta, eu respondo." disse ela. Cricket era o único aliado que parecia ter, e não queria perder a oportunidade.

"Bem, então o Satisfeito Cricket está pronto! Quando partimos?" Disse ele. Não confiava nela nem um pouco mais do que quando achava que era um trote de internet.

"Agora. Para o porto."

The Exhausted Cricket - Parte IV

Josh saltou do trem assim que entrou em Manhattan. Literalmente.

Quando a gravidade finalmente se fez sentir, ele já estava no topo de um prédio de escritórios. O frio era terrível, nem mesmo o tecido térmico parecia fazer alguma diferença. Esfregou as mãos e vestiu o resto do uniforme, o que era saudável para manter a identidade secreta.

"Vamos lá, Cricket, sem timidez, você vai conhecer outro super-cara! Às vezes vocês podem até virar parceiros..." pulava de cobertura em cobertura. Às vezes, corria pelas paredes espelhadas de algum edifício por diversão. "Ou quem sabe um vilão novo para a galeria..." e lembrou-se de todos os avisos que Crusader e Liquid haviam passado no último sermão.

Chegar ao Empire State Building é extremamente fácil, quando se vai por cima. É possível ver o prédio de qualquer lugar da ilha, fazendo com que nem um idiota consiga se perder. "Ai vai o Nervoso Cricket cair numa pegadinha de um maluco de internet", gritou certo de que a 200 metros de altura ninguém o ouviria. E caiu graciosamente na beirada da torre.

Olhou ao redor. Céus, era uma queda monstruosa!, mas ele adorava isso. Nunca teve medo de altura, e o vento frio do topo-do-mundo aliado à vista assombrosa faziam com que se esquecesse de todos os problemas.

"Está atrasado", disse uma voz feminina. "Já passa da meia noite e quinze".

Cricket pulou de susto, trezentos e oitenta metros para cima. Demorou meio minuto para chegar de volta à torre.

"Ei, ei, ei!" disse, num tom de desculpa "O Pontual Cricket teve imprevistos no caminho!" Procurou pela mulher. Podia ver mais cores, ouvir mais sons e farejar mais odores que um ser humano normal, mas não tinha sentidos exatamente aguçados. Eram só um pouco diferentes. O "sentido-cricket", no entanto, que era extraordinário. Era como se seu corpo inteiro fosse uma antena para vibrações. Poderia mapear instantaneamente qualquer sala do mundo, desde que não fosse muito grande e estivesse moderadamente livre de entulhos.

"Cricket... eu li seu blog" disse ela. "Você é mesmo de outro planeta?" não era como se ele nunca tivesse ouvido essa questão. Na verdade, parte dele preferiria ter usado a história do grilo radioativo.

"Oh, sim, sim, o Alienígena Cricket viajou muitos anos-luz para chegar a esse planeta!" claro que o vento congelante atrapalhava tudo. Tinha quase certeza de que a moça estava escondida perto da torre de rádio, mas não podia dizer exatamente em que ponto. "Mas, calma lá! o Pwr@Pwr é um cara, quer dizer, um homem! Qual seu super-poder, você vira mulher? O Inquisitivo Cricket gostaria dessa resposta, donzela-cavalheiro!" disse, esperando localizá-la pelo som. Aprendeu esse truque cedo: tagarelar é ótimo para desconcentrar pessoas.

"Ei! Não! Eu sou mulher! Eu nasci mulher! Aquele profile é falso, não quero ninguém no fórum me tratando diferente!" disse, naquele tom de indignação que só técnicos de computador costumam usar. "Quero dizer, eu sou mulher mulher, mas aquele bando de nerds jamais me levaria a serio, iam ficar babando ovo!" mas não parecia conseguir explicar realmente.

Cricket pôde sentir, pela vibração do ar e do chão, onde ela estava. Mais ainda, pode sentir exatamente como ela era. Tinha entre 1,50m e 1,80m, pesava entre 40 e 60 kg, o que seria justamente o tipo de chute que qualquer pessoa, mesmo sem o auxilio de super poderes, seria capaz de dar. Certo, certo, não podia sentir exatamente, ela estava muito longe, e também estava ventando gelado!, Pensou ele, tentando consolar a si mesmo.

"O Paranóico Cricket gostaria de saber afinal, se você é... er... digamos, amiga ou inimiga? O Ofegante Cricket não gostaria de uma luta, está muito frio, e a corrida me deu fome..." falou, enquanto procurou por ela sem mover a cabeça. As enormes lentes que protegiam seus olhos (e metade de seu rosto) eram perfeitas para evitar que as pessoas soubessem para onde ele estava olhando. Claro que, há essa hora, ele já estava abaixado, como se estivesse se preparando para pular.

"Eu... olha, eu e você, a gente está do mesmo lado, ok? Pra falar a verdade, eu esperava que alguns dos caras da primeira divisão fosse aparecer... sei lá, o Lightning, o Sentinela..." disse ela, com um toque de desapontamento.

"Hey! Hey! O Ofendido Cricket pode não ser da primeira divisão, mas não precisa menosprezar! Mesmo heróis da segunda..." e ela interrompeu.

"Tecnicamente, terceira."

"Hey! Terceira já é maldade com o Menosprezado Cricket! Mas o Presente Cricket é tão herói quanto qualquer um, e só ele apareceu nesse encontro às cegas!".

"Oh, ok, desculpe. O que eu queria dizer é que eu esperava alguém mais forte. Eu sei que parece meio forçado, mas eu preciso de ajuda e o... digamos, o 'nosso pessoal', não é exatamente fácil de entrar em contato." Ela disse. "Eu acho que foi inocência minha, dei sorte de ter aparecido alguém conhecido, pelo menos. Mas... é que eu preciso de ajuda, de verdade."

Cricket estava com os braços apoiados nas pernas, ajustando levemente as luvas.

"Ora, mais é claro que o Disponível Cricket vai ajudar a donzela! Mas acho que é mais que justo que o Curioso Cricket tenha suas questões respondidas antes disso, não é?" ele disse. Ela concordou "Então, para começar, o Sagaz Cricket gostaria de saber... quem é você, ó donzela? Mostre-se!" A esse ponto, ele já estava preparando-se para pular para longe caso fosse uma armadilha.

Ela demorou alguns segundos, e então finalmente deu um passo para fora de seu esconderijo. Devia ter perto de 1,70m, e talvez uns 50 kg. Usava um manto comprido e um traje acinzentado por baixo.

"Eu sou a Salteadora".

The Reasonable Cricket - III

Passar o final de semana de castigo era um tédio. Estava, até segunda ordem, trancado no quarto. Claro que seria fácil para ele pular pela janela, mas não tinha coragem de fazer isso na vizinhança; alguém poderia ver, e ai, a coisa ficaria complicada.

Restava-lhe a internet. Atualizou o blog. "Mais uma vez o Brilhante Cricket salva o dia do Morsa", seguidos de uma série de fotos que recortou do jornal. Checou várias vezes para limpar seus rastros - aparentemente, o time de Crusader possuia bons hackers, e não queria que o encontrassem. Passou o restante do dia visitando os mesmos forums de sempre.

"Estou dizendo, o Impacto e o Through são a mesma pessoa, mas o Thunderboy é um cara completamente diferente! É só olhar nas fotos!" dizia Jess\^_^\NY. Josh achou bobagem. Havia conhecido Impacto pessoalmente, semanas antes, e tinha a teoria de que Thunderboy, o ex-parceito de Lightning, havia brigado com ele e se tornado independente. Ele parecia ser novo e inseguro de mais. Além disso, qualquer pessoa que lia forums de heróis sabia que Through era um ninja, e não um fortão. Era como dizer que o Sentinela e Lightning eram a mesma pessoa.

"Eu já catei a Sunshine" era um tópico com mais de três mil respostas feito por um alegado técnico do time de futebol da UCLA. Era só um super-herói ter identidade pública que qualquer um tentava dizer que se conheciam. Josh riu do post do infeliz, que dizia que inclusive a canadense o havia ameaçado de morte em tempos recentes. Claro que, por outro lado, Josh colecionava duzias de posters da tal Alisia...

"Eu estou te vendo" dizia o enigmático post de *\/*1*R*u*Z*. Josh achou esranho que um post sem respostas permanecesse em primeiro lugar de todas as páginas. Provavelmente um hacker engraçadinho.

"Todos esses super-caras são amigos, eles fingem essas lutas pra manter a gente assustado! Bando de ******, isso sim!" dizia B0b-Stuf3d. Josh perdeu meia hora escrevendo uma resposta muito boa, mas apertou voltar sem querer e perdeu o texto.

"Eu tenho super poderes, se você também tem, me encontre a meia noite de hoje no topo da torre da antena do Empire State Building", por Pwr@Pwr. Josh leu várias e várias vezes. As respostas eram todas debochadas, mas o tal Pwr@Pwr era um cara sério. Estava na comunidade fazia mais de um ano, tinha boas recomendações.

Ficou se remoendo o resto da tarde. Deveria ir ou não? Seria uma armadilha, ou apenas uma piada? Será que iria conhecer alguém com poderes que fosse de sua idade? Alguém que não tentasse convence-lo a parar de ser herói toda vez que o encontrasse? Era quase onze da noite, e se pegasse o trem agora, talvez conseguisse chegar em New York a tempo.

"Estarei lá - O Presente Cricket" e pulou pela janela, com o uniforme na mochila.

The Dynamic Cricket - II

Havia um punhado de coisas que Josh Sheldon não gostava. Cheiro de cigarro, refrigerante diet, macarrão e gatos. Ele também não gostava de música gospel, livros de auto-ajuda e de Gilmore Girls. E gelatina. Céus, a lista não era tão pequena. Mas provavelmente, disputando o primeiro lugar com macarrão, estavam os Super-Vilões.

Ele era o super-herói da vizinhança fazia uns 6 meses já; se ele fosse um dos figurões, como Lightning ou o Sentinela, provavelmente a coisa seria mais respeitosa, mas o fato é que tinha uma galeria de vilões. Bem, não eram vilões de notoriedade, como RDX ou Voltage. Não eram nem vilões menores, porém, assustadores, como o homem-de-lata-de-Paris. Seus vilões eram quase uma vergonha.

Primeiro, o Falcão Vermelho. Era um malandro qualquer que roubou um protótipo das armaduras dos MaxCops londrinos, ou algo assim. Depois, havia o Doutor Fantasma, um cientista louco especializado em truques de mágica, que roubava bancos e coisas do tipo. E claro, por fim, havia o Morsa, um mafioso local cuja aparência entregava o apelido. Céus, como odiava o Morsa.

Lembrou disso enquanto esquivava das balas dos capangas, e distribuia olhos-roxos. As vezes se esquecia de como pessoas normais eram frageis, e quase cometia alguma bobagem. Segurou um pouco a força e garantiu que O Morsa ficasse só inconsciente. A polícia cuidaria do resto.

"Não temam, senhores! O Prestativo Cricket acaba de salvar o dia... ou a noite!" disse aos refens que ainda estavam aterrorizados com o espetáculo. "Agora, por favor, queiram manter a paz enquanto o Paciente Cricket espera a polícia chegar para garantir que vocês vão estar em segurança!"

Ele odiava gritos, também. Droga, será que ele deveria escrever "Herói" em neon em seu peito? Nesse instante, o "Comunicador" tocou. E entenda-se por comunicador o fone de ouvido do celular escondido por debaixo da roupa.

"Josh Sheldom, onde diabos você está? A sua amiga Sally disse que você fugiu do baile!" gritou sua mãe. Josh saltou pela janela e escalou um prédio qualquer.

"Ah, mão, não é nada disso, eu já estou chegando em casa... é que, é que o clima tava ruim e..."

"E nada! Como você pôde deixar a Sally sozinha? O senhor vai ter que dar boas explicações em casa, rapaizinho!" Ela desligou antes dele falar qualquer coisa.

Ah. Sim. Ele odiava, provavelmente mais ainda que macarrão, o modo como sua mãe o tratava feito criança. Ah, se odiava.

The Awesome Cricket - I

A parte mais difícil da adolescencia eram, sem sombra de dúvidas, os super-poderes. Josh Sheldom jamais teria pensado isso meses antes, mas agora era o tipo de coisa que consumia seus momentos de monotonia. Era aquele tipo de pensamentos que ocorrem sem parar justamente quando não podemos fazer nada a respeito.

Sally Walters havia aceitado ir com ele ao baile, mas acabara de mandar uma mensagem de celular dizendo que havia mudado de ideia e que iria com Garry Trump. Justamente o Garry Trump que caçoava dele desde o jardim de infância. Justamente o Garry Trump que era o maior fan do Adorável Cricket em toda Newark.

Josh pensou na vida enquanto tomava um ar no pátio da escola. Todos os garotos legais estavam dentro do ginásio, no baile. Aqui fora, haviam apenas os nerds e outros que não tinham par. Droga, ele pensou. Ele não era exatamente um nerd! Fazia esportes! Le Parkour, Kung Fu, basquete. Ele no máximo era bom com computadores e ciências. E gostava de Jornada nas Estrelas. E tinha a coleção completa de X-Men. E jogava Dungeons & Dragons toda quinta-feira a noite. Céus, ele era um nerd.

Foi preso em pensamentos como esses que notou um brilho no horizonte. Um incêndio, provavelmente. Sirenes. O traje estava escondido no terraço de um predio seis quadras abaixo. Ah, sim, um pouco de ação.

"Josh... olha, desculpe, eu não sei por que fiz aquilo" disse Sally, docemente, enquanto se aproximava. "O Garry e eu temos história, mas... se você estiver disposto a perdoar, podemos dançar, eu... eu gosto de v..."

"Desculpa, Sally! Eu tenho que ir, a gente se fala na aula" disse ele, beijando a testa da menina. Josh saiu correndo pelos portões da escola, rezando para que ninguém o acompanhasse com a vista. Tirou o paletó e desabotoou as calças. Os sapatos já estavam em suas mãos. Se alguém estivesse vendo agora, pensariam que era um tarado correndo pela noite. Saltou então. Pelo menos trezendos metros para frente, num arco de mais de noventa metros de altura, caindo suavemente a uns poucos passos de onde guardara o uniforme.

Droga, ele podia estar com Sally agora mesmo. Mas alguém pode morrer se ele fizer isso. A parte mais difícil da adolescencia eram, sem sombra de dúvidas, os super-poderes.